Horário Eleitoral Agressivamente Gratuito (Cap.2)

14 de outubro de 2008

Há algo mais absurdo do que uma pessoa como Marta (lá ele), que construiu sua carreira em defesa dos direitos dos viados, apelar, de forma tão vil, para a homofobia? Será que não basta perder a eleição, é preciso também jogar no lixo o que restava de decência?

Fica vermelha, cara sem-vergonha.

Por outro lado (lá ele), é possível haver algo mais execrável do que o comportamento atual dos canalhas de Pindorama diante do sórdido ataque feito pela candidata petista? Logo eles, que sempre recorreram (e ainda recorrem) às mais abjetas formas de baixarias e insinuações, inclusive usando linguajar chulo, querem agora posar de indignadinhos?

Ora, me façam uma garapa, com caldo de cana contaminado.


Foi por estas e outras (muitas outras) que, na última vez que ocupei esta ingresiástica tribuna, antes mesmo deste rebuceteio, larguei a seguinte: ”Quando nada, estas briguinhas eleitoreiras têm um caráter didático. Servem para nos lembrar que, mesmo quando aparentam estar em cantos opostos, todos eles não saem do lugar. É isso. No Brasil, a vanguarda é o atraso e vice-versa“.

Obrigado pelos aplausos, mas não carece. Já disse e repito. No Brasil, a profissão mais fácil de ser exercida é a de profeta. Basta apostar no absurdo. A possibilidade de erro é extremamente remota.

Horário Eleitoral Agressivamente Gratuito (Cap.2)

14 de outubro de 2008

Há algo mais absurdo do que uma pessoa como Marta (lá ele), que construiu sua carreira em defesa dos direitos dos viados, apelar, de forma tão vil, para a homofobia? Será que não basta perder a eleição, é preciso também jogar no lixo o que restava de decência?

Fica vermelha, cara sem-vergonha.

Por outro lado (lá ele), é possível haver algo mais execrável do que o comportamento atual dos canalhas de Pindorama diante do sórdido ataque feito pela candidata petista? Logo eles, que sempre recorreram (e ainda recorrem) às mais abjetas formas de baixarias e insinuações, inclusive usando linguajar chulo, querem agora posar de indignadinhos?

Ora, me façam uma garapa, com caldo de cana contaminado.


Foi por estas e outras (muitas outras) que, na última vez que ocupei esta ingresiástica tribuna, antes mesmo deste rebuceteio, larguei a seguinte: ”Quando nada, estas briguinhas eleitoreiras têm um caráter didático. Servem para nos lembrar que, mesmo quando aparentam estar em cantos opostos, todos eles não saem do lugar. É isso. No Brasil, a vanguarda é o atraso e vice-versa“.

Obrigado pelos aplausos, mas não carece. Já disse e repito. No Brasil, a profissão mais fácil de ser exercida é a de profeta. Basta apostar no absurdo. A possibilidade de erro é extremamente remota.

o macaco, o mapa astral, e o tsunami

14 de outubro de 2008

 

” Pra quem não sabe nadar, marola é tsunami”

Googól

*

“Em rio que tem subprimes, jacaré investidor nada de costas”

almirante

*

“…os bancos escorregam na banana e o povo é que paga o mico.”

chris nóvoa

*

“Macaco velho não põe a mãe em Cumbica, nem o pé em marola” Googól

O sombra e outros tópicos muito mais ardentes

14 de outubro de 2008

Tive aulas de português com o prefeito José Fogaça em 1975. Fiz uma semana de cursinho no IPV antes de mudar para o Mauá e ele me pareceu um bom professor. Melhor se lá tivesse ficado. Assisti duas aulas, não mais do que isso. Depois ele ficou 24 anos como senador em Brasília. Culpa dos gaúchos que reelegeram o autor de uma música que tornou-se uma espécie de hino informal de Porto Alegre e do pessoal do interior, sempre pronto a aderir à direita. Sou um cara que leio as notícias políticas com parcimônia e nunca ouvi nada de útil que Fogaça tivesse participado em Brasília. Acho até que ele nem foi. É muito devagar. Ontem, assisti a todo o debate entre ele e Maria do Rosário. José e Maria, Maria e José. PT x PMDB-PPS. Chatíssimo, mas Maria é melhor. A sorte dela é exatamente José que, meio cabeça de vento, não diz coisa com coisa. Há pessoas que não preservam a inteligência. Ó, M`ria, mais tu não t` aproveitasht` d`reito. Êl é um p`monha, M`ria.

Destaques para o projeto “Óleo de Cozinha” de Fogaça, o qual foi confrontado por Maria com outro projeto: o “Lixo é Luz”. Luz? Aqui em casa é cheiro. Descontente com a situação, Fogaça diz que é de seu governo o projeto “Papa Pilhas”. Deve ser mesmo. Já andei quilômetros e quilômetros em Porto Alegre atrás de um lugar onde jogar as pilhas. Acabaram no lixo seco, claro. Fogaça falou muito nos “Portais da Cidade”. Sei lá que porra é essa, só sei que Maria do Rosário andou botando mais botox que a Suélen (ou seria Pâmela?), quando pensei que esta tinha ficado finalmente torta e doente. O sorriso-só-boca de Maria está de assustar as crianças que tanto ama. Mas, pô, ela é dez vezes melhor do que o sombra.

