Agora pela manhã, após lauto café - e ainda usufruindo da mísera folga do recesso escolar -, passo os olhos pelos jornais do dia (via web) e visito dois portais, UOL e Terra. Eis que me deparo, neste último, com o título que me chama a atenção e, claro, desperta-me a curiosidade: João Bosco e Vinícius: confira os sucessos. Em minha saudabilíssima ignorância, pensei tratar-se, de imediato, de alguma gravação inusitada - clandestina, até - do grande poeta e letrista com o extraordinário violonista mineiro, parceiro do excelente Aldir Blanc. Cheguei a imaginar, ávido, que outras magníficas composições poderiam advir dessa não menos magnífica comunhão, afinal compuseram Samba do Pouso, Rosa dos Ventos e O Mergulhador. Não, não se tratava disso. Na verdade, o portal dava destaque a uma dupla sertaneja de Mato Grosso do Sul que, orgulhosamente, apresentava seu cedê Acústico no Bar. Não é piada: isso realmente existe.

À direita do visor aparece o top 5 dos dois artistas. Destaques para Ah é? e Quero provar que te amo. É possível comprar suas músicas - além de ouvi-las - pelo portal. Por 25,06 reais o consumidor pode levar um pacote com 14 títulos, que incluem, além das citadas, Pagode em Brasília e Esse amor que me mata. Pelo jeito são conhecidos do grande público. Eu é que não entendo nada. Não, não fui ingênuo em imaginar que algum produtor (preocupado com boa música) pudesse ter garimpado outras gravações esquecidas de dois expoentes da música brasileira, como Vinícius de Moraes e João Bosco. Isso não é ingenuidade; não sou ingênuo, nem romântico, nem otimista. Na verdade, sou um ignorante. Por que você ri, João?

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