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Esse Casal Feliz ( Esa Pareja Feliz, 1951 )

Publicado em 04/07/2008, às 04:19, por Georgina Spiggott


ESA PAREJA FELIZ - BARDEM - BERLANGA - POSTERFilmado em 1951, mas só distribuido em 1953, Esa Pareja é o primeiro filme dirigido por Juan Antonio Bardem em parceria ao seu amigo de longa data Luis García Berlanga. Berlanga era a face satírica da crônica social do cinema espanhol, mesmo seus filmes ao lado de Bardem sempre penderam para o lado cômico, um tipo de cinema que faz lembrar alguns filmes específicos de Preston Sturges ou Frank Capra, pautados por uma estética neo-realista e o picaresco hispânico.
Esa Pareja Feliz nos remete à própria dupla de cineastas, um tipo de união de duas pessoas bem diferentes que se complementam em uníssimo, Berlanga era o lado doce e irônico do duo, enquanto Bardem era o dramático e implacável. Conta a história de um jovem casal, ele um técnico de cinema razoavelmente realista que acredita que só se ganha dinheiro trabalhando, ela uma dona de casa afeita a jogos de azar e promoções com fé que de um dia para o outro mudarão de vida. Uma cena clássica por excelência mostra com perfeição os rumos de suas personalidades divergentes, onde ambos estão numa sala de cinema e enquanto ela fica deslumbrada com o aspecto fantasioso do filme, ele vai descontruindo toda a ilusão com detalhes técnicos.
Mas é no final que a visão de Berlanga se sobrepõe à de Bardem, quando as almas de René Clair e Jean Renoir aparecem fazendo com que os protagonistas dispam-se de todos os bens materiais com que levaram o filme todo sonhando.

O Gaúcho ( The Gaucho, 1927 )

Publicado em 03/07/2008, às 00:36, por Georgina Spiggott


THE GAUCHO - 1927 - POSTER

Depois da morte de Rudy (Rodolfo Valentino para os não-íntimos) quem mais poderia interpretar um gaúcho macho-cho-cho? Douglas Fairbanks pai, é claro. Fairbanks era um daqueles tipos hiperativos, algo como se fosse o Jackie Chan dos anos 20, podendo ser clamado como primeiro grande herói de ação do cinema. Em O Gaúcho não era diferente, já com seus 45 anos ainda saltitava como um garotinho.
O filme começa como um épico religioso que muito se assemelha com a história de Santa Bernardete de Lourdes (é, adoro histórias sobre santos, meu favorito é São Francisco de Assis, claro), mas basta Fairbanks dar o ar de sua graça para voltarmos à boa e velha fórmula de comédia e aventura permeada por seu carisma indiscutível. Fairbanks é o fora da lei Gaucho que atravessa a América do Sul com seu enorme bando de comparsas saqueando vilarejos pelo caminho, até encontrar uma pequena vila religiosa nas mãos de um daqueles ditadores velhos conhecidos nossos que enfestaram o continente durante o século XX e que se parecem muito a vilões saídos das histórias do Zorro. É aí que nosso anti-herói conhecerá a rendenção e passará a ver um mundo com muito mais empatia e menos afetação.
Segue os moldes do Ben Hur de Fred Niblo, com sua boa dose de religiosidade para esconder uma magnífica aventura bem dosada em cenas de ação, comédia, drama e romance. O romance fica por conta da super-espevitada diva mexicana Lupe Velez no seu primeiro papel importante em Hollywood, ao contrário do que acontecia na época, Velez personifica um tipo de heroína feminista que sai no braço com qualquer homem sem perder a feminilidade, clama por justiça quanto a maridos que espancam as mulheres e lidera uma gangue de bandidos para socorrer o homem amado, uma personagem que poderia constar em qualquer estudo sobre a emancipação femenina do século XX. Enquanto isso, a religião é dividida entre os papéis de Eve Southern, Nigel De Brulier e a participação não-creditada da então esposa de Fairbanks e namoradinha da America, Mary Pickford, como a Virgem Maria. É sim uma daquelas aventuras imperdíveis que só a primeira metade do século poderia produzir e que fazia a felicidade do povo.

Nota: As postagens dos próximos dias/semanas serão programadas, por isso não se preocupem se comentários não forem moderados.