-=-=-=-=-=-=-=-

A Flam comenta por e-mail que um certo Henrique Goldman, do qual nunca tinha ouvido falar, escreveu uma crônica — supostamente autobiográfica — onde conta que, aos 14 anos, forçava a empregada a transar com ele. Houve reações iradas. Henrique, mentalmente lento como Fogaça, deixou que a publicação escrevesse um notável pedido de desculpas: “Nosso colunista pede desculpas públicas à empregada da família com quem transou, contra a vontade dela, quando tinha 14 anos”. Um cara finíssimo, sem dúvida… Manteve a macheza escrota. Parabéns!

Este Goldman deveria ter utilizado a hipérbole para descaracterizar-se e não ficar na songa-monguice naturalista. Caro Goldman, sabe-se que uma das formas de se descaracterizar um tópico é recorrer à hipérbole, ou seja, intensificá-lo até o inconcebível… Você deveria perseguir todas as empregadas! Deveria ir para a cama com sua mulher sonhando com empregadas, fazer com que a mulher se vestisse de camareira para sentir tesão, tinha que sonhar com bundas de mulheres no alto de escadas, balançando fartas nádegas e peitos enquanto os vidros eram limpos… Aí sim, você tem chance de tornar-se um Hubert Hubert de domésticas. E não iria nos incomodar tanto. Mas teria que escrever assim:

Conquanto seja indispensável registrar alguns pontos pertinentes, a impressão geral que desejo transmitir é de uma porta lateral que abre violentamente numa vida em pleno vôo, deixando entrar uma negra e retumbante golfada de tempo que abafa, com suas chicotadas de vento, o grito da catástrofe solitária.

Faz aí, trouxa!

-=-=-=-=-=-=-

O criador da Hustler, Larry Flint, continua a fazer das suas. A última é um filme erótico em que Sarah Palin, Hillary Clinton e Condoleezza Rice protagonizarão cenas quentíssimas… Como uma película deste gênero requer muito roteiro e é complicadíssimo de rodar, eles iniciaram as filmagens na semana passada e esperam colocar o DVD à venda bem antes das eleições americanas… Não adianta, a gente faz uma baixaria bem grande — vide o Sr. Henrique Goldman acima — e os americanos logo nos suplantam.


Sarah Palin será vivida por Lisa Ann (36 anos) e Hillary Clinton, mais veterana, por Nina Hartley (49 anos). Não foi divulgado quem fará o papel de Condoleezza Rice. Abaixo, compare umas e outras.

Eu não inventei essa. Juro! Aqui, na Globo.com. E aqui, a notícia mais completa. Um detalhe extremamente tranqüilizador é que a obra não conterá anal scenes. Bom, baixaria por baixaria, não vejo problema algum numa anal scene com condom e muito menos com Condy. Clique no Condy aí ao lado para ver as primeiras fotos dela que aparecem no Google Images. Olha a cara de irritação! Melhor esquecer a tal cena.

São Paulo, 13 de outubro de 2008.

13 de outubro de 2008

Final de semana das crianças e da Padroeira. Muita fé e brincadeiras, e os eventos esportivos regem nossas conversas até as próximas rodadas e eventos.

 

Fórmula 1 – Grande Prêmio do Japão. Parece que deu caca. Se a manobra de Hamilton foi irregular e a de Massa também foi, tudo vai culminar em interpretação e, claro, em interesses. Tanto Massa quanto Hamilton estão pressionados para levar o título deste ano. Massa é bom piloto, mas faz besteiras e este ano tem tido azar em momentos cruciais. O que dizer da situação de Hamilton? Venceu o duelo com Alonso, ganhando a prioridade na equipe, mas tem praticamente a obrigação de levar este título. Piloto por piloto, o inglês é mais talentoso e arrojado. Massa ainda depende muito da máquina. Mais duas corridas (China e Brasil), e um destes levará o número 1 no ano que vem. Outro terá sua permanência ameaçada na equipe que defende. Fora a torcida para ver novamente um brasileiro com o título, ainda penso que o campeonato ficaria melhor para Hamilton. Veremos o quanto o Galvão vai gritar.

 

Venezuela 0 x 4 Brasil. Lá vem o Zangado (quer dizer, Dunga) dando uma de Zagalo e dizer que teremos que engoli-lo. Pois o parâmetro, triste, atual é golear a Venezuela. Venezuela, aliás, que levou o goleiro da seleção de futsal, e tenho certeza que mais uns três ou quatro jogadores de ontem eram gandulas que completaram o time. Fora isso, claro, o chute de KaKá e Robinho tiveram muita felicidade. No terceiro gol, Elano errou o chute, não bateu cruzado coisa nenhuma, e Adriano só empurrou. No quarto gol, o lançamento sensacional de Kleber e o domínio de Robinho merecem respeito. Desmerecendo e não desmerecendo, obrigação cumprida, e temos a certeza que esta equipe joga melhor longe de casa, distante das cobranças. Vejamos contra a Colômbia, se aprendemos alguma coisa, ou se os milionários se sentirão oprimidos pelos inimigos da imprensa e torcida… O certo é que só veremos esse grupo no ano que vem, passando o ano-novo com a certeza de que Gilberto Silva, Josué e Maicol têm a preferência do office-boy de Ricardo Teixeira.

