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Blogar... uma profissão?

Publicado em 17/02/2008, às 15:48, por B.Cardoso


O Yuri Almeida me passou esse meme, que foi proposto pelo Thalles Waichert: “blogar” (pausa dramática)… uma profissão?

Não. E nem deveria.

Aqui vão os meus dois centavos:

Uma das acepções da palavra profissão, segundo o bom e velho Aurélio, é “meio de subsistência remunerado resultante do exercício de um trabalho”, e acredito que a pergunta inicial esteja sendo feita nesse sentido. Então, para considerar o ato de “blogar” uma profissão, é preciso entendê-lo como um trabalho. E isso exige um alto nível de abstração.

Primeiro por que parto do pressuposto de que um blog não passa de uma ferramenta para discussões e disseminação de conteúdo — seja ele bom ou ruim, útil ou não. Há alguns deslumbrados que vêem nos blogs uma entidade metafísica de networking e, antes de tudo, uma máquina de dinheiro. A partir do momento que as pessoas passam a dar mais importância aos talheres do que ao bolo, elas estão sendo idiotas. E é simples assim.

Logo, os que vêem nos blogs uma profissão, um meio de subsistência remunerado, não têm outra escolha senão lustrar os talheres e oferecer conteúdo raso para capturar pará-quedistas via Google — salvo raras exceções que, suponho, devam existir. Eu não vejo uma forma inteligente de ganhar mais do que alguns trocados com blogs sem apostar na futilidade e em incontáveis (e inconvenientes) anúncios por todos os cantos.

Segundo, e acho que esse é o ponto mais relacionado com o meme em si, jornalistas são jornalistas e os que têm blogs, têm blogs. É bem simples também. Fiz até um desenho:

Jornalistas e Blogueiros
Eu sei, tem pelo menos 3 erros aí.

Certa vez li em algum lugar que para ser um jornalista é essencial ter um ego avantajado. Para ser um “blogueiro profissional”, também. Não é à toa, aliás, que um fica cutucando o outro. Uma chateação incrível.

Não é um diploma que dá credibilidade e sensatez à alguém e a falta dele que não justifica uma postura imbecil.

Não acho, portanto, que ter um blog signifique ter uma profissão, seja do ponto de vista jornalístico ou monetário. Qualquer “profissionalização” nesse sentido me parece patética e exclusivamente narcisística.

A grande sacada dos blogs não é este espaço onde eu escrevo agora, mas o que vem logo abaixo, para os comentários.

* * *

Feito isso (mais ou menos bem), repasso o meme para a Gabriela Zago, pro João Barreto e para qualquer outro que queira comentar sobre o assunto.

É isso.

11 comentários

#1. Yuri Almeida, 17/02/2008, 16:32

Hum...quando recebi o meme achei até fácil a resposta, mas após ler o seu post e o de outras pessoas vejo o quanto é complexo.
Você diz que profissão é meio de subsistência remunerado resultante do exercício de um trabalho. Mas aí: o que é trabalho? Trabalho nem sempre gera $$$. Por isso que eliminei-o do meu post.
Fiquei na dúvida também: o que será que o Bruno considera profissão? Qual o conceito dele para esta?
Por fim, o que escreves e tão bom quanto esse comentário.

#2. B.Cardoso, 17/02/2008, 17:19

Pois é, Yuri, fiquei com receio de encher o post de definições, mas vamos lá:

Trabalho nem sempre gera grana, é verdade. Mas dentro desse conceito de profissão, é através dele que se enchem os bolsos. Citando novamente o Aurélio, para não deixar a palavra carente de definição formal, trabalho é uma “atividade coordenada, de caráter físico e/ou intelectual, necessária à realização de qualquer tarefa, serviço ou empreendimento.” Não acho, porém, que o ato de blogar se relacione com trabalho justamente pelas finalidades às quais a ferramenta em questão se propõe a auxiliar (a saber: discussão e troca). Otimizar um blog para pará-quedistas, apesar de dar trabalho, por exemplo, é apenas uma questão de má fé. Ou ganância pura e simples.

