G. F. Handel (1685-1759) - Israel in Egypt / Zadok the Priest / The King shall rejoice

9 de outubro de 2008

Sei lá, mas acho que sou capaz de jurar que a propaganda da Liga dos Campeões que passa na ESPN Internacional usa como trilha Zadok the Priest. Sim, a entrada tonitruante do coral. Fica bonito. Pena que meus times europeus — Roma e Benfica — nunca cheguem perto da conquista. Quem manda torcer para pobres?

Este é um disco sensacional que foi relançado pela Philips naquela sua coleção dois pelo preço de um. Encontrei-o dando sopa por aí, enquanto virava algumas latas de lixo na calçada a fim de facilitar o trabalho de Bluedog - que acaba de fazer esplêndida postagem. Trabalhamos em equipe. Vi este mp3 em formato 128 kbps cair de uma delas e fui dormir longe das pulgas que acompanham nosso amigo, tranqüilo, sob as estrelas, sonhando com reis e viagens imaginárias de uma nação a outra.

Handel - Israel in Egypt / Zadok the Priest / The King shall rejoice

Disc: 1
1. Overture - English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
2. Rec.:”Now there arose a new King” - Chorus: “And the children of Israel” - Collin Patrick, Nicolas Robertson, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
3. Rec.:”Then sent He Moses” - Chorus: “They loathed to drink” - Philip Salmon, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
4. No.5 Air: “Their land brought forth frogs” - Ashley Stafford, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
5. No.6 Chorus: “He spake the word”
6. No.7 Chorus: “He gave them hailstones”
7. No.8 Chorus: “He sent a thick darkness”
8. No.9 Chorus: “He smote all the first-born”
9. No.10 Chorus: “But as for his people”
10. No.11 Chorus: “Egypt was glad when they departed”
11. No.12 Chorus: “He rebuked the Red Sea”
12. No.13 Chorus: “And Israel saw that great work”

Disc 2:
1. No.14 Introitus (Chorus): “Moses and the children of Israel
2. No.15 Duet: “The Lord is my strength” - Ruth Holton, Elisabeth Priday, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
3. No.16 Chorus: “He is my God”
4. No.17 Duet: “The Lord is a man of war” - Julian Clarkson, Christopher Purves, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
5. No.18 Chorus: “The depths have covered them”
6. No.19 Chorus: “Thy right hand, o Lord”
7. No.20 Chorus: “And with the blast of thy nostrils”
8. No.21 Air: “The enemy said: I will pursue” - Philip Salmon, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
9. No.22 Air: “Thou didst blow with the wind” - Elisabeth Priday, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
10. No.23 Chorus: “Who is like unto thee”
11. No.24 Duet: “Thou in thy mercy” - Jonathan Peter Kenny, Philip Salmon, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
12. No.25 Chorus: The people shall hear and be afraid”
13. No.26 Air: “Thou shalt bring them” - Michael Chance, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
14. Chorus:”The Lord shall reign” - Rec.: “For the horse” - Chorus - Rec.: “And Miriam” - Chorus: “Sing ye to the Lord” - Donna Deam, Paul Tindall, Andrew Tusa, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
15. Zadok the Priest (Coronation Anthem No.1, HWV 258)
16. The King shall rejoice (Coronation Anthem No.3, HWV 260)

BAIXE AQUI (Os dois CDs) - DOWNLOAD HERE (2 CDs)

Solistas citados nas faixas
Monteverdi Choir
English Baroque Soloists
John Eliot Gardiner

PQP

.: interlúdio :.

8 de outubro de 2008

Tropeçava em latas de lixo quando encontrei a capa abaixo, e imediatamente me vi cheio de interrogações.

Joni Mitchell? Mingus? Que diabos. Ou, que diabos Mitchell está fazendo com Mingus? Por aí já podem notar minha desconfiança em relação à cantora. Mas eu prefiro ficar surdo a desistir antes de tentar. E lá fui, farejando, descobrir que Joni foi criticadíssima à época do disco, 1979; apontaram-na como decadente, esnobe por tentar dar verve ao pop, tentando pegar uma carona na então recente morte do underdog.