 

Brasileirão/2008. 29ª Rodada. Destaques:

 

Flamengo 0 x 3 Atlético-MG. Como concordar com meu amigo Gugala, achando que o poderoso Flamengo leva o título deste ano? Depois de um vexame desses, fica bem difícil. Por mais que o clássico possa representar no passado, atualmente o Galo mineiro não representa nem sombra de uma grandeza tão bem representada em toda a sua história. Bom pros mineiros, que fogem da área da degola, dez pontos confortáveis à frente. E ao Mengão, agora três pontos atrás da zona da Libertadores, com a total certeza de que dá pra recuperar, tem que jogar infinitamente mais para pagar à imensa e linda torcida todo seu esforço e dedicação.

 

Atlético-PR 1 x 3 Fluminense. Briga direta para sair da região do rebaixamento, Washington não comemorou seus três gols, em respeito à sua recente passagem pelo Furacão que, a bem da verdade, não vem merecendo respeito nenhum. E um dos metralhas, digo, Petráglia, garante, em alto e bom som, que o Furacão não cai, igualzinho a Mustafá Contursi, Alberto Dualib e tantos outros dirigentes tão conscientes e corretos. O Flu respira uma rodada fora da zona de queda, e tem nos jogos em casa boa chance de não matar a torcida de vergonha, tarefa mais difícil aos paranaenses.

 

Sem novidades na fronteira da guerra: São Paulo 1 x 0 Náutico (O rebaixável Náutico vendeu caríssimo sua derrota, em pleno Morumbi, para um tricolor paulista desorganizado e afobado. Há que se jogar bem melhor se a pretensão é mesmo pelo título). Cruzeiro 1 x 0 Ipatinga (O Ipatinga em seu tour pela primeira divisão, vende caro, mas vende). Botafogo 3 x 1 Vitória (Sem salários os jogadores não jogam, Doutor…). Portuguesa 0 x 0 Coritiba (bye bye, Lusinha). Goiás 1 x 1 Inter (jogão, sem conseqüências para nenhum dos dois).

 

Uma ótima semana a todos, até a próxima.

Eu opino, tu opinas, ele opina

13 de outubro de 2008
Há (mais) uma polêmica acontecendo por aí. Trata-se de um texto (agora) ficcional do Henrique Goldman, colunista da Revista Trip, intitulado “Carta aberta para Luisa”. Diz a revista, logo...

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Gustav Mahler (1860-1911) - Sinfonia Nº 6 e Kindertotenlieder

13 de outubro de 2008

Filipe Salles escreveu:

A antítese da Quinta é a Sexta, sinfonia que começa nos mesmos moldes, mas que não termina na resolução dos conflitos propostos, conservando as tensões harmônicas até o final, sendo por isso, conhecida como Sinfonia Trágica. Mahler a escreveu em 1905, quando descobriu que era portador de uma doença genética no coração, e que iria matá-lo em breve. Poucas obras musicais revelam com tamanha perfeição o conflito pessoal que o sufocava, tomando consciência de maneira bastante dura e irrevogável de sua condição humana, e, portanto, mortal. É uma sinfonia pesada, de orquestração maciça, harmonias fortes, mas também não sem encantos, sendo seu Andante uma das páginas mais apaixonadas de Mahler. De qualquer modo, não é uma sinfonia facilmente digerível; o clima angustiante de um herói às voltas com seu próprio limite permeia toda a sinfonia, incessantemente. Ao terminá-la, apesar de estar passando por um período relativamente tranqüilo de vida, viu expurgados anseios íntimos, antigas preocupações lhe afloraram.

FDP Bach escreveu:

Gosto muito desta sinfonia, principalmente de seu primeiro movimento, de caráter marcial. Nas mãos de Bernstein torna-se ainda mais incrível.

Ah, existe uma pequena controvérsia referente ao Scherzo e ao andante, melhor detalhada aqui. A opção de Bernstein será a primeira adotada por Mahler, a saber, primeiro o Scherzo, depois o andante. Outros regentes, farão a inversão dos movimentos, como Abbado.

Com relação ao tempo de duração, esta gravação tem 1h e 27 min. Ou seja, não caberia em apenas 1 cd, algo que outros regentes já conseguiram fazer, como o próprio Bernstein, em seu registro de 1967 com a Filarmônica de New York. Só para efeito de comentário, nesta versão que ora posto, o último movimento dura 33:16, enquanto que na versão anterior dura 28m:38s. É uma diferença considerável… mas, enfim, são detalhes referentes às escolhas que são feitas pelos regentes e seus produtores, e sobre isso já fiz outra comparação, que se vai encontrar nos comentários da postagem da sinfonia nº 5.

Os cinco Kindertotenlieder de Mahler formam o primeiro verdadeiro ciclo de canções com acompanhamento orquestral da História da Música. São poemas de Rückert, inspirados pela morte de seus filhos.