O Tenente Sedutor ( The Smiling Lieutenant, 1931 )

Publicado em 02/07/2008, às 00:36, por Georgina Spiggott


The Smiling Lieutenant - 1931 - Miriam Hopkins e Maurice Chevalier

Miriam Hopkins e Maurice Chevalier num momento “Let’s play something else

Ernst Lubitsch é um dos meus diretores favoritos e provavelmente o colocaria entre os dez melhores cineastas da história,O Tenente Sedutor é a transição para que se possa afirmar tal coisa, pois no ano seguinte Lubitsch realizaria a sua obra prima, denominada Ladrão de Alcova aqui nos trópicos.
Terceiro filme realizado com Maurice Chevalier (banhado de brilhantina, pó de arroz e rímel), terceiro filme sonoro e terceiro musical, Lubitsch deixa claro o qual deslumbrado ficara com o cinema falado, mas é justamente em Tenente Sedutor que ele passa a se sofisticar com o assunto que melhor tratava em seus filmes: o sexo. Não que seus filmes anteriores fossem assexuados, muito pelo contrário, desde os primórdios de seu cinema na Alemanha dos anos 10 o homem sempre nutrira a predileção pelo assunto, mas é em O Tenente Sedutor que marca em definitivo o estilo que ficaria conhecido como “The Lubitsch Touch”.
Smiling Lieutenant, como tudo que é bom, se trata de um triângulo amoroso entre a violinista Claudette Colbert, o tenente Maurice Chevalier e a princesa Miriam Hopkins que vai aprender com a ajuda da amante do marido que não é sendo boazinha que se conquista um homem. Aqui já se vislumbra a extrema liberdade sexual que iria progressivamente se instaurar nas personagens de Lubitsch e que era um escândalo na época, pois mostrava abertamente pessoas sexualmente ativas tratando com maturidade sua sexualidade, como as aulas de sexo que Claudette Colbert dá à Miriam Hopkins, com direito a cena de beijo na boca entre as duas. Não é à toa que o matusalênico Will Hays deu piti, ele estava nos EUA e não na França, oras.
Ao escalar Miriam Hopkins em apenas seu segundo filme (cujo debute foi ao lado da deusa-mor Carole Lombard),The Smiling Lieutenant - 1931 - poster Lubitsch ganhou a parceria de quem viria a ser sua maior musa e estrela de seus dois melhores filmes: Trouble in Paradise (1932) e Design for Living (1933). Miriam Hopkins fora a rainha do pre-code (ao lado de Jean Harlow e Barbara Stanwyck) nesse curto espaço de tempo entre o início do cinema falado e 1935, quando o código Hays entrou definitivamente em vigor. Tanto a carreira de Hopkins quanto a de Lubitsch jamais tiveram o mesmo brilho com as limitações da censura, a exceção de Bluebeard’s Eighth Wife (1938) o qual Truffaut achava melhor se Hopkins estivesse no lugar de Claudette Colbert para o papel principal, mas que no meu parecer é a única obra prima realmente irretocável do Ernst pos-code. Não que eu deixe de considerar To Be or Not to Be (1942) um dos melhores filmes dos anos 40, mas comparar The Shop Around the Corner (1940) ou Ninotchka (1939) com suas obras primas pre-code são um completo disparate, é aquela tecla que sempre aperto, tudo que o Código Hays destruiu no cinema de Lubitsch, ajudou a construir no cinema de Preston Sturges, mas isso é um assunto para outro dia.

Nota: Em O Tenente Sedutor há uma das maiores e mais verdadeiras afirmações verbais já colocadas numa tela: Jazz up your lingerie! Verdade maior não há.

Popeye Soundtrack ( 1980 )

Publicado em 01/07/2008, às 05:44, por Georgina Spiggott


POPEYE - 1980 - POSTER

Various Artists - Popeye Soundtrack LP

Harry Nilsson - Popeye demos

Não, não faço coro com as pessoas que odeiam este filme, muito pelo contrário, Popeye foi parte essencial da infância e talvez por isso nunca tenha achado tão ruim como as pessoas pintavam. Tolices, tolices, o filme do Altman me lembra dos Popeyes musicados do Max e Dave Fleischer nos anos 30 como o magnífico The Man on the Flying Trapeze, que talvez seja a melhor animação de Popeye que já tenha visto.