Mas quando se cava mais um pouco, se descobre que Mingus havia chamado Joni para ajudá-lo a musicar o Four Quartets de T. S. Eliot alguns meses antes, o baixista já imobilizado pela doença que o mataria em seguida. E que, fruto disso, cresceu amizade - e mesmo Joni pôde sair de um bloqueio criativo que a consumia durante longo tempo. Donde o disco-homenagem, que ela não imaginava que seria póstumo. Tanto que Mingus só não chegou a escutar uma das faixas, a primeira, composição totalmente dela - ao invés das outras, versões de Mingus, com letras por Joni escritas, e abençoadas pelo mestre.

Não apenas na aura criada pelo duo; Joni, que não era boba, cercou-se de um pequeno grupo de pilares do jazz para gravar o álbum. Em Mingus, a base é a do Weather Report - confira a nominata logo abaixo. (Ame ou odeie o fusion, todos sabemos dos pedigrees.) Aqui só adianto que é um dos mais brilhantes, e por vezes experimental, trabalhos de Jaco Pastorius. Seu baixo é o condutor dessas faixas de um jazz relaxante, espaçado, cheio de respiros - e sim, sob bela e macia voz, bem colocada, discreta. Os detratores estavam errados. Ou com ciúmes. Ainda: um atrativo a mais são os “raps” que entremeiam as canções - vinhetas com gravações de Mingus em conversas, cenas cotidianas, até um scat em duo com Joni. (O que, inclusive, faz deste um disco curto, de apenas seis músicas.)

Antes das fichas técnicas e dos arquivos, um desvio na conversa. Encontrei Joni ao mesmo tempo em que estou revendo aquele que Mingus considerou, moribundo seu melhor trabalho: Let My Children Hear Music, de 1971. Não resisti e trouxe uma postagem dupla. Na verdade, no momento em que escrevo isso penso que gostaria de assinar todas as minhas postagens com “já ouviu Hobo Ho hoje?” A orquestra vanguardista de Mingus toma de assalto e exige tempo para que se ouça outra coisa além dele, depois que se entra no seu mundo. É onde a complexidade encontra o savoir-vivre de maneira mais plena. Caos de bon-vivant (sem querer soar como um francófono pedante. mas os franceses entendem disso, não?). No politeísmo do jazz, Miles exige cultos, Trane requer transes, Mingus demanda festins. Banquetes instintivos como os de Adderley ou Coleman - mas de uma natureza mais selvagem, sexual. Mingus, talvez por maestro, fala com o ouvinte de forma mais direta. Quase soco na boca, às vezes, barulhento, cacófano. Não me admira que tenha dedicado esse disco às crianças. É, mais ou menos, como foi a sua infância.

…………

Joni Mitchell - Mingus
Joni Mitchell: guitar, vocals
Jaco Pastorius: bass
Wayne Shorter: soprano saxophone
Herbie Hancock: elec piano
Peter Erskine: drums
Don Alias: congas
Emil Richards: percussion

produzido por Joni Mitchell para a Asylum

download - 48MB
01 Happy Birthday 1975 (Rap) 0′57
02 God Must Be A Boogie Man (Mitchell) 4′35
03 Funeral (Rap) 1′07
04 A Chair in the Sky (Mingus) 6′42
05 The Wolf That Lives in Lindsey (Mingus) 6′35
06 I’s a Muggin’ (Rap) 0′07
07 Sweet Sucker Dance (Mingus) 8′04
08 Coin in the Pocket (Rap) 0′11
09 The Dry Cleaner from Des Moines (Mingus) 3′21
10 Lucky (Rap) 0′04
11 Goodbye Pork Pie Hat (Mingus) 5′37

…………

Charles Mingus - Let My Children Hear Music
Produzido por Teo Macero para a Columbia

The exact personnel is sketchy, largely due to contractual issues, several arrangers were imported to paste things together, making the true authorship of some passages questionable, and Macero (as he did with various Miles Davis projects) edited freely and sometimes noticeably. The listener will happily put aside all quibbles, however, when the music is heard.
— Esse é trecho da resenha do AllMusic. Se quiser, siga este link para ler o restante e ver uma descrição detalhada, e interminável, dos músicos envolvidos nas gravações.

download aqui - 111MB
01 The Shoes of the Fisherman’s Wife Are Some Jive Ass Slippers 9′34
02 Adagio ma Non Troppo 8′22
03 Don’t Be Afraid, the Clown’s Afraid Too 9′26
04 Taurus in the Arena of Life 4′17
05 Hobo Ho 10′07
06 The Chill of Death 7′38
07 The I of Hurricane Sue 10′09

Boa audição!
Blue Dog

A Ocasião, de Juan José Saer e Niels Lyhne, de Jens Peter Jacobsen

8 de outubro de 2008

Eu mesmo começo este texto pensando se não seria demasiadamente absurdo comparar o argentino Saer (1937-2005) e o dinamarquês Jacobsen (1847-1885).

