O MITO DA CRIAÇÃO SOB A PERSPECTIVA DE UM PETISTA
No princípio era a mais-valia e Marx disse:
— Que la assemblée soit!
Porque vinha numa péssima tradução francesa. E ninguém entendeu, já que o lumpemproletariado estava falando muito alto e poucos dominavam o idioma.
E Marx impacientou-se:
— Ach! Hágase la cita, carajo!
E todos correram ao dicionário português-espanhol, mas a consulta demorou um pouco, pois houve alguma discussão sobre se a ordem alfabética deveria ser respeitada ou segui-la seria um passo neoliberal.
Ao que Marx gritou:
— Fiat lux! Fiat lux!
E lhe trouxeram uma caixa de fósforos.
E Marx suspirou e catou dois piolhos da barba para se acalmar. E em seguida, no escuro mesmo, fez uma parede. E separou uma parede da outra e ambas do teto. E, após alguma deliberação, fez o sindicato e achou bom. E foi este o milésimo primeiro dia da criação.
— Agorra, o luiz, porrr favorrr.
E lhe trouxeram o Lula. E Lula disse:
— Nunca antes na história desse país.
E Marx irritou-se:
— O luiz, apertem o interruptorr porr amorr de… do… Light! Turn the light on! Now! I’m loosing my opium of the people!
E fizeram circular uma ata de presença. E houve assinaturas. E após alguma exposição de argumentos, finalmente se fez uma segunda ata. E houve novas assinaturas. E a Comissão Encarregada de Julgar a Validade das Rubricas procedeu a algum debate, depois do qual iniciou conversações tendo em vista estabelecer regras claras para o exame daquelas. Comprovada a autenticidade das mesmas, fez-se uma ata. E após alguma troca de idéias, fez-se uma segunda ata corroborando a primeira. E os membros da Comissão Imbuída da Tarefa de Validação das Assinaturas da Comissão Encarregada de Julgar a Validade das Rubricas procederam a alguma excogitação. E lavrou-se uma ata. E a Comissão com a Atribuição de Revalidação das Assinaturas da Comissão Encarregada da Validação das Assinaturas da Comissão Encarregada de Julgar a Validade das Rubricas se reuniu. E foi este o bilionésimo segundo dia da criação.
E Marx, para conter a raiva, deu dois cascudos em Engels. E depois, desistindo de vez do homem, criou o marxismo vulgar. E para puni-lo por sua insubmissão, fez a língua presa e acrescentou mais quinhentas páginas a “O Capital”.

novembro 26th, 2007 às 10:49
ahahaha.
… e aqui estamos.
novembro 26th, 2007 às 13:24
Beleza. Agora só falta o camarada fazer a autocrítica.
Falando em Marx: não sabes de um bom remédio pra hemorróidas?
Um abraço, um tapaço nas costelas, uma boa semana…
novembro 26th, 2007 às 14:37
eu estou gostando dessa série, do Mito da Criação, mas eu queria saber em que episódio Deus cismou de criar o ornitorrinco - ah e também os restaurantes que não aceitam cartão.
novembro 26th, 2007 às 15:44
Aguardo ainda o mito da criação sob a perspectiva de Dunga, o anãolista da seleção.
novembro 26th, 2007 às 17:03
Maestro, por favor, uma questão de ordem. Precisamos ainda de mais algumas reuniões para apresentarmos a proposta de nossa tendência, oquei?
novembro 26th, 2007 às 18:26
Rsssssss,só vc mesmo,MARCONI
Abração!
novembro 26th, 2007 às 22:06
Hehe, genial!
novembro 27th, 2007 às 0:41
Só perde para o mito sob a ótica de uma operadora de telemarketing…
novembro 27th, 2007 às 9:13
Medo! Muito medo! hehehehehe! Poxa, por um momento achei que estivesse falando de alguma reunião predial, tem degustação de piolhos de barba e tudo mais.
Abraço!
Carlos