5h45, domingo, rodoviária. Entro no taxi e, após um “bom dia” breve e mecânico, informo o endereço. O taxista me olha desapontado pelo retrovisor e repete minhas palavras ao colega de profissão com quem conversava antes que eu entrasse no carro. Este, junto à janela, afirma que é pertinho, basta chegar até um determinado ponto e virar a direita. Qualquer um sabe onde fica. O sujeito pragueja e põe o carro em movimento; bandeira 2. Eu conto o dinheiro: daria no máximo R$8,00 -- e o peso exagerado de uma das malas tornaria desnecessariamente tortuosa uma marcha à pé, como costumo fazer; são, afinal, poucas quadras. No cruzamento onde deveria virar à direita, ele pára por alguns instantes diante do semáforo e fica do lado esquerdo da rua, para continuar em frente. Digo que deveria ter virado à direita e ele balbucia. Encosta o carro na esquina seguinte e eu aponto para o prédio que ficou um pouco para trás, mas ainda visível: “é ali.” O taxista me diz que, na verdade, o número que desejo não ficava ali, mas à esquerda, o que o obrigaria a contornar a quadra para percorrer a rua em questão desde o início. Repito minhas duas palavras. Ele aponta para o outro lado. Eu insisto e aponto novamente para prédio. Ele, com ar de desentendido, diz que não. Encerro o impasse de forma simples: “cara, eu moro ali.”
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