Quem me convenceu a ler Saer foi a crítica argentina Beatriz Sarlo, que falou sobre ele com imenso entusiasmo na Flip de 2005. Como se já não bastasse, a Rascunho do mês de agosto fez nova reverência ao escritor que morreu em Paris, há 3 anos. Comprei seu romance A Ocasião (Cia. das Letras, tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman) e estou absolutamente encantado com “a transformação de cenas banais em verdadeiras apoteoses descritivas”, para usar a expressão do crítico Moacyr Godoy Moreira, da Rascunho. É um romance de frases longas, cujo tema principal é a ausência e que, em seu ritmo e pela qualidade das descrições, realiza curioso diálogo dentro de mim com o notável Niels Lyhne de Jacobsen (Cosac & Naify, tradução de José Paulo Paes), o lírico fundador da escola naturalista na literatura escandinava, morto em Thisted, na Dinamarca, há 123 anos.

Os temas de um e outro livro tocam-se levemente. Se aqui há a ausência, ali há a despedida. E é só. Seus pontos comuns estão nas descrições de precisão microscópica que fazem com que cada atitude ou objeto nos chegue de forma distinta de qualquer outro. As diferenças entre atos de mesmo gênero vêm esmiuçadas até o ponto de serem únicas. Ambos donos de impecável precisão vocabular e de arrebatador virtuosismo, Saer e Jacobsen tornam seus dois romances lentos, mas nunca pesados. Não são leituras trabalhosas ou difíceis e minha experiência com Saer demonstra que só preciso retornar algumas linhas quando o pensamento foge, pois todos os detalhes significam, completam e “empurram” a narrativa. Ricardo Piglia tem toda a razão quando declara que “dizer que Saer é o melhor escritor argentino atual é uma maneira de desmerecê-lo. Para ser mais exato, é preciso dizer que é é um dos melhores escritores atuais em qualquer língua”. Já Otto Maria Carpeaux dizia que o Niels Lyhne de Jacobsen não era um romance, seria algo que dissolvia-se em quadros maravilhosos, como uma obra episódica de altíssimo nível. O mesmo se pode dizer de A Ocasião e o crítico Moacyr Godoy Moreira escreve “que há passagens que poderiam ser contos independentes, mas que, aos poucos colam-se como retalhos, servindo de arremate ao entendimento de alguns pontos obscuros da história”. Certamente o Lyhne deixa muitos mais pontos em aberto, porém deixo que um crítico dialogue com o outro até para me certificar de que minha comparação não é tão absurda quanto me parecia no começo.

Mônica Leal ameaça a Feira do Livro

8 de outubro de 2008

A repelente Mônica Leal recebeu farta curtura desde o berço. Seu papai, Pedro Américo Leal, costumava berrar no rádio, na televisão e certamente em casa, ofensas àqueles comunistas que fugiam dos militares “escondendo-se debaixo da cama”. Convocando-os publicamente a um debate que nunca poderia sustentar com seu pequeno cérebro, em verdade convidava-os à tortura. Mas Mônica é hoje a primeira amiga da repulsiva governadora e acabou na Secretaria da Cultura… Não demorou a arrumar confusão. Numa secretaria onde parte dos recursos são “captados”, era óbvio que a cloacal secretária logo arranjaria uma sarna. E, vira-lata por parte de pai, era óbvio que se sujaria por pouco, fazendo cocô no meio da sala ou, pior, mijando em meio a nossos livros. Havia algum na casa de Pedro Américo?

