…Do Eleitor Paulistano…

7 de outubro de 2008

… entreouvido da mesa ao lado, na praça de alimentação do chópi centi:

- Em quem você vai votar?

- Bom, eu nao voto na Marta não. Ela é a favor do casamento guêi!

-E então…

-Por isso que eu voto no Kassabi!

Coerência é isso aí!

Uma visita a Edgar Allan Poe (1809-1849)

7 de outubro de 2008

 Numa conferência da Universidade de Belgrano, o extraordinário contista (e ensaísta) argentino Jorge Luis Borges afirmou que Edgar Allan Poe, antes de ecolher o corvo como ave maldita de seu não menos extraordinário poema, havia pensado num papagaio, já que necessitava de um pássaro falante. Mas um papagaio não pode dizer “never more”. Entenda-se: é uma ave incompatível com a magnitude da poesia. O velho Edgar optou pelo corvo porque lia, no instante em que escolheu o estribilho de seu poema mais famoso, o poema Barnaby Rouge, de Charles Dickens, no qual aparece a figura de um corvo. E foi pensando no amor - esse sentimento nobre e maldito - que chegou à figura do poeta-amante e de seua saudosa amada-inacessível Lenore (a perfeita rima para never more).

Allan Poe é uma avis rara como seu próprio personagem alado. É o romântico por excelência, amplo, que infelizmente foi reduzido - reduzido? - à alcunha de “pai do romance policial”. Baudelaire louvou-o, assim como o fizeram Machado e Pessoa, seus tradutores. Releio passagens de O Corvo em voz alta, na versão para o português, mas sei que nas letras originais (aquele distinto inglês da costa leste) a métrica e o ritmo são outros, a entonação é um tanto estranha a maus ouvidos, como os meus.

Acompanho Edgar desde 1986, quando adquiri sua obra (quase) completa pela Nova Aguilar, capa dura azul, 1023 páginas. Seus poemas, ensaios e sua ficção, com texto introdutório do simbolista Baudelaire, O Homem e A Obra, que assim se inicia “É um prazer bem grande e bem útil comparar os traços fisionômicos dum grande homem com suas obras.” Poe era um homem triste, amargurado, bem ao estilo dos ultra-românticos, cuja literatura revelava-se melancólica, apesar de expor certo humor em algumas passagens. Seu histórico foi miserável e trágico, feito de idas e vindas, de medos que povoavam seu dia-a-dia e de sonhos que, sabia ele, não se tornariam fato, e que, desse modo, qual a saída senão vertê-los para a literatura, para a escrita?

Edgar Allan morreu há exatos 159 anos, num dia 7 de outubro, após dias de delírio e desespero. Ao que consta, após repousar, moveu a cabeça e disse “Senhor, ajudai minha pobre alma!” Eis a essência do que é a poesia ultra-romântica. Talvez tenha sido ele, mais do que Byron ou Musset, seu maior personagem.

Aqui você pode ler no original e ter acesso à tradução de Fernando Pessoa.

Enfim, uma Boa Causa

7 de outubro de 2008

Normalmente não faço dessas coisas. Mas, dessa vez, é por uma boa causa.

http://www.ajudeumvirgem.com/

Visitem. Espalhem o link.

Go(oga)d(,) S(l)ave (of) the Queen(y)…

7 de outubro de 2008

…e seu pequeno príncipe.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) -CD1 - Sonatas Op. 2-2 & 3, WoO 47-1 & 2 - Emil Gilels

7 de outubro de 2008

Sim, eu sei que tinha prometido a mim mesmo dar um tempo nestas integrais, mas como ando pouco inspirado ultimamente, resolvi encarar a empreitada de postar mais uma integral, desta vez com as Sonatas de Beethoven pelas mãos maravilhosas de Emil Gilels. Meu projeto era colocar o Schubert de Brendel, o Schumann de Kempff, ou até mesmo o Beethoven de Brendel, mas sei que a loucura de final de ano nas aulas vai me deixar absolutamente sem tempo, por isso estou postando o que está mais próximo, esta integral de Gilels está disponível no meu HD, enquanto que as outras opções teriam de ser procuradas na bagunça de meus cds e dvds.Além do mais, não se trata de uma integral, pois faltam algumas sonatas, mas o importante aqui não é a quantidade, e sim a qualidade.

Gilels com certeza é um dos gigantes do piano do Século XX. Suas interpretações de Beethoven e Tchaikovsky estão entre as mais importantes, e isso numa época em que a concorrência era grande e pesada (basta lembrarmos de Rubinstein, Sviatoslav Richter, Wilhelm Kempff, para citar alguns).Foi um dos primeiros artistas soviéticos, junto com outro gigante, David Oystrakh, a excursionar pela Europa, em um período em que isso era pouco comum de acontecer, lembrando que falamos do período stalinista. Comecemos com as sonatas da juventude de Beethoven.