Sobre os Kindertotenlieder, Jorge Forbes escreveu:

O casal Mahler (Gustav e Alma Mahler) teve duas filhas, Maria (1902-1907) e Anna (1904 -1988). Maria faleceu de difteria em 1907. No mesmo ano Mahler descobriu que sofria de endocardite.

Deprimida com a morte de sua filha, Alma escreveu em seu diário: “nada foi frutificado em mim, nem minha beleza, nem meu espírito, nem meu talento.” Perde o desejo de viver. Mahler escapava do sofrimento afastando-se de Alma e, na sua tristeza, lembrava-se de outra cena:de sua infância sofrida, de seus oito irmãos mortos e da imensa tristeza de sua mãe. Compôs nessa época em homenagem póstuma as “Canções à morte das crianças” (Kindertotenlieder). Disse mahler delas: não gosto de escrevê-las e não gosto que o mundo tenha que ouvi-las algum dia. São tão tristes!

Symphonie No. 6
01. I. Allegro energico, ma non troppo. Heftig, aber markig
02. II. Scherzo. Wuchtig
03. III. Andante moderato

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

01. Symphony No. 6 - IV. Finale Allegro moderato - Allegro energico
Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein

Kindertotenlieder
02. Kindertotenlieder - I. Nun will die Sonn’ so hell aufgehn
03. Kindertotenlieder - II. Nun seh’ ich wohl, warum so dunkle Flammen
04. Kindertotenlieder - III. Wenn dein Mütterlein
05. Kindertotenlieder - IV. Oft denk’ ich, sie sind nur ausgegangen
06. Kindertotenlieder - V. In diesem Wetter, in diesem Braus

Thomas Hampson : baritone
Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

PQP

What if…

13 de outubro de 2008

Eu tentava há dias formatar na cabeça um texto sobre aquilo que chamo de “o paradoxo europeu”, se me permitem sair batizando problemáticas. Mas, como sabe quem leu a postagem anterior, minha cabeça não se encontrava no estado mais propício para formatar o que quer que fosse. Além do mais, um tema com nome tão pomposo quanto “o paradoxo europeu” exige um texto à altura, rigorosamente argumentado, cheio de sutileza e argúcia, palavras difíceis, o escambau. Mas, se é para colocar em poucas palavras, posso dizer o seguinte:

Quando vim morar na França, tinha uma idéia que, se não chegava a convicção, parecia fazer muito sentido. Acreditava eu que, depois de tanto sangue e tantos crimes, tantos traumas, tantas guerras, o continente europeu, obrigado a encarar a decadência e o crescimento político e econômico de suas antigas colônias, teria aprendido a tornar-se cosmopolita, tolerante, definitivamente civilizado. Antes que me tomem por um pobre ingênuo, aviso que essa forma de ver não estava tão equivocada assim.

Os europeus têm uma tendência ligeira mas perceptivelmente menor do que nós, americanos (falo do continente, por favor) para entrar em farras e modismos como foi, por exemplo, o falecido Consenso de Washington. Antes de cometer suas enormes besteiras, eles debatem muito, se questionam à exaustão, entojam uns aos outros com conceitos e teorias adquiridos por meio de leituras exaustivas dos autores mais qualificados e presunçosos. Os europeus, apesar de ainda se considerarem o centro do mundo (atire a primeira pedra…), se interessam pelas culturas mais distantes, não raro se apaixonam por uma culinária, língua ou dança muito exótica (para eles; e no meio dessa salada está a nossa). Verdade seja dita, o europeu médio, e em particular o francês, toma esse interesse (muito simpático, por sinal) como um selo de autoridade para definir, em poucas palavras, o que é ou deixa de ser tal ou tal país. Infelizmente, porém, eles não aceitam ser desmentidos nem mesmo por alguém que nasceu e cresceu no lugar em questão. Mas, nesses momentos, o melhor a fazer é contar até dez e mudar de assunto.

Mas é claro que não seria esse elogio mitigado que inspiraria o texto que eu ruminava na semana passada. Não sou de distribuir elogios gratuitamente. A triste realidade é que há tempos ficou claro que o aprendizado desse povo teimoso ficou muito aquém do necessário. O holocausto mal conseguiu abafar um antisemitismo renitente, que transparece em pequenas frestas dos discursos de todos e na quase indiferença com que se tratam os repetidos ataques a sepulturas judaicas, entre outras pequenas barbaridades. A flutuação interminável das fronteiras, o muro que rasgou Berlim, a Cortina de Ferro que, pela enésima vez, cindiu radicalmente o continente, nada disso serviu para que as populações abraçassem com honestidade a idéia de uma União Européia digna do nome. E mal adianta explicar que países pequenos como os europeus tendem à irrelevância, se continuarem se estranhando, num mundo altamente competitivo e de grandes blocos. Para encerrar, pergunte se alguém por aqui sente remorso pelos inúmeros genocídios cometidos por seus ancestrais em três continentes: a resposta será um ar se surpresa e algo como um “nunca pensei nisso”…

