E agora, "seu" Jorge?
Jorge Amado terá sua obra relançada pela Cia. das Letras. Acho justo, justíssimo. É um contador de histórias da melhor qualidade, embora a crítica - afeita aos exibicionismos estruturais e às pequenas malandragens da pós-modernidade - tenha por ele certo desprezo. Não tem a tarimba lingüística de um Roa Bastos nem o charme de um Carpentier, mas é inegável que soube, como poucos, aproximar-se do que chamamos literatura popular (na melhor acepção que essa expressão possa ter). Tudo o que criou vem do povo, e isso é visto, por muitos, como defeito, como algo negativo pelo qual a intelligentsia tem repulsa.
Jorge Amado foi muito lido durante os anos 60 e 70. Comunista - e por isso mesmo -, foi divulgado durante a Guerra Fria sem sequer participar dela. Não só ele. O chileno Neruda entrou nessa também, e sua poesia tornou-se obrigatória nas escolas da antiga Cortina de Ferro. Jorge Amado beneficiou-se, mas isso não desmerece seus textos. Claro que sua literatura biográfica - Os Subterrâneos da Liberdade e O Cavaleiro da Esperança - é panfletária, direcionada, discutível (não do ponto de vista estilístico), mas o tom socialista de Capitães da Areia, de Jubiabá e do excelente Tenda dos Milagres é estampado de forma, se não sutil, ao menos digna, sem doutrinações ou dogmatismos.
Leio que sua obra, relançada, virá acompanhada de boa publicidade. Chico Buarque, José Saramago e Rubem Fonseca, três gigantes nos quadros da Cia. das Letras, entraram no jogo. Dê uma checada. A pergunta é: Jorge Amado, um histórico campeão de vendas, ainda precisa disso? Claro que sim. Está praticamente esquecido, eclipsado por livros de auto-ajuda, por invasões de Cabul e arredores, pelo brilho discutível de Paulo Coelho e pelos autores de telenovelas e minisséries, que consideram suas histórias regionalizadas demais. E há, naturalmente, o maior dos motivos: lê-se cada vez menos neste país, a que Jorge Amado, em seu primeiro livro, chamou de O País do Carnaval. O Brasil é realmente uma festa, seu Jorge. Resta saber se o senhor ainda participa dela.

julho 12th, 2008 às 16:16
Adoro Jorge Amado. Sou a feliz proprietária de todos os seus livros. é fato que alguns nunca li. Mas estão lá. ao alcance.
Dona Flor é um grande clássico da literatura brasileira, assim como tocaia grande, tereza batista.
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julho 12th, 2008 às 16:33
Uma boa esse relançamento pois aumentará a disponibilidade de livros de autênticos autores brasileiros na mão dos leitores, porém acho que tem espaço para todos e os outros autores também devem ter seus espaços, sejam eles de auto-ajuda ou vindos de Cabul ou de qualquer outra parte do mundo. O importante é que se leia, leia muito e aprenda-se a ser eclético até com a leitura pois eis mais um lugar onde pré rotulos não se encaixam, só se vai descobrir um livro verdadeiramente depois de lê-lo então devemos darnos a oportunidade de experimentar sempre.
Sucesso com seu blog sempre…
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julho 12th, 2008 às 16:47
Jorge Amado faz parte da cultura nacional. Mas devo concordar com você Grijó. Seu brilhantismo foi apagado pela nebulosas auto-ajudas de Paulo Coelho & Cia.
Os grandes clássicos brasileiros a cada dia mais perdem espaço para livros de qualidade bastante discutível ou para biografias dotadas de polêmica.
Resta vermos se Amado ainda sim é amado pelo público.
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julho 12th, 2008 às 17:47
GOSTO DE ALGUNS LIVROS DO JORGE AMADO.CAPITÃES DE AREIA, QUE VOCÊ CITOU, É UM. QUANTO AO ESTILO DELE, JÁ LI UMA CRÍTICA NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO EM QUE O JORNALISTA O TRATAVA COMO “CRONISTA POPULAR” E NÃO COMO ESCRITOR. É A MESMA CRÍTICA QUE FAZEM A ARIANO SUASSUNA FALAM QUE ELE NÃO CRIA, FAZ ADAPTAÇÕES DE CONTOS POPULARES (NO CASO DO ARIANO, DOS CORDÉIS).A ÚNICA RESSALVA QUE FAÇO (AO JORGE)É O FATO DELE EXAGERAR NO NÚMERO DE PERSONAGENS EM SEUS LIVROS. NA ÉPOCA DA ESCOLA EU FAZIA UMA LISTA E UMA REFERÊNCIA DO LADO PRA NÃO ME PERDER. JORGE AMADO É UMA GIGANTE DA LITERATURA BRASILEIRA.
