Remakes 3: a macacada
Visitando rapidamente a locadora - em busca vã do tal filme Sangue Negro -, deparo-me com o devedê O Planeta dos Macacos, clássico da ficção científica dos anos 60. Filmaço. Vi no cinema, ainda garoto, mas só fui compreendê-lo, de fato, muito tempo depois, ao ver e rever em VHS, o qual possuo até hoje. Enfim, não é sobre isso que quero falar, mas o que me chama a atenção é que a capa do filme elimina qualquer tipo de surpresa em relação a seu desfecho: Charlton Heston, desolado, vê-se diante dos destroços da Estátua da Liberdade. Chega à conclusão de que o desconhecido planeta habitado por símios nada mais é que o próprio planeta Terra, antes conduzido por uma espécie irresponsável e, paradoxalmente, desumana: nós. Uma tristeza.
Claro que a versão de 2001 faz mais sentido, do ponto de vista tecnológico. Sim, o espectador está mais exigente e Hollywood tenta ser o mais verossímil possível, tanto na criação da parafernália eletrônica quanto ao fato de elaborar um roteiro sem fissuras. Mas a força do filme de Burton está na macacada - e não no herói astronauta. Não é apenas uma questão de maquiagem. A figura sombria e agressiva do general Thade, interpretado por Tim Roth, não possui equivalente no filme anterior. Dr. Zaius, o macaco louro do filme original, apesar de politicamente cínico, não oferece perigo real. Thade é um dos melhores vilões do cinema, pode apostar. Sim, a maquiagem ajuda, mas ponha uma máscara de macaco em mim para ver se sai alguma coisa.
Se em ambos os filmes os humanos merecem castigo - e a morte, por que não? -, no original, de 1968, existe um tácito respeito em relação àquilo de que somos capazes. Isso inclui, claro, as conquistas científicas, os avanços sociais e o tropismo para a guerra. No filme de 2001, a mensagem é clara: o ser humano inteligente tem de ser aniquilado e permitir que sobreviva implica riscos. O filme de Schafner prioriza as cenas diárias; o de Burton, para sugerir o horror, opta pelas cenas noturnas. Que melhor hora há para caçar?
Prefiro o clássico de 40 anos atrás - talvez até porque me provoque boas lembranças, mas não chego a desgostar do tom aventureiro (em alguns momentos até adolescentes) do filme de 2001. Tudo a seu tempo.