Até aqui, tratei no máximo de anedotário, curiosidades pitorescas, embora às vezes irritantes. O que há de verdadeiramente triste é constatar que o repertório de grandes tolices que os europeus têm para praticar ainda não está esgotado. Movimentos obscurantistas de bloqueio ao avanço da integração continental; a incrível volta do fascismo na Itália, patrocinada por ninguém menos do que Silvio Berlusconi, que dispensa apresentações, e implementada por pequenos governadores e prefeitos que culpam imigrantes e turistas pela notória e exagerada falta de educação dos italianos; o abandono de séculos de cultura e civilização, em nome de uma admiração cega e infantil pelo famoso american way of life, patente no estilo fashion victim de Sarkozy, talvez a figura mais medíocre e molenga da política mundial; a incapacidade, incrível numa terra tão cheia de sábios, de aparecer com respostas sensatas a problemas como a pirataria pela internet ou o afluxo interminável de imigrantes, o que resulta em medidas claramente antidemocráticas e discriminatórias. Se, no século XIX, EUA, Brasil e Argentina tivessem agido assim, os Europeus teriam comido uns aos outros, um enorme continente de Ugolinos. Eis meu “paradoxo europeu”. Esse, sim, é um aspecto que me surpreende profunda e negativamente numa terra com uma história tão conturbada quanto a européia.

Mas a cereja do bolo é aquele que me deu o ensejo de finalmente escrever este texto e, ainda por cima, inspirou a idéia do “E se…” do título. Jörg Haider, que morreu neste fim-de-semana ao enfiar seu carro num poste a 140 km/h, era provavelmente a figura mais preocupante de todas, ao menos para as consciências democráticas. Muito mais do que Jean-Marie Le Pen, que, com o perdão da falta de respeito, não passa de uma múmia gagá. Haider, ao contrário, tinha um carisma raro, parecia fisicamente (e se comparava a) Tony Blair, era jovem, conhecia os caminhos da política. Não gostava nada de imigrantes, considerava os europeus não-austríacos como rivais, admirava as Waffen SS e não considerava particularmente condenáveis as coisas que aconteceram em seu país entre 1938 e 1945 (chegou a chamar os campos de extermínio, como Auschwitz, de “campos de punição”…).

Muita gente o considerava uma espécie de novo “você sabe quem”; mas o compatriota mais famoso de Haider fez seu nome na cena política alemã numa época em que a injustiça do tratado de Versalhes, a hiperinflação e a Grande Depressão fizeram da terra de Goethe um país de gente ressentida e sedenta por vingança. Mesmo assim, cabe lembrar que o NSDAP não conseguiu mais de 35% dos votos limpamente. Para tornar-se partido majoritário, teve de incendiar o parlamento (Reichstag, um edifício lindo, por sinal) e jogar a culpa nos comunistas. Já Haider andava na casa dos 11% com sua Aliança para o Futuro da Áustria (nome que levanta desconfianças, não?), o que, somando os votos se seu antigo partido, também de extrema direita Partido da Liberdade da Áustria (antigo partido de Haider), dá aos obscurantistas e revisionistas algo como um quarto das cadeiras e um lugar na coalizão que governa. Trocando em miúdos, era uma força política cada vez maior, por incrível que pareça.

Mas eis que morreu Jörg Haider, aos 58 anos, figura mais emblemática do retrocesso europeu. É claro que o eleitor reacionário não vai mudar de posição, mas a perda de uma figura tão carismática é sempre um golpe duro. Andam dizendo que os dois partidos extremistas talvez consigam reatar, sem a figura acachapante de Haider, o que os tornaria, aí sim, de fato fortíssimos na cena nacional austríaca. A ver-se. Mas eu, de minha parte, lendo sobre o assunto, não consegui evitar a lembrança de uma mania tipicamente americana, que aliás é título (ou era, as coisas mudam tanto) de uma série de revistas em quadrinhos da Marvel: “What if…

Várias vezes, já me perguntei o que teria sido do mundo se, por exemplo, Marco Aurélio tivesse conquistado as terras ao norte do Danúbio. Se os portugueses não tivessem conseguido expulsar Villegagnon da Guanabara. Se os ingleses tivessem consolidado seu domínio na França, durante a Guerra dos 100 anos. Se Amaury Kruel não tivesse mudado de lado na última hora e 1964 marcasse não um golpe, mas o início de uma guerra civil. Se os alemães tivessem atacado para valer em Dunquerque e aniquilado o exército britânico. Se, e isso seria ainda mais engraçado, quando se escolheu a língua oficial dos EUA, em vez de dar inglês por um voto contra o alemão, fosse o contrário. E por aí vai.

Mas a questão mais terrível que se coloca é a seguinte: e se o jovem Adolf Hitler tivesse sido abatido quando era cabo do exército austríaco na Primeira Guerra Mundial? Se ele jamais pudesse escrever Mein Kampf, queimar livros e exterminar minorias? Não teria havido Segunda Guerra? Não teria existido a catarse suicida da Europa, bombardeios e carnificinas mútuos? O que teria sido a história do século XX sem Muro de Berlim, sem Comunidade Européia, sem Plano Marshall? Israel jamais teria sido fundado, provavelmente. Toda a reflexão, todo o sentimento de culpa, toda a vergonha pela colaboração com o nazismo, forte em todos os países que a Alemanha ocupou e mesmo em alguns que seguiram livres, nada disso teria acontecido. A maneira de pensar elitista e, sem dúvida, racista do século XIX, que até o holocausto nunca tivera necessidade de esconder o rosto, ganharia mais um bom meio século de hegemonia escancarada. Certamente, menos sangue teria sido derramado no período infernal do domínio de Hitler. Mas também cabe se perguntar quanto sangue a mais não teria sido derramado depois. E eis uma pergunta mais difícil, porém talvez mais importante: a bomba, não tendo estourado em 1939, demoraria quanto tempo a mais para estourar? E teria estourado mais forte, com armamento atômico já desenvolvido?

