Nicomarlael                                                                                                 Conheço o dr. Nicomar Lael há cerca de 33 anos. Tempo suficiente para que nossa amizade tivesse pregado a paz, sido perseguida pelos hereges e morrido na cruz.

No entanto, infelizmente, não foi o que aconteceu. Assim, sou obrigado a suportar o sujeito até nossos dias, sem que conte ao menos com um mísero seguidor.

Trata-se o dr. Nicomar Lael de gente de hábitos os mais esquisitos, ainda que o leitor encontre quem diga ser eu o estranho e o dr. Nicomar Lael, pelo contrário, a mais normal das criaturas — coisa que contesto veementemente, só não tomando as medidas cabíveis porque a esta hora os portões do manicômio já estão fechados.

Ora, passaria dias escrevendo sobre a ignóbil criatura, caso não tivesse ojeriza a palavrões e, sobretudo, a processos por calúnia e difamação. Pouco acrescentaria ao quase nada que dele já se sabe, é verdade. Afinal, ainda que tenha sido obrigado a suportá-lo por décadas, dele sei tanto quanto consigo calcular uma matriz.

Digo isso para deitar a crônica de hoje na gaveta e convidar o leitor a, em lendo o facínora, tirar suas próprias conclusões.
Sim, eis que cansado da vida nababesca de magistrado dedicado a causas solertes, o dr. Nicomar Lael acaba de abrir uma bodega.