A Feira do Livro tem um orçamento de 2,4 milhões e já teve sua primeira requisição de recursos via LIC negada em 28 de agosto. Eram R$ 700 mil. Havia — surpresa? — incongruências, erros de datas e os critérios de pagamentos de cachês era obscuro. Virão os R$ 850 mil aprovados pela Lei Rouanet, federal, onde a latrinária secretária não consegue pôr as mãos. Enquanto isso, a Câmara Riograndense do Livro está resolvendo o que sai da programação inicial de Feira, pois o dinheiro da LIC… o dinheiro da LIC… não servirá à Feira de 2008 e nem aos chás das amigas.

Será uma Feira sem precedentes.


Enquanto a escultura cai em desespero, as amigas tentam explicar as obras a uma visitante no MARGS (destaque para a insinuante cruzada de pernas da governadora)

Inveja mata

8 de outubro de 2008

_____Após uma leitura de peça, uma linda atriz fala da personagem que acabou de ler, classificando-a como uma garota bonita, legal, que todo mundo gosta e acrescenta, jocosamente, “Assim como eu.”. Quase todas as pessoas do local dão risada do comentário divertido (e verdadeiro), menos uma mulher carrancuda do meu lado que, no meio das risadas, pragueja baixinho:
_____– Arrogante estúpida. Ela nem é tudo isso.
_____Se inveja matasse, a mulher teria, no mínimo, entrado em coma naquele momento. Clio que me perdoe, tem gente que precisa se tratar.

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P.S.: Falando de arrogância, como complemento ao texto, leiam a ótima “Tentativa de definição de arrogância” do meu amigo Alex Castro.

.:interlúdio:. John Surman - Proverbs and songs (1997)

8 de outubro de 2008

Proverbs and songs, do compositor e saxofonista inglês John Surman, fica bem longe do comum. Basta dizer que são composições para saxofones ou clarone — sempre de Surman –, mais órgão e coral. Na primeira audição, fiquei um pouco chocado, principalmente com as intervenções trovejantes do coral; na segunda, já achei tudo mais bonitinho; na terceira, estava tão curioso e perto da felicidade musical que tive de afastar meus preconceitos, mormente os timbrísticos. Na verdade, meu choque foi sempre com o coral, pois a combinação sax + órgão resulta maravilhosa. Não é um disco que eu indique a todos, mas apenas àqueles que não fogem das esquisitices criativas. É uma espécie de jazz sacro…

Mas o sax de Surman permanece lá, poderosamente eufônico, acima de Deus.

John Surman: Proverbs And Songs

1. Prelude 3:11
2. The Sons 4:55
3. The Kings 6:41
4. Wisdom 7:39
5. Job 4:50
6. No Twilight 7:42
7. Pride 5:00
8. The Proverbs 4:06
9. Abraham Arise! 5:24

All composed by Surman
Recorded live June 1, 1996, Salisbury Cathedral

John Surman, baritone and soprano saxophones, bass clarinet;
John Taylor, organ;
Salisbury Festival Chorus, conducted by Howard Moody

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

PQP

Opção, imposição, orientação: apenas um reparo

8 de outubro de 2008
Reli uma velha crônica do Contardo Calligaris (sobre filme que não vi), e resolvi colocá-la cá embaixo. Dificilmente copio e colo qualquer texto alheio sem pelo menos fazer um comentariozinho...

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Çem palavras

8 de outubro de 2008


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Ludwig van Beethoven - cd2 - Sonatas Opp. 7, 13 & 14 nr.2 - Emil Gilels

8 de outubro de 2008


Minha troca de emails com o mano pqp tem uma característica interessante: o minimalismo. Muitas vezes ficamos semanas sem nos falar, e quando mando notícias, às vezes extensas, ele simplesmente responde com um Ok, ou então, quando informei que estava postando este Gilels ele respondeu simplesmente “já baixando”.