Ninguém sabe, é claro. Mas sabemos, isso sim, que hoje, no início do século XXI, uma outra bomba está armada. Desta vez, o crescimento das hostilidades é mais lento e mais disfarçado. O mundo é outro, mais global, mais competitivo, mais exausto por uma exploração predatória e irresponsável. Há mais gente para se sentir injustiçada, há mais gente para empobrecer com a crise. Mas a idéia de que haja inimigos espalhados pelo mundo inteiro está voltando à moda. Jörg Haider, a figura emblemática, na Europa, deste tipo de pensamento, acaba de morrer. Talvez os ânimos se acalmem um pouco por enquanto, ao menos na Áustria, na falta de um grande líder irresistível.

Mas e depois? E se (what if…) surgir um outro? E nem precisa ser aqui. Os Estados Unidos, que não têm a mesma história, nem a mesma cultura, nem os mesmos problemas, nem o mesmo “paradoxo” da Europa, estão loucos, mal se segurando nas calças, para entrar pelo mesmo caminho de sandices. E já que atravessamos o Atlântico, por que não estender as perguntas: e se Obama não for eleito? E se for eleito, mas não puder assumir? E se…

Por onde anda Peter Frampton?

13 de outubro de 2008

Sou da época em que Peter Frampton tinha longos cabelos meio alourados, e que era motivo de suspiros e sussurros da maioria das garotas que, hoje, navegam pelos quarenta e poucos anos - ou mais. Lembro-me da capa de Frampton Comes Alive!, disco de 1976 que chegou por aqui alguns meses depois, já no ano seguinte. É um bom disco, com uma gravação antológica de Jumpin’ Jack Flash, clássico da dupla Jagger/Richards. Dizendo amém à web, eis a capa:

Peter Frampton anda mesmo sumido? Bem, talvez o sumiço não seja tão efetivo quanto parece. No mês de setembro, ano corrente, entre os dias 2 e 13, o guitarrista apresentou-se 9 vezes, para felizes canadenses e norte-americanos que pagaram os olhos da cara para ouvir alguns de seus famosos solos no instrumento. Ok, você dirá: mas Frampton nunca foi um grande guitarrista. Sim, não está no nível de um Clapton, de um Johnny Winter, de um Buddy Guy, e está a qüinqüênios-luz de Jimi Hendrix, por exemplo. Mas e daí? Quase todos os guitarristas vivos encontram-se na mesma condição. Não é vergonha alguma.

Ouvi Fingerprints, seu último disco, há algumas semanas. Ótimo, para dizer o mínimo. É um disco de 2006, instrumental, com um escrete de músicos que parece ter-se divertido muito ao acompanhar Frampton. Eu disse escrete? É mais que isso. Veja só: o batera dos Stones Charlie Watts, o também ex-Stone Bill Wyman, o grande saxofonista Courtney Pine (com quem toca um blues-rock de primeira), Warren Haynes (da guitarra slide do Allman Brothers), Mike McCready, do Pearl Jam, e outras feras tão sedentas quanto o próprio Frampton, que se mostra bem à vontade sem vocal. Se Peter Frampton precisasse provar algo a alguém, esse disco veio a calhar.

Você pode achar que é brincadeira, mas li - não me recordo em que jornal, revista - que Frampton perdeu popularidade porque seus cabelos deram adeus a este mundo. Sério. A calvície, segundo a publicação, foi sua derrocada. Boa parte dos roqueiros, sabe-se lá por que milagre, mantém a vasta juba, mas essa história do Frampton é balela. Na verdade, ele acidentou-se, em 1978, nas Bahamas, e, durante um ano, esteve fora do ar, recuperando-se de fraturas quase letais. Chegou a pensar em abandonar tudo, mas, felizmente, voltou atrás. O que se sabe, de fato, é que nunca mais foi o mesmo. Ainda bem. Amadurecido, pôde realizar outros projetos, incluindo o clássico álbum Breaking All The Rules, além de participar, numa ponta, do delicioso filme Quase Famosos, de Cameron Crowe. Se você tiver tempo para ouvir Fingerptints, ouça. Não se arrependerá.

While My Guitar Gently Weeps, de G. Harrison, com Frampton. O disco em questão é Now, de 2003.

Breve Relato da Aniquilação

13 de outubro de 2008

Tudo é movimento irregular e contínuo, sem direção e sem meta.

