Mai Fujimoto
Mai Fujimoto tem um trabalho em velocidade branca. Sua arte transporta para um silêncio meditativo (nos termos de uma busca particular) entre filosofia e espiritualidade, incorporando as sutilezas do mundo. Transforma o tempo do nascer-morrer em objetos concretos-inconcretos delicados. Sua arte não provoca (não questiona) abrupta. Atenta, descomprime o espaço real, retira-o da necessidade de existir dentro de um tempo e altera as dimensões das pequenas e “delicadas belezas”, dando-lhes dimensão, força e fôlego. Traz e apresenta a atmosfera do que está para além do corpo, para além do físico. O sentido se revela atado ao sem significado. Tornando o invisível em vísivel, incorpora nuances de leveza e, como em pequenos gestos de agradecimento, encontra o delicado onde os olhos-acostumados não o percebem, transformando a ausência enquanto angústia em uma ausência plena (em um vazio que ao mesmo tempo é totalidade). Essa busca pelo não-concreto e pelo redimensionamento do mínimo é recoberta por uma suavidade que transpira, brincando com as possibilidades de existir, transportando a crueza da matéria para uma suavidade preenchida por um corpo etéreo, expondo o silêncio enquanto possibilidade. Os desenhos guardam ainda significados outros: a ausência que permeia o traço vai em direção a uma reflexão sobre qual a importância do que se vê: os traços nervosos e ao mesmo tempo delicados revelam uma dor suportada, uma angústia (quase) resolvida. As dimensões do desenho obrigam o expectador a assumir uma cumplicidade com o objeto, supondo uma distância delicada entre o observador-corpo que vê e o corpo que está. O trabalho de Mai Fujimoto sensibiliza por ressignificar a idéia do lugar da ausência.