Quando ele me convidou para fazer parte deste blog, mal tinhamos trocado algumas mensagens no Orkut, mas entendíamos que nossa paixão pela causa era a mesma. Quase dois anos depois, temos a grata satisfação de ver os números: 60.000 mil acessos no mês de setembro. O que mais podemos fazer a não ser agradecer? E como ele falou, o retorno no investimento do blog está bem protegido destas quebradeiras do mercado financeiro internacional, não existe queda de bolsa nesta área. A quantidade de blogs existentes que tem a mesma finalidade quintuplicou, alguns peso pesadíssimos como é o caso do Avaxhome e do classicalheaven, entre milhares de outros, mas o PQP Bach resiste oferecendo antes de tudo, qualidade, e não quantidade (um amigo maluco do mano PQP acaba de postar 154 cds da coleção Bach 2000, que teve a direção do Harnoncourt e do Leonhardt no avaxhome, e no seu próprio blog, o Brainle de Champaigne, cujo link está aí ao lado). Jamais me passaria pela cabeça encarar tal desafio, pois o tempo despendido é imenso e, claro, nosso ADSL é uma piada de mau gosto, com suas velocidades ridículas. Se levo em média uma hora para upar um arquivo de 90 MB para o rapidshare, imagine 154 cds…

Mais um cd da coleção das Sonatas de Beethoven interpretadas por Gilels, entre elas a “Patétique”. Beethoven em excelentes mãos. Fiquei feliz com a recepção destes cds, já que se trata de outro bom velhinho já falecido, como comenta o mano pqp, ao defender seu Pollini. Gilels foi um gigante do teclado, não canso de repetir. Logo estarei postando sua gravação dos concertos de Brahms, incluídos na lista da Grammophone como uma das 100 melhores gravações de todos os tempos.

Ludwig van Beethoven (17670-1827) - Sonatas Opp. 7, 13 & 14 nr.2 - Emil Gilels

01 - Sonate No.4 Es-dur op.7 - 1. Allegro molto e con brio
02 - Sonate No.4 Es-dur op.7 - 2. Largo, con gran espressione
03 - Sonate No.4 Es-dur op.7 - 3. Allegro - Minore - Allegro
04 - Sonate No.4 Es-dur op.7 - 4. Rondo. Poco Allegretto e grazioso
05 - Sonate No.8 c-moll op.13 ‘Pathétique’ - 1. Grave - Allegro di molto e con brio
06 - Sonate No.8 c-moll op.13 ‘Pathétique’ - 2. Adagio cantabile
07 - Sonate No.8 c-moll op.13 ‘Pathétique’ - 3. Rondo. Allegro
08 - Sonate No.10 G-dur op.14 No.2 - 1. Allegro
09 - Sonate No.10 G-dur op.14 No.2 - 2. Andante
10 - Sonate No.10 G-dur op.14 No.2 - 3. Scherzo. Allegro assai

Emil Gilels - Piano

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

TESTE DE POPULARIDADE

8 de outubro de 2008

Depois de ler esta pesquisa da Revista Bula que me coloca entre os dez blogueiros mais populares do Brasil, assinale a alternativa correta:

a) A taxa de natalidade da família Leal tem crescido vertiginosamente e seus membros vêm se esforçado como poucos para aumentar o grau de instrução, ocupando vagas nas mais variadas faculdades do país.

b) As universidades brasileiras devem ser fechadas urgentemente e substituídas por instituições que auxiliem na busca por conhecimento e estimulem o pensamento crítico, como o Domingo Legal.

c) A Revista Bula deve repensar sua política de contratação de pesquisadores alcoolizados.

d) Marconi Leal tem um único fã, que possui uma grande virtude: a onipresença.

e) Marconi Leal entrou na lista pelo sistema de cotas.

Leia também:

qu4tro 4 qu4dro

8 de outubro de 2008

PARABÉNS A VOCÊS, LEAIS OBSERVADORES, LEITORES E PITAQUEIROS!

Disparate acadêmico

8 de outubro de 2008

Ele era um sujeito correto. Nos jantares com amigos, em hipótese alguma pegava o dinheiro dos outros, pagando toda a conta com seu cartão de crédito em data mais vantajosa. Uma vez, para agilizar o pagamento num restaurante lotado, ele pegou um cheque de Bruno e fez o pagamento com cartão, porém, ao ser questionado dias depois sobre o motivo de não ter feito o depósito, respondeu:

– Só vou depositar teu cheque no data de vencimento do meu cartão, claro.

Quando o jantar era em sua casa e algum convidado trazia-lhe uma garrafa de vinho, ele ou a abria logo ou esperava pela próxima oportunidade em que o comensal voltasse. Fazia questão de dividir a garrafa com quem havia lhe dado. Enfim, um gentleman.

