Eu gosto dessa hora, assim, tudo quieto, nublado, meio frio. Todos em suas casas vendo tevê e as ruas mais vazias, sem crianças correndo pelo pátio e berrando como garotinhas e sem um sujeito gritando para um outro que deve estar bem longe, sem o barulho dos ônibus que teimam em passar a todo momento durante a semana, sem as músicas sertanejas da oficina mecânica aqui ao lado, sem a cantoria religiosa das duas funcionárias que limpam os corredores e recolhem o lixo, sem aquela pressa e sem compromissos, até mesmo sem música, num silêncio denso e perturbável apenas pelas teclas do teclado e as ventoinhas do computador, sem sol e ainda assim bem iluminado (e no quarto eu cerro as cortinas e fico na penumbra, que me é agradável), sem perceber que a hora não passa e que a tarde toda se reduz a este momento às 16h10 até que de repente escureça, sem aviso e sem alarde, e o sábado acabe num instante. Puff.