Posts na categoria ‘MÚSICA’

O MITO DA CRIAÇÃO SOB A PERSPECTIVA DE UM BAIANO (Republicado em memória de Caymmi)

No princípio era a Bahia. E Caetano disse:
— Faça-se o Pelô!
E Gil argüiu:
— Enfim, sob o prisma transitório da protomatéria nasciva, enfim, tendo em mente as palavras de Arjuna a Krishna e toda a prosódia popular do cancioneiro, enfim, ademais considerando-se as premissas da Escola de Frankfurt e a biosfera como um todo, enfim…
E aquela [...]

Comentários (24)

AQUELA MÚSICA

- Como é mesmo aquela música?
- Que susto! Como é que você me acorda com um berro desse no meio da noite, Arnaldo? Quer me matar? Meu Deus!
- (acendendo o abajur) Não consigo lembrar daquela música!
- Que música, Arnaldo? Jesus! Olha aí, meu coração tá acelerado!
- Aquela música, aquela que faz assim: tum, tim, tum.
- [...]

Comentários (5)

VERSÃO DE “ATIREI O PAU NO GATO” SEGUNDO DOSTOIÉVSKI (ÚLTIMO MIADO)

III. O Desenlace
Três meses após o julgamento, Chica Chiconovna Franciscaia se suicidou, sem deixar bilhete ou qualquer tipo de explicação, ao tomar uma chávena - ah, ironia fatal! - repleta de veneno de rato.
Gato Gatovitch Felinosov abandonou o século ao cabo de um ano do veredicto, pouco mais ou menos, e entrou para um mosteiro [...]

Comentários (13)

VERSÃO DE “ATIREI O PAU NO GATO” SEGUNDO DOSTOIÉVSKI (2)

II. O Julgamento
Chica Chiconovna Franciscaia era uma mulher temente a Deus, de constituição frágil e seu tanto histérica. Vira no episódio uma significação transcendente, como se fosse todo ele uma resposta divina a seus pensamentos anticristãos. Porém, tendo pouca coragem e, ainda por cima, um amor-próprio cheio de autocomplacência, apesar de se sentir culpada, teve [...]

Comentários (3)

VERSÃO DE “ATIREI O PAU NO GATO” SEGUNDO DOSTOIÉVSKI (1)

I. O Incidente
Gato Gatovitch Felinosov passeava pelos campos de R… quando se viu atingido por um lareiro que lhe alvejou a testa e o levou ao solo com um brado ensurdecedor. Sob o impacto, seu corpo rolou cômoro abaixo, chegando ao pé de um escarpado talude.
Isto, no momento preciso em que Gato Gatovitch deslindara, por [...]

Comentários (7)

AS DEZ VERDADES SUBLIMES A RESPEITO DE CAETANO VELOSO

É provável que vocês, leitores de vida social intensa, não tenham visto. Mas eu, cujas saídas mais empolgantes ultimamente têm sido ir do quarto ao térreo de elevador, assisti do começo ao fim ao “Som Brasil” com Caetano Veloso (atenção: este texto foi publicado no Sopa de Tamanco há cerca de um mês; ainda estou [...]

Comentários (9)

GUERRA

Meu pacifismo tem um limite: a leitura de algumas páginas de Heródoto ou Plutarco. Bom, confesso que este último também me dá uma vontade irresistível de enrolar um lençol ao redor do corpo, colocar algumas folhas de louro no cabelo e descair a mão com um gritinho, dizendo:
— Afe, César! Que aqueduto grande você tem!
Situação [...]

Comentários (16)

CADA UM TEM O SCHILLER QUE MERECE

Ontem me aconteceu uma catástrofe. Não me refiro, evidentemente, ao fato de que o inverno voltou irascível e com a declarada intenção de purgar os pecados de nordestinos expatriados.
Certo, não é a coisa mais confortável do mundo digitar, como faço agora, com uma mão de cada vez, enquanto esquento a outra sob o sovaco. E, [...]

Deixe um comentário

AXÉ MUSIC

Já dizia aquele guardador de cavalos renascentista: “A vida é uma história contada por um tolo. Cheia de som e fúria. Nada significando.” Frase esta que demonstra a grande capacidade que tinha o sujeito de antever o futuro. Afinal, nasceu muito antes do surgimento da axé music.
Quanto a mim, infelizmente não tive a mesma sorte. [...]

Deixe um comentário

A ORDEM UNIVERSAL ACÚSTICA DOS TOCADORES DE VIOLÃO DE BOTECO

Disse aqui certa feita que não acreditava em teorias conspiratórias. Aliás, cheguei mesmo a afirmar ser um homem cético e ter certeza de que essas histórias de conspiração, totalmente inverídicas, não passavam de boatos espalhados pela CIA em orquestração com uma organização clandestina de gnomos manetas que, aliados ao Pé Grande e ao ET de [...]

Comentário (1)