Era médico, clínico geral, casado com uma médica da mesma inespecialidade. Trabalhavam muito. Bruno conhecia-os através de sua mulher, também médica, só que urologista. O detalhe é que esta detestava trabalhar. Plantões e chamadas noturnas não eram fatos aceitáveis em sua vida. Então, procurou a tranqüila vida acadêmica desde o início da carreira. Aos pacientes, preferia alunos e pesquisa. Mais fácil.

Então houve um concurso para a Universidade. Bruno, leigo naqueles assuntos, ficou de fora enquanto os três estudavam e se divertiam. As tardes de estudo acabavam em mais jantares, pois a mulher do médico era uma espécie de Babette e, como sói acontecer, as Babettes são generosas. Bruno costumava chegar neste momento e, quando voltava para casa com sua mulher, ela elogiava fartamente o conhecimento, a capacidade e a experiência do casal. Estava aprendendo muito com eles.

Fizeram o concurso e, por uma anedota do destino, os três classificaram-se em posições intermediárias e consecutivas: primeiro a mulher do médico e depois a mulher de Bruno, seguida do médico. Talvez não fossem chamados. O concurso tinha validade de dois anos e eles dependiam de demasiados óbitos e aposentadorias.

Os dois anos estavam passando, alguns médicos-acadêmicos foram publicados no necrológio e outros penduraram os jalecos, mas a fila andava muito lentamente para as necessidades do trio. A angústia era grande, principalmente para a mulher de Bruno, que considerava o concurso fundamental para sua carreira. No final do prazo, houve uma súbita aceleração e a mulher do médico foi chamada perto do prazo fatal. Ela comemorou moderadamente ou, para ser mais exato, privadamente. Enquanto isso, a mulher de Bruno via com desespero os dias esvairem-se sem nada acontecer, ao menos sob sua perspectiva. Mais dez dias e o concurso se tornaria inválido. Ela começou a suplicar para todos os outros professores. Era uma injustiça, logo ela, tinha que entrar, o momento era aquele, queria dedicar-se inteiramente à vida acadêmica. Tinha que.

Convenceu o chefe do departamento que seria importante obter mais um professor para a urologia e ele foi ao Ministério de Educação em Brasília reivindicar a vaga. Contou tal fato para o amigo médico, que lhe pediu uma “força”, uma ajuda. Ela ponderou e decidiu que não era adequado pôr em risco uma vaga que ainda nem existia.

A vaga foi obtida no último dia. E ela telefonou para a mulher do médico:

– O Afonso conseguiu a vaga para mim!
– É mesmo?
– Sim, legal né? Meu Deus, que alívio!
– E o Carlos?
– Olha, eu pedi muito mas não deu.

E seguiram explicações mais circunstanciadas até que a mulher de Bruno comentou — sabe-se lá de onde tirou aquela idéia — isto:

– Sabe que Richard Strauss, o compositor, afirmava que conhecia muito mais teoria, orquestração e prática musical do que Sibelius, mas tinha consciência de que Sibelius era um compositor muito superior? Considerava que era uma questão de talento.

Aquele comentário gratuito fez a mulher do médico silenciar e a conversa morreu estranha.

No dia seguinte, a mulher de Bruno cruzou com o amigo no corredor do hospital. Ele não esperou nenhum cumprimento.

– Aproveitadora! Te ensinei tudo o que sabia sem restrições, passei anos trabalhando para que depois tu aceitasse tua vaga com a maior naturalidade, sem impor condições. Isso foi uma traição para quem te ajudou! Não tentaste fazer nada por mim, sua parasita repugnante arrivista!

A mulher de Bruno chorou dias e dias. Bruno a consolava e refletia sobre o comentário infeliz da mulher e sobre o auxílio solicitado. Ela lhe garantiu: fizera o pedido.

– Tu acredita em mim, né?

Poupou-a de sua opinião. Com o tempo, ela passou a dizer que o ex-amigo era um grosseiro mal-educado e desenvolveu a convicção interna de ter sido injustiçada por ele. Mas cruzava bastante com a mulher do médico no hospital. Fazia teorias. Dizia que eles tinham vergonha dela. Evitavam-na por conta da injúria cometida contra ela. Sentia-se coberta de razão.

Obviamente, os casais nunca superaram o episódio.