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julho 12th, 2008 às 22:09
Muito merecido! Para mim ele é o melhor.
http://ofedor.blogspot.com
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julho 12th, 2008 às 22:13
Com certeza Jorge Amado foi, é e sempre será um dos maiores escritores da literatura Brasileira!
Boa postagem!
=D
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julho 12th, 2008 às 22:23
“Pastoreávamos a noite como se ela fosse um bando de inquietas virgens na idade do homem”
(Os Pastores da Noite)
Precisa mais, prezado professor? O cara é um poeta de primeira.
[abs]
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julho 12th, 2008 às 22:26
Fui verificar quem é Roa Bastos, Grijó.
Paraguaio? É bom mesmo?
Ganhou o Cervantes…
Qual o melhor livro dele? qual é o bom pra começar uma leitura?
Bjussss
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julho 12th, 2008 às 23:02
Oi Grijó, tem um prêmio para você em meu blog, passa lá para ver!
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julho 13th, 2008 às 0:02
Sei não seu Grijó… com tantos livros vindo ( prepare-se agora para o de Ingrid Betancourt), Jorge Amado deve estar bem conformado, longe deste planeta, mas bem acompanhado, né não?
Se devemos ler de tudo e de todos? Acho que não. Pra que perder tempo com leitura duvidosa, se a vida é curta?
Maria Lorena
( tenho a impressão de que este vai passar )
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julho 13th, 2008 às 0:04
Mr. Grijó sempre cruel: Jorge Amado e Paulo Coelho num mesmo texto.
Pura crueldade.
Grande abraço, JL.
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julho 13th, 2008 às 0:11
Eu sempre ouvi falar bem do Jorge Amado, nunca consegui ler um livro dele.
Num sei se é pq sou mto novo e não entendo. Mas que é difícil é…..
Espero um dia apreciar!
Tem parceria de blogs?
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julho 13th, 2008 às 0:45
boa. n só ele, mas todos os grandes escritores tem sempre q serem publicados e tal…
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julho 13th, 2008 às 4:28
Melissa, Augusto Roa Bastos é fera.
Um dos melhores, na América Latina.
“Eu, o Supremo” é bom de doer.
Vale ler e reler.
Abraços
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julho 13th, 2008 às 4:30
Certo, Maria Lorena.
Mas como saber que a literatura é duvidosa?
Como julgar, sem a prévia folheada?
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julho 13th, 2008 às 11:43
Jorge Amado é merecedor de tal homenagem..
salve
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julho 13th, 2008 às 11:47
Sempre gostei de Jorge Amado apesar do trocer de narizes da crítica erudita. Aos 18 anos já tinha lido tudo que ele havia publicado até aquela época. Há um livro dele chamado SUOR, da primeira fase que trabalha uma descrição quase naturalista de um cotriço na Bahia no início do século que lembra (com mais estilo) as descrições de Aluísio Azevedo. O País do Carnaval também traz uma carga de personagens céticos e niilistas fantástica… O que é isso? Fin du siecle tardio… não… acho que é uma busca de estilo de primeira fase… e ainda assim, buscando em outros estilo, se manifesta um dos mais geniais contadores de história do século XX.
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julho 13th, 2008 às 11:54
As primeiras obras de Jorge eram muito boas, já as do tempo mais, digamos, ‘comercial’ dele nãi li, mas ouvi opinioes criticando o excesso de ‘erotisomo’, mesmo assim é um dos grandes escritores brasileiros, por número de exemplares vendidos e por qualidade textual.
______________________________
http://geradordeimprobabilidade.blogspot.com/
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julho 13th, 2008 às 14:43
Jorge Amado é uma instituição aqui na Bahia! hehehehe Eu já li alguns livros e gostei, sim! Acho que o que afasta seja por virou tema de tantas novelas. Então a pessoa (acha que) conhece a história e não se interessa de ler a obra. E nem na época do vestibular lê, já que é só assitir uma aula de literatura e ler um resumo…
http://lasanhadeabobrinha.blogspot.com/
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julho 13th, 2008 às 17:25
Jorge Amado para me sempre sera o cara, gosto das obras dele.
e descordo que as obras dele estão esquecidas.
B-jus
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julho 13th, 2008 às 21:04
Tenho uma pequena livraria aqui, em J. Pessoa, e nunca alguém entrou e pediu um livro do dito cujo.
Tristeza!
Eu gosto.
Tá que minha livraria só tem um ano de vida, ou um pouquinho mais, mas é exagero jorge Amado não ser nem lido por alunos de 2º grau.
=(
Blogão, hein??!
