O fantástico rock nerd do Arcade Fire
Lembro que, da primeira vez que ouvi um verso de Zeca Baleiro que dizia “tava mais bobo que banda de rock…”, torci o nariz, contrariado. Como grande admirador do estilo, achei presunçoso e desrespeitoso o verso do cantor. Mas a verdade é que estava é com dificuldade de dar o braço a torcer, bastou pensar cinco segundinhos para ver que o cara estava certo. Adoro rock, guitarras plugadas, baterias nervosas, mas, vamos convir, um pouco de leitura e cultura não cairia nada mau em grande parte dos “rockeiros”, músicos ou não, do mundo. Eles podem começar, todos, assistindo insistentemente aos shows da banda canadense Arcade Fire.
Rock com cérebro, muito cérebro, é isso. Mistura de instrumentos e estilos, vocalizações, gritos, declamações, belíssimas letras, lindas vozes e rock´n´roll no palco. O verdadeiro, com direito a ceninhas de integrantes se estrebuchando no chão, caras de chapado espalhadas pelo palco, escândalos, pulos, troca de instrumentos, visitas ao público. Assistir a um show deles foi o maior presente que o acaso (e o Strokes) me deram na vida. E viva a internet que em um mês me fez estar apto a (quase) cantar junto com uma banda que ainda era desconhecida por aqui!
É aquela banda que tem uma canção mais diferente da outra, e mesmo assim todas têm cara de ser da mesma banda. É o tipo de identidade sem margem pra grandes rotulações que todo artista contemporâneo deveria procurar. Poderia dizer que parece Bowie com música folclórica irlandesa, francesa e canadense (mas óbvio que não conheço nenhuma dessas três!), seria mentira, não seria , não sei. Poderia dizer que lembra Velvet Underground com Mutantes com U2 em sua fase que presta com sei lá mais o que. Poderia dizer qualquer merda, mas a verdade é que quem precisa de um idiota dito “crítico” definindo o som de uma banda tão restritamente em tempos de E-Mule e YouTube? Dá um clik aí em baixo e pire você mesmo o cabeção!
E como se tudo isso não bastasse, eles ainda tem cara de nerds! Fantástico. Sem longas madeixas mal cuidadas ornando a cabeça de homens barbudos e babões, sem jaquetas de couro, sem bermudões, bonés ou qualquer coisa assim, as meninas de vestidos longos, lindas em sua beleza de nerds. Se todas as bandas de rock fossem como eles o Zeca Baleiro teria um verso a menos em sua canção.
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Dêem uma olhada nesse vídeo. Nenhuma guitarra quebrada no chão é mais rock´n´roll do que essa “música de elevador”.