MONTAIGNE

Por trás de suas fantasias ou de seus atos mais simples, durante o período em que estava desperto, havia sempre presente um pensamento suicida. Acordava-se e a primeira coisa que desejava e imaginava era um tiro a atravessar-lhe o cérebro de baixo para cima. Ansiava possuir uma arma para que pudesse pôr fim àquela vida repugnante que levava ao lado da mulher que não mais amava e cuja existência o humilhava, mostrando repetidamente a cada contato que todos os seus sonhos estavam destruídos de forma irremediável. Ontem mesmo, foram ao cinema. Assistiram a um filme chamado Carrington e, durante o silencioso jantar a dois que se seguiu, ela o comparou a Lytton Strachey, o gay intelectual e imprestável para qualquer coisa de ordem prática do filme. Aquilo não fora uma surpresa, nem algo esporádico; ela considerava seu marido um incapaz e sabia que, apesar de ele não ser gay, entenderia a extensão maldosa da observação. Se ele reagisse, esta extensão seria ironicamente negada. Dialogavam através de pequenas farpas educadas e bem direcionadas, que não eram retiradas antes de apodrecer a carne em torno, nunca. Depois deste jantar, voltaram para casa de carro e ele trocou a companhia da mulher pela da babá, a qual tinha de ser levada para casa. Demorou a retornar, preferiu dar voltas sozinho pela cidade esperando que a mulher dormisse. Depois, enquanto estacionava o carro na garagem do edifício, sentiu o retorno mais forte de sua habitual companhia: a enorme vontade de morrer. Pensou no belo nome da Cantata de Bach Christ lag in Todesbanden, Cristo esteve em ânsias de morte, jogou o corpo para trás no carro e disse em voz baixa e com ódio por que não morro?, por que o ser humano não consegue fazer seu coração parar através de uma ordem peremptória do cérebro? Por que sou este animal impotente e inútil?

Entrou em casa e ouviu o ressonar alto de sua mulher. Anotou este som em sua mente para utilizar nalgum momento adequado, bem no meio de uma discussão, como uma livre-associação que lhe tivesse subitamente ocorrido. Não estava com sono e, com a finalidade de não ouvir o odioso ronco da mulher, pegou o CD de A Criação, de Haydn. Ouviu o estrondo inicial e começou a pensar sobre como fugir.

Procurou na memória alguém que o amasse e chegou, após longos minutos, a uma colega de sua turma de ensino médio. Anne havia tentado de tudo para que eles se tornassem namorados, mas ele a evitara repetidamente. Não era uma mulher desagradável ou feia - muito pelo contrário -, mas ele, sem maiores razões, não quis. Foi ao catálogo telefônico e procurou seu nome. Não encontrou nenhuma Anne Mansur. Depois, lembrou que a grafia do nome de Anne era com dois esses. Ficou feliz ao ver a curta lista dos Manssur do guia, mas não havia nenhuma Anne dentre eles. Porém, havia alguém com o nome de Santa. Recordou-se de Anne, há quase vinte anos, ter feito piadas sobre sua mãe ser uma santa e concluiu que aquele era o número que poderia levar-lhe de volta ao passado.

Desligou o aparelho de som, chegando próximo ao barulho da cama. As fanfarras estavam mais altas ainda. Cuidando para não acordar a mulher, deitou-se e dormiu.

No dia seguinte, passou o dia preparando mentalmente o que iria dizer em seu telefonema para Santa. Telefonou ao final da tarde como um ex-colega de trabalho de Anne. Simpático, arrancou com certa facilidade o número do telefone do trabalho da ex-colega.

Nunca fez a ligação.

-=-=-=-=-=-

Uma terça-feira à noite, meses depois, avistou Anne no supermercado. Ela era mais alta e mais bonita do que ele imaginava. Vê-la assim de surpresa, provocou-lhe uma dor quase física. Todas as vantagens – beleza, elegância, calma - pareciam estar com aquela semi-desconhecida e a inevitável comparação com sua mulher era exageradamente favorável àquela que escolhia frutas e verduras para presumíveis filhos e marido. Entre as gôndolas, observou-a de longe. De calças jeans, casaco preto e camiseta branca, ela parecia muito à vontade e sem pressa, como se tivesse vindo de casa, após o jantar, a fim de comprar o que faltava e que, ali chegando, perdera-se em devaneios. Seus cabelos estavam displicentemente presos; sim, ela saíra de casa, não viera do trabalho. Pode ser até que estivessem sujos, e o contraste com o bonito rosto sugeriu-lhe que estava espreitando um momento muito íntimo e reservado dela. Viu-a olhar detalhadamente os preços de cada produto, pouca coisa ia para seu carrinho. Parecia ser daquelas pessoas que se divertiam no supermercado, escolhendo suas compras, lendo e conhecendo cada produto. Fútil? Talvez, mas transpirava uma calma extrema, transpirava tudo o que ele necessitava.

Não falou com ela; também não ligou para aquele número guardado em sua agenda. A única coisa que fez foi voltar ao supermercado quase todas as noites.