01 - Sonate No.2 A-dur op.2 No.2 - 1. Allegro vivace
02 - Sonate No.2 A-dur op.2 No.2 - 2. Largo appassionato
03 - Sonate No.2 A-dur op.2 No.2 - 3. Scherzo. Allegretto
04 - Sonate No.2 A-dur op.2 No.2 - 4. Rondo. Grazioso
05 - Sonate No.3 C-dur op.2 No.3 - 1. Allegro con brio
06 - Sonate No.3 C-dur op.2 No.3 - 2. Adagio
07 - Sonate No.3 C-dur op.2 No.3 - 3. Scherzo. Allegro
08 - Sonate No.3 C-dur op.2 No.3 - 4. Allegro assai
09 - Sonate Es-dur WoO 47 No.1 - 1. Allegro cantabile
10 - Sonate Es-dur WoO 47 No.1 - 2. Andante
11 - Sonate Es-dur WoO 47 No.1 - 3. Rondo vivace
12 - Sonate f-moll WoO 47 No.2 - 1. Larghetto maestoso - Allegro assai
13 - Sonate f-moll WoO 47 No.2 - 2. Andante
14 - Sonate f-moll WoO 47 No.2 - 3. Presto

Emil Gilels - Piano

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

J. S. Bach (1685-1750) - Concerto Italiano, 4 Duetos e Abertura em estilo francês

7 de outubro de 2008

ATENÇÃO!!! A nome das faixas que consta na capa deste CD — que está na minha frente — está errado! Para completar, todos os sites copiaram a capa e estão da mesma forma errados. E, pior ainda, a Gracenote mandou para meu iTunes o nome das faixas também conforme a capa. A ordem correta é a que publico abaixo no post, OK?

Mireille Lagacé é uma extraordinária cravista, organista e regente canadense, nascida em 1935. O registro que ora posto é de 1980 e mostra a cravista em excelente forma, interpretando o famoso Concerto Italiano para cravo solo, a injustamente pouco divulgada Abertura Francesa e os 4 Duetos, obra que insiste em finalizar muitos CDs, mas que neste está separando as outras duas obras, muito mais belas e importantes. O Concerto Italiano é talvez a música mais presente em meu cérebro desde que este o ouviu pela primeira vez e a Abertura Francesa já foi repetidamemente solicitada através de súplicas em comentários aqui no PQP Bach.

Pela raridade de se ouvir a lindíssima Abertura Francesa e pela qualidade da intérprete (esposa de Bernard Lagacé), este é mais um CD imperdível!

Concerto in the Italian style, ‘Italian Concerto’ in F, BWV 971
1. (Allegro)
2. Andante
3. Presto

4 Duets, BWV 802-5
4. Mi menor
5. Fá maior
6. Sol maior
7. Lá menor

Overture (Partita) in the French style in B minor, BWV 831
8. Overture
9. Courante
10. Gavottes I & II
11. Passpieds I & II
12. Sarabande
13. Bourées I & II
14. Gigue
15. Echo

Mireille Lagacé, cravo

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

PQP

URGENTE

7 de outubro de 2008

Ontem, uma jovem estudante entrou aqui e deixou um comentário desesperado, pedindo ajuda. Como o que ela deseja está acima de minhas possibilidades, conto com o auxílio de vocês.

Não costumo fazer este tipo de post, mas se trata de uma causa nobre. Por favor, entrem , leiam o comentário e, se puderem, ajudem a garota.

Já fiz a minha parte, respondendo a sua mensagem da melhor maneira possível, com o parco conhecimento que tenho do assunto. Qualquer informação que possam dar, já será útil.

Não custa ajudar o próximo, insisto. E Agradeço de antemão. Obrigado.

Leia também:

Resultado da eleição

6 de outubro de 2008

_____O resultado da eleição é sentido nas ruas:

_____Festa da democracia. Ressaca cívica. Chamem como quiserem. Eu gosto de chamar de desrespeito.

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P.S.: O Luddista publicou umas fotos do dia da votação mostrando um pouco mais da “festa da democracia” e ainda relembrou como foi a eleição de 2006. Comparem.
P.P.S.: E, para quem prefere ficção, uma amiga querida escreveu um conto sobre o ato apertar as teclas da urna eletrônica que ficou uma graça.

Na antesala

6 de outubro de 2008

Marcos a viu e disse:

- Meu Deus, que horror. Tua ex-mulher está vivendo uma nova juventude tribufu.
- É, não sei o que houve – respondeu Quim.
- Será que ela passou o fim de semana enfaixada?
- Sei lá, acho que ela grudou esparadrapos nas sobrancelhas e arrancou. Mas o que me impressiona…
- O que é?
- Aquela franja mais clara, que deixa o cabelo degradê.
- Horrível.
- Parece um bibelô esquecido numa penteadeira de bruxa.
- Hahahaha… Não, acho que é Koleston em excesso.

Quim observou o amigo com falsa admiração.

