Jesus

— Mulher, cheguei! Mulher! Mas o que é isso?!
— O que é isso pergunto eu! Tu tá enxergando, homem?!
— Não é incrível? Foi um tal de Jerúsio que apareceu na estrada. Cuspiu, passou as mão assim, ói. Fiquei curado.
— Que… que coisa boa!
— Maravilhosa, né? Agora me diga: que faz o vizinho ali no canto do quarto, nu, estirando a língua pra mim?

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— A herança veio em boa hora!
— Finalmente a gente vai poder reformar a casa.
— Sonhei minha vida toda com isso, mulher.
— Graças a Deus!
— Pobre menina.
— Sim, pobre. Mas nos deixou ricos.
— Bom, vamos acompanhar o cortejo até o cemitério?
— Vamos, sim. Ué, mas que tumulto é aquele? Tem um cabeludo se aproximando ali do caixão. Que será que ele vai fa… Filho da p…!

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— E então, trouxe os figos?
— Pai, a figueira tá morta.
— Morta, o quê! Não faz um mês ela tava vivinha!
— Pois morreu, pai.
— Impossível ter morrido em tão pouco tempo, menino! E agora é que ela ia começar a dar frutos!
— Juro, pai! Ela parece que tá ressecada!
— Preguiçoso! Passa pra cá! Tu vai levar uma surra pra aprender a nunca mais mentir!

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— O que é que a senhora tá fazendo aqui, minha sogra?
— Opa! Eu pensei que você tivesse morrido!
— E que malas são essas?
— Bom, como eu pensei que você estivesse morto, vendi minha casa e vim morar aqui com minha filha.
— Morar aqui?
— Bom, agora não tenho mais aonde ir. Vou ter que fi… Não! O que é que você tá fazendo? Larga isso! Não! Não bebe! Me dá! Me dá esse vidro de veneno, Lázaro!

(CONTINUA AMANHÃ)