Não tenho nenhum conceito diferente de profissão, esse mesmo que citei no post me parece bem adequado para definir o que é e sobre o que se trata. Meu esforço foi no sentido de mostrar que blogar não é nada disso -- o que pelo menos não deveria ser. O maior problema que vejo é justamente essa hipervalorização do ato e do próprio espaço.

As pessoas são mais importantes do que as ferramentas que utilizam.

#3. Gabriela, 17/02/2008, 20:24

Achei que fosse ser fácil responder, mas o assunto é complexo demais para sintetizar em um post :P

Bom, só para avisar: meme respondido.

#4. Caito, 17/02/2008, 20:33

Concordo com o Yuri, é uma questão complexa. Depende realmentedo conceito de profissão. Se for profissão no sentido de professar, ta tranquilo, somos profissionais! rs ? Agora se estiver ligado a remuneração... bem, não recebo um tosão furado pelos versos que espalho pela net. Mas não é por isso que não me considero poeta.
Não simplifiquei com nada né? Bem, essa é a idéia, simplificar é um ato preguiçoso! Ou não! rs

Abraço!

#5. Caito, 17/02/2008, 20:35

Bem, mas ainda assim devo dizer que concordo com relação as pessoas serem mais importantes do que os trabalhos que realizam. REalmente, não ajudei em nada!

rs

#6. Sérgio F. Lima, 17/02/2008, 21:22

Opa Bruno Cardoso!

Eu acho (do verbo está fazendo chute, sem grandes certezas!) que blogar “pode” ser uma profissão sim!

Uma empresa pode contratar alguém para estabelecer conversações e disseminar conteúdos específicos com seus consumidores (atuais e futuros)!

Sobre o conceito de trabalho estou usando o do Paulo Nosella Trabalho não precisa ser tripalium (castigo) nem só labor (esforço) pode também ser poesis (fonte de praze).

Tirar sustento do seu trabalho não implica, necessariamente, em fazer algo ruim, chulo, vazio, superficial, ou qualquer outro preconceito “católico” ao atto de ganhar dinheiro com o seu trabalho!

Na Campus Party a Intel Contratou blogueiros para blogar sobre o evento (não para fazer press release ou algo do gênero).

E sim, o tema é complexo mesmo!

[]'s

#7. João Barreto, 18/02/2008, 12:37

opa! via de regra, não prezo muito memes. mas esse é uma (honrosa) exceção. êta discussão da boa. em breve respondo ;) abs!

#8. B.Cardoso, 18/02/2008, 13:22

Caito: É, não precisa receber nada em troca pra alguma coisa valer a pena ;)

Sérgio, interessantes esses pontos de vista sobre o trabalho, embora eu esteja tentando a vê-lo mais de acordo com os dois primeiros conceitos, sacumé... Mas, de qualquer forma, essas contratações são eventualidades, não? Uma parcela mínima pode até conseguir algum trabalho que os tornem “blogueiros profissionais”, embora o restante continue indiferente.

João: Pois é, eu também não gosto, pois geralmente é besteira. Mas esses poucos com uma discussão interessante merecem ser repassados.

#9. Meyviu, 18/02/2008, 14:28

Na minha pobre opinião, certos tipos de blogs sim, podem sim ser considerados como profissão. Não me refiro aos noticiáticos ou midiáticos ou mesmo os que tratam de porcariada, mas, por exemplo, imagine-se um blog com receitas rápidas para homens solteiros. A pauta do blogueiro seria determinada pelos visitantes, ele poderia ter uma certa remuneração por alguma empresa que venda temperos ou qualquer coisa do tipo, em suma, teria atributos que só um empregado teria, excetuadas as características de ser um blogueiro, ou seja, não teria que ir para o local de trabalho. Não quero por ponto final, é só minha opiniãozinha!

#10. Marília, 19/02/2008, 10:17

Gostei de seu texto!

Essa disputa de egos já está enchendo...
A blogosfera é imensa e tem espaço para todos!

#11. João Barreto, 22/02/2008, 12:02

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