Constatei esses dias que tenho um senso de humor irrestrito. Diante da chamada de uma reportagem sobre crianças “indomáveis”, o narrador encerrou deixando no ar um questionamento sobre o que os pais deveriam fazer. “Jogar a criança do sexto andar,” eu respondi, e embora tenha arrancando alguns sorrisos cautelosos num primeiro momento, o que veio depois foram olhares inquisidores, ofendidos e sei lá mais o quê. Outra vez, numa situação análoga, me vi diante de uma oportunidade imperdível, daquelas que duram poucos instantes, para escrachar um causo que me contavam e insinuei que o sujeito da história era um pedófilo e foi a mesma coisa: risos (pois a tirada tinha sido boa) e logo depois a expressão de horror à simples menção da palavra, como se eu estivesse estuprando uma menina de seis anos diante deles.
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