GUIANA

13 de outubro de 2008

Se tem uma coisa com que não me conformo, taí. Você pode me dizer, afinal de contas, o que é uma Guiana?
Uma espécie de clitóris, só que encravado na América do Sul.
Não, não pode ser um clitóris, senão os ingleses não teriam achado. Além do mais, todo mundo sabe que o clitóris da América do Sul é o Panamá. Pelo formato e porque, devidamente manipulado, dá um prazer intenso. Pelo menos para os EUA.
A Guiana é um Sergipe que cresceu, encontrou seu Suriname encantado, casou e saiu de casa.
Nesse caso seria um ménage à trois. Porque são duas Guianas. Uma delas, ainda por cima é francesa. E o francês, você sabe, é um povo que gastou fazendo sacanagem todo o tempo em que deveria estar tomando banho.
Por que essa preocupação com a Guiana agora, hein? Espero que não seja porque tá com mais um daqueles grandes planos para o passado do Brasil. Da última vez, começou querendo uma saída pro Pacífico no século XIX e acabou deprimido por conta da derrota da Confederação do Equador.
E não era pra ficar? Pernambuco se tornaria maior, mais rico, influente e incorporaria boa parte da região, o que seria excelente pra nós, mas bem melhor para os paulistanos, que talvez conseguissem finalmente decorar nome e localização de todos os estados nordestinos.
No que dependesse de ti, até Plutão faria parte do Brasil. Não sei que benefícios isso poderia trazer. A não ser pro Piauí, que deixaria de ser considerado o local mais inóspito do país.
Plutão, não digo. Mas só um insensível pode aceitar sem nostalgia o fato de a lua não fazer mais parte da Terra.
Megalomania típica de pernambucano. O pernambucano é o único povo que eu conheço que define Pangéia como “primitivo nome do Recife”.
Ah, sei. E o gaúcho, que acha que a Santíssima Trindade se compõe de Pai, Filho, Espírito Santo e Bento Gonçalves? Sem falar que lá o Brasil é conhecido como Rio Grande do Norte. E, olha, não queria chocar você, mas já que a gente tocou nesse ponto, preciso informar: ao contrário do que vocês pensam, quando eles falam numa dupla de filósofos que revolucionou o conceito de história e pariu o comunismo, não estão se referindo a Kleiton e Kledir, viu?
Isso eu já sabia. Tão falando de Caju e Castanha. E é uma pena que a idéia de usar pandeiros pra derrotar o capitalismo não tenha sido implantada, porque quando eles abrissem a boca pra cantar, a burguesia toda pediria exílio na embaixada de Liechtenstein.
Oh, mas falou a representante de um estado de rica tradição musical! Inventor do vanerão, que é como se chama a música paraguaia cantada em português por um sujeito de ascendência germânica. Também, que esperar de um lugar fundado por paranaenses, ou seja, por paulistas com um bom sistema de transporte e tendência mais acentuada à depressão?
O vanerão pode não ser das músicas mais criativas, mas pelo menos a gente não aboliu as consoantes de nossas composições.
Nem poderiam, senão seria impossível escrever nelas o nome dos compositores. Meu maxilar dói toda vez que penso em pronunciar o nome do seu avô. E isso apesar de eu só conhecer as primeiras 26 letras do alfabeto. Além do mais, quem inventou o método “aê-ô-ih-uh-uh” de composição foi o baiano. E a Bahia não faz parte do Nordeste, a não ser que se realize um grande esforço de imaginação e, depois disso, coloque alguma purpurina por cima.
Olha, não vou discutir contigo. Fica aí com esse mapa, pensando na Guiana. E vê se dessa vez consegue pelo menos a Bolívia pra gente. Ali por volta do século XVII, se não for pedir muito. Aliás, falar nisso, tu não tinha entrado na internet especificamente pra ver o preço das passagens?
Desisti. Não vale a pena ir a Londres essa época do ano. Não quando se sabe o que o Império Britânico fez conosco.
Tu tá te referindo a algo recente, como, talvez, o apoio à independência do Uruguai, né?
Não, isso eu já superei. O problema é que, por puro exibicionismo, eles nos roubaram a Guiana. A Guiana, imagine só! Pergunto a você: o que é uma Guiana?
Agora me parece claro: um bom motivo pra se pedir a separação.

Leia também:

Por uma política judiciária educativa

12 de outubro de 2008

saiu no G1:

Por ouvir rap alto demais, homem é condenado a escutar música clássica

Uma punição estranha para um homem condenado por ouvir rap alto demais em seu carro. Uma juíza da do condado de Champaign, em Ohio, determinou que o acusado, multado em US$ 150, poderia se livrar de parte substancial da multa caso aceite passar 20 horas ouvindo música clássica.

Andrew Vactor foi condenado por perturbar a tranquilidade na cidade de Urbana ao andar, em julho, com as janelas de seu carro abertas e o som do carro emitindo versos de rap no último volume.

Caso tivesse aceito a proposta da juíza, ele precisaria pagar apenas US$ 35 de multa. Vactor, no entanto, não aguentou ficar 15 minutos ouvindo Bach, Beethoven e Chopin.

Segundo ele, a música não era o problema. “Não tinha tempo para ficar cumprindo a pena. Decidi apenas pagar a multa”, afirmou. Vactor, 24 anos, afirmou que no dia proposto pelo juiz para a sessão de música clássica, ele teria que treinar basquete com sua equipe na universidade.

A juíza Susan Fornof-Lippencott disse que a idéia era obrigar Vactor a ouvir uma música que não fosse de seu interesse. Assim, ele se sentiria como boa parte dos moradores de Urbana, “obrigados” por ele a ouvir rap. “Ninguém gosta de ouvir algo forçado”, afirmou a juíza.

Blue Dog