- Não esquece que já namorei uma cabelereira – defendeu-se Marcos.
- Tu entende dessa porra?
- Minha mãe dizia que Koleston dava ferida no couro cabeludo.
- Hahahaha…, parece que foi o caso.
- Já pensou a meladeira que ela fez na toalha e no pescoço?
- Não, ela vai no institute.
- Aquilo é Koleston mechas… Hahahaha… O cabelo dela está cor de manga.
- Não diga. É mesmo! Não quero olhar muito. Acho que ela usou Koleston manchas.
- E ela lutou com aquela sobrancelha. Está uma mais grossa do que a que não existe. Por isso, ela jogou aquela franja em cima, mas como a pele dela é oleosa, cheia de furinhos e brilha, não adianta porra nenhuma.
- Hahahaha… É a superfície lunar encerada.
- A sobrancelha que falta deve ter aqueles toquinhos que vão nascendo. Isso por baixo do lápis que passou desesperadamente.
- Hahahaha… Como é que tu conhece tudo isso?
- Ela parece um pica-pau.
- Pica e pau são sinônimos.
- E tu comeste aquilo.
- E tu uma cabelereira.
- Tri-gostosa.
- É, tu ganha. Nem posso invocar a inteligência de minha ex. E a advogada dela? A altona.
- É uma fera. Quando se separou, fez dividirem até os copos e os faqueiros. Olha o jeito que ela olha para o barbudo!
- Saudades da vida sexual?
- Sim, de uma vida sexual que nunca teve. Nada meiga, a coitada.
- Quando fala, parece a Mônica Leal.
- E a tua, chovia granizo quando nasceu.
- Hahahaha… Que duplinha dureza.
- Tenho certeza que tua mulher usa cremes manipulados fora do prazo de validade.
- Para combinar com o Koleston manchas? Hahahaha… Fale-me da roupa dela… da roupa.
- Ela não sabe a idade que tem, pensa ter vinte anos. Mas há um detalhe… Ela tem dois joelhos em cada perna.
- Como?
- Perna magra, joelhão, perna magra, panturrilha de fisioculturista, totalmente anormal mas que ela deve amar…
- E gosta mesmo!
- Viste? Meias pretas, saia curta demais. Mostra as pernas demais… Que são finas.
- E daí?
- Olhe o diâmetro da barriga pouco mais acima.
- Parece Mr. Pickwick de saias. Quatro joelhos.
- Olha, estão te chamando.

Torre de Babel, uma entre tantas

6 de outubro de 2008
Não tenho por hábito escrever sobre política partidária, do mesmo jeito que de futebol pouco falo. (Sobre religião até que já me arrisquei, não sobre instituições religiosas e sim sobre...

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.:interlúdio:. Stefano Bollani - Carioca

6 de outubro de 2008

Stefano Bollani é um brilhante pianista italiano de jazz. Nascido em Milão no ano de 1972, é como muitos italianos, apaixonado pelo Brasil e costuma tocar nossa música em suas apresentações ao lado de composições suas. Conhecido por sua vasta cultura tanto sobre a música erudita moderna quanto jazzística, Bollani — conhecido por ser um workaholic — chega a assustar com a intimidade que demonstra com nossa música, chegando ao ponto de cantar “Trem das onze”, no único equívoco do disco pois ele está longe de ser um cantor. O CD foi gravado no Rio de Janeiro com músicos brasileiros e é muito bom.

É, indiscutivelmente, em disco de jazz, mas ouçam a naturalidade com que Bollani enfrenta um chorinho! Uma curiosidade digna de ser ouvida.

Stefano Bollani - Carioca - 2008

1 Luz negra (Nelson Cavaquinho)
2 Ao romper da aurora (Ismael Silva - Lamartine Babo - Francisco Alves)
3 Choro sim (Ismael Silva)
4 Valsa brasileira (Edu Lobo - Chico Buarque)
5 A voz no morro (Zé Keti)
6 Hora da razão (J. Luna - Batatinha)
7 Segura ele (Pixinguinha)
8 Doce de coco (Jacob do Bandolim)
9 Folhas secas (Nelson Cavaquinho - Guilherme de Brito)
10 Il domatore di pulci (Stefano Bollani)
11 Samba e amor (Chico Buarque)
12 Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu)
13 Caprichos do destino (Pedro Caetano - Claudionor da Cruz)
14 Na Baixa do sapateiro (Ary Barroso)
15 Apanhei-te cavaquinho (Ernesto Nazareth)
16 Trem das onze / Figlio unico (João Rubinato / Riccardo del Turco)

Stefano Bollani piano, arrangements, vocal
Marco Pereira guitar
Jorge Helder bass
Jurim Moreira drums
Armando Marcal percussions
Zé Nogueira soprano sax
Nico Gori clarinet and bass clarinet
Mirko Guerrini tenor sax
Zé Renato vocal
Monica Salmaso vocal

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

PQP

meiamuzzameiacalabra

6 de outubro de 2008

…À MODA FRANCESA

…E DUAS BAITAS AZEITONAS ! 

LAETITIA CASTA

(sobrinha do Mirtão)