VERSÃO DE “ATIREI O PAU NO GATO” SEGUNDO DOSTOIÉVSKI (1)
I. O Incidente
Gato Gatovitch Felinosov passeava pelos campos de R… quando se viu atingido por um lareiro que lhe alvejou a testa e o levou ao solo com um brado ensurdecedor. Sob o impacto, seu corpo rolou cômoro abaixo, chegando ao pé de um escarpado talude.
Isto, no momento preciso em que Gato Gatovitch deslindara, por trás do tronco de uma tília, a silhueta de Rato Ratovitch Roédor, circunstância que lhe despertara instintos deveras assustadores. Estes, evidentemente, teriam conseqüências graves para Rato Ratovitch, caso aquele providencial incidente não os tivesse refreado.
Por uma dessas coincidências que soem acontecer comumente por ocasião de ocorrências definitivas na vida social de um país ou de uma região, passava também naquele momento sobre a charneca de R… Chica Chiconovna Franciscaia, em sua telega, conduzida pelo fiel mujique Piotr Petrovitch.
Chica Chiconovna meditava sobre a pertinência da existência de um ser divino, superior e eterno e a moral dela decorrente, quando, ao ouvir o berro de Gato Gatovitch estremeceu e ruborizou, como se houvesse sido surpreendida em seus pensamentos íntimos por uma entidade invisível.
Instintivamente, virou-se para os lados da tília e viu quando Gato Gatovitch era precipitado outeiro abaixo e Rato Ratovitch se escondia por trás das raízes da árvore.
A cena causou forte impressão a Franciscaia, a quem os modos furtivos de Rato Ratovitch deram a certeza de ter sido ele o autor do crime que vitimara Gato Gatovitch.
Entretanto, eu me afastava a longas e incertas passadas na direção de O…, as mãos ainda vermelhas do graveto que havia apanhado ao acaso e, num impulso sádico daqueles que por vezes me dominavam e talvez também um pouco por desfastio, atirara em Gato Gatovitch.
Suava abundantemente. Em minha angústia, pude ver, relanceando-lhe os olhos, que Felinosov, apesar do tremendo choque e da queda não menos brutal, ainda movia as patas no fundo do vale.
(CONTINUA AMANHÃ)

abril 2nd, 2008 às 3:12
Haha! Genial.
abril 2nd, 2008 às 18:45
Citando Bruno Cradoso:
“Haha! Genial.”
abril 2nd, 2008 às 18:49
quaquauquauquauquauquau
abril 3rd, 2008 às 0:49
Ô Marconi, você precisa vir aqui na cidade-azul-pé-no-saco e conhecer as moças. Ou temos as moças “boas” ou as moças com “lordose” … é uma onda que só sentindo, é um costume de gente grande!
abraço.
abril 4th, 2008 às 12:19
Gatovitch Felinosov kuaaaaaaaaaaaaa!
o meu grande problema com os romances russos sempre foi o nome dos personagens.
Atirarei o pau no gato tem outro charme mesmo, quando a criatura o faz numa estepe gelada hehehe
Sorte e saúde pra todos!
abril 5th, 2008 às 4:49
Q idéia!!!
Ainda bem q conheço as duas obras q desaguaram nesse post.
E o verbo ’soer’ q nunca mais tinha visto, hem.
vou ler o 2º
abril 8th, 2008 às 1:52
Olá Marconi
só pra falar:
Que versão , que Versão!
Que tla agora uma versão do cravo e a rosa? :D!
abs