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julho 13th, 2008 às 21:06
Como saber se a leitura é boa? Tendo faro e bons antecedentes, he he… Bons amigos intelectualizados também ajudam e muita, mas muita bagagem cultural( para isso é preciso ter vontade). É só prestar atenção no mundo e não se deixar seduzir pelo canto das falsas sereias capitalistas.
Maria Lorena ( plenamente agradecida pelo filtro leve ).
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julho 13th, 2008 às 21:43
não curto todas obras de jorge amado, mas algumas eu simplismente amei
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julho 13th, 2008 às 21:49
Blog top…bem completo.Curto ler.Abraço!
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julho 13th, 2008 às 21:49
jorge amado é mto bom!!!!!
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julho 13th, 2008 às 23:04
Jorge Amado é sempre uma boa leitura!
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julho 14th, 2008 às 0:05
Jorge Amado é muito bom, lembro até hoje o primeiro livro que lí dele: “Capitães de Areia”, excelente!
Um abraço!
http://www.blowgh.wordpress.com
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julho 14th, 2008 às 0:31
oi Grijó!
Antes de comentar Jorge Amado, vou comentar Belchior, já que não comentei antes. Ele povoou toda minha infância quando minha mãe cantarolava as canções dele que Elis gravou. Mas depois, ser “apenas um rapaz latino-americano” foi quase que uma identidade de grupo durante a faculdade. Para muitos dos que escutam pela primeira vez essa letra hoje, podem achá-la banal. Mas o imediatismo dos nossos dias faz interferência sobre a poética de Belchior. Uma pena. O descompasso custa caro.
Sobre Jorge Amado, tenho que dizer que a ignorância dos que não o lêem por que é regionalista só os faz perder. Jorge vem de uma tradição de gente que sonhou com um novo Brasil, mas ainda era o Brasil, e isso é tão precioso! Os pretensos (pós) moderninhos do momento, os que estão na moda vivem falando em diversidade, mas acabando excluindo tudo que seja diverso. E Jorge é diverso, por que tem um que de autêntico, mesmo quando tem um pano de fundo que se pretende tão universal.
Eu sou suspeita pra falar, sou uma leitora apaixonada por Jorge Amado, e sou apenas leitora.
beijo
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julho 14th, 2008 às 0:59
É isso, Carla.
E pior: a “academia” (leia-se “universidade”) parece ter contra ele - metonimicamente falando - uma aversão que em nada se fundamenta, a não ser no fato de ser “repetitivo” ou “de enaltecer demais a regionalização da literatura”.
Papo.
Não censuram Rubem Fonseca por concentrar-se no RJ, nem João Ubaldo por escrever sobre Nordeste.
Acredito, e pretendo investigar mais argutamente, que o problema está no partidarismo político, na história militante do autor. Não é de hoje. A coisa começa em fins dos 50, e ganha força nos 60, pós-golpe.
Veremos.
Abraço, menina.
Valeu demais seu comentário.
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julho 14th, 2008 às 2:19
Muito legal o seu blog! Adorei os posts sobre Hendrix e a “europafobia”. A moda agora é ir pra Dubai, rs.
Sobre o mestre baiano, acho que ele ainda resiste. Bom e atemporal.
Abraços!
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julho 14th, 2008 às 19:58
Grijó, tava sentindo falta de vir dar meus pífios coments em seu blog…
Parece loucura, mentira, mas, eu, baiano, indo pro sexto semestre de faculdade e ainda ñ li nenhum obra de Jorge Amado….
É IMPRESSIONANTE como ñ consigo parar com um livro dele na mão. Bem verdade que existe uma falta e real interesse mas, de fato a muito tempo tenho vontade de lê-lo e nãp consigo….
Vou tomar vergonha na kra esta semana msm….
rsrsrs
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julho 14th, 2008 às 20:56
Aiiii
legal d+
adoro o jorge amadoo
mt massa esse blog
parabéns
bjo
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julho 14th, 2008 às 20:59
`A literatura é mesmo realmente fascinante!
Na verdade, não aprecio muito Jorge Amado, mas Machado de Assis, Aluisio de Azevedo merecem aplausos!
Ótimo Blog
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julho 15th, 2008 às 1:43
Minha mãe sempre comentava dum tal de Jorge Amado que ela adorava ler quando era criança porque ele falava palavrões e ainda assim a vovó gostava dele.
Um dia ela me chegou um uma embalagem pra presente com aquele formato e cheiro de livro que eu adoro. Eu abri e lá estava capitães da Areia. Comecei a ler meio dia e dormi pouco naquela noite porque não consegui largar o livro. Nasceu uma viciada por Jorge Amado.
Sempre que posso compro mais um livro dele, vai ser bom ver uma versão com capas novas.
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julho 15th, 2008 às 16:22
Opa! Bom saber!
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