Jesus2

— Que cara é essa?
— Você queria que eu estivesse como? Faz quatro dias que não aparece freguês! Quatro dias!
— Estranho. Que será que aconteceu?
— Sei lá. Só sei que desde que aquele sujeito com sotaque de Nazaré apareceu por aqui, os clientes sumiram.
— Que coisa!
— Pois é. Nunca mais vendi um pão!

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— Foi exatamente assim. Desde então, ela nunca mais sangrou.
— Puxa! Nem “naqueles dias”, cara?
— Não. Nem “naqueles dias”.
— E os efeitos colaterais?
— Da menstruação? Também sumiram, rapaz. Não tenta me bater, não grita, não atira vasos. Fica calminha, calminha.
— Mas isso é uma milagre!
— Nem me fale. Bendito Jesus!

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— Quantos?
— Quinze. E vocês?
— Trezentos e vinte e quatro. Ganhamos de novo.
— Droga!
— Vamos mais uma?
— Vamos. Mas agora Jesus pesca do nosso lado.

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— E então, barbudo? Vamos tentar novamente. Qual o seu nome?
— Jesus de Nazaré, delegado. Mas pode me chamar de Filho do homem, a seu dispor.
— Pela última vez, amigo: cê tá pensando que eu sou trouxa? Não ouviu eu dizer que o tal Jesus morreu três dias atrás!
— Eu ressuscitei.
— Putz! Nunca vi desculpa mais ridícula. Tudo bem, pode voltar pra sua cela. Isso que dá fazer plantão em pleno Pessach. Só dá louco. Meu Deus!
— Chamou?