Meus amigos, Clara Schumann ainda permanece viva. Sim,com mais de duzentos anos, extenuada, mais ainda permanece neste ensemble. E regressa para se emiscuir em terrenos dos seus camarada, mormente com CDF Bach…É verdade!

Tenho sempre algum melindre em publicar compositores ditos modernos, do séc.XX. Não porque me desagradem - longe disso! -,mas porque desagradam ao ouvido de púlbico em geral,o que me faz ser extremamente criteriosa nas músicas eleitas.

Ao longo da história, a Polónia tornou-se célebre por duas razões paradoxais: por ter sido, constante e abusivamente, partilhada (ok, eu queria dizer ‘ocupada’,mas sou politicamente correcta!) pela Alemanha e pela Rússia, do tipo

 - Josef, faço um pacto de não-agressão contigo, topas?

 - Da, Adolf, mas metade da Polónia é minha, estou com ganas de jogar tiro ao alvo…polaco!

Claro que esta pacífica ocupação não de sintetiza aqui: Franceses,Espanhóis e até uma princesa portuguesa, dirigiram os destinos deste sacrificado país.

Uma segunda razão: o facto ser o país com mais místicos por km2, o que significa que é um país impregnado de religiosidade, cujo imaginário e efeitos se verificam na ilustre geneologia de compositores como Lutoslawski, Górecki e Pendérecki. Pedra de toque contra a ocupação soviética - e que culminou na eleição do célebre Papa que veio do frio (João Paulo II) -, o sentimento católico foi também uma pedra angular na produção músical destes compositores - acrescentando também o sonante nome do meu Rasputine musical,  Arvo Pärt -, criando o conceito de minimalismo místico, muito embora ache que a sua música (górecki) ultrapassa muito os cânones dessa corrente musical. Isto porque não há, na sua música,a noção de ‘estrutura repetida’, mas  de variação melódica,o que é um pouco diferente.

A presente sinfonia foi escrita no ano de 1976 e foi apresentada no ano em que Karol Woytila, o futuro Papa João Paulo II, ascendeu à mais alta magistratura religiosa católica (e um pouco de umbilicalismo, já agora: também no ano do meu nascimento!), em Varsóvia.
Só após um interregno e desconhecimento de 15 anos, a Sinfonia foi tirada do anonimato musical pela batuta inteligente de David Zinman, pela divina voz de Upshaw e pelo rigor da London Sinfonietta, estando 38 semanas no top de vendas de música clássica e arrecadando 1 milhão de cópias de venda.

A sinfonia é constituída por 3 movimentos:

- o primeiro movimento ( Lento—Cantabile semplice) baseia-se numa canção popular da Silesia (região do Sul da Polónia), narrando a demanda, a busca de uma mãe pelo corpo do seu filho,vítima das sublevações na Silésia, no período entre guerras, aquando da constestação dos polacos ao jugo dos Alemães;

 - - o segundo movimento é baseado numa inscrição de uma oração na parede de uma cela na prisão da Gestapo em Zakopane, datada de 1944. Nela pode ler-se,O Mamo nie płacz nie—Niebios Przeczysta Królowo Ty zawsze wspieraj mnie (Mãe,não chores - Salve Rainha,protege-me sempre!);

 - o terceiro, Lento—Sostenuto tranquillo ma cantabile, é contituído por um texto proveniente de um lamento de Maria (do séc.XV), das Lysagora żałosnych, do mosteiro de Santa Cruz, nas montanhas Świętokrzyskie;
Não serei profeta se caracterizar esta sinfonia como três momentos de melancolia dilacerada,rasgando os nossos orgãos internos. Sei que  é redutor  afirmar apenas isto… Talvez ,sob o signo confessional, possa dizer, como no verso final de um célebre poema, j’ai pris ma tête dans ma main et j’ai pleuré

Henryk Górecki (1933 - ) - Symphony nº3 of Sorrowful Songs, London Sinfonietta, David Zinman, conductor, Dwan Upshaw, soprano,

1 - 1 - Lento—Cantabile semplice

2 - Lento e largo—Tranquillissimo

3 - Lento—Sostenuto tranquillo ma cantabile

BAIXAR AQUI (DOWNLOAD)