Mais das coisas sensacionais a serem encontradas no Egg City Radio.

Morte de um Ciclista ( Muerte de un Ciclista, 1955 )

Publicado em 29/06/2008, às 10:19, por Georgina Spiggott


MUERTE DE UN CICLISTA - POSTER - JUAN ANTONIO BARDEMMais uma vez Juan Antonio Bardem vai beber na fonte do cinema italiano da época, pudera, em tempos em que o cinema italiano era o melhor do mundo o difícil era sair ileso de suas qualificações, no caso do Ciclista a influência recai no ascendente Michelangelo Antonioni e não por acaso foi-lhe roubada uma de suas primeiras musas: Lucia Bosè. Mas não é só em Antonioni que Bardem bebe como bem mostra alguns momentos fotográficos à la Bergman, especialmente o clímax onde nos faz crer que Sven Nykvist passou uns tempos na Espanha em meados dos anos 50.
Bardem lida sobretudo com a culpa em seu cinema, seus personagens são tragados pela própria moralidade formando pequenos carrosséis de desespero em suas individualidades, mas mostrando uma força inexistente como seres sociais, onde o que é aparente esconde dolorosos entraves de arrependimento. Com este seu filme mais famoso não é diferente.
Morte de um Ciclista é o mais famoso especialmente porque saiu na seleção da Criterion americana este ano, mas não é o melhor filme de Bardem, embora talvez seja o melhor fotografado como é visível logo no plano inicial, em que vemos um longa estrada e um ciclista literalmente à beira da morte.
Com o início emblemático, aos poucos a situação vai se desenrolando e explicando o porquê do casal interpretado por Lucia Bosè e Alberto Closas não ter prestado socorro ao atropelado, aparentemente era preferível ter uma morte em suas consciências a perder suas bem vistas posições perante a sociedade bourgeois madrilenha. Mas é neste ponto que o até então casal em uníssimo sofre uma bifurcação em virtude de suas essências individuais, de seu caráter. Ela, casada com um poderoso industrial teme a perda de seu dinheiro e status social se afunda em seu próprio egoísmo. Ele, o amante que nunca teve grandes ambições teme a culpa que o atormenta e a perda de sua alma transitando entre a velha sociedade afetada e a nova geração altruísta representada por seus alunos. Em uma cena chave, Alberto Closas passeia dentro da igreja, diz que era tarde demais e simplesmente pára de fugir de sua própria culpa, deixando a hipocrisia e indo em busca de uma redenção que lhe resulta um tanto diferente do esperado, uma redenção que lhe custará caro por pensar diferente, uma redenção que causará a poda total de sua liberdade.

Nota 1: Por uma dessas coisas estranhas que acontecem na vida, há o filme completo no Google videos, a grande vantagem de se ver filmes em castelhano dos anos 50 é que eles falam feito gente e não a correria verbal incompreensível de hoje em dia.

Nota 2: Lucia Bosè é certamente uma das mais belas atrizes do cinema europeu, nascida na Itália foi musa de Antonioni, Buñuel, Fellini, Cocteau, dos Irmãos Taviani e do mítico Jean-Paul Le Chanois, entre outros.

Nota 3: Lucia é mãe do não menos belo Miguel Bosè (sendo filho de uma miss Itália com um torero espanhol queria que saísse o quê?), que por acaso trabalhou com o sobrinho de Juan (o Javier, é claro) no filme De Salto Alto do Almodóvar.

Nota 4: E que fique a dica deste excelente estudo da aplicabilidade da técnica de Pudovkin no cinema de Bardem: Pudovkin and the Censors: Juan Antonio Bardem’s Muerte de un ciclista

Centenário do tio João (e nem é o arroz)

Publicado em 27/06/2008, às 23:35, por Georgina Spiggott


JOÃO GUIMARÃES ROSA - GATOSÉ claro que um dos meus verdadeiros xodós literários não passaria batido, o homem é uma loucura e todo mundo devia saber disso, bata uma coisa chamada Oswald de Andrade com outra chamada James Joyce e dá noutra de nome Guimarães Rosa. Além de tudo, o homem que não era bobo nem nada, foi obcecado por gatos e eu realmente gostaria de ter encontado uma foto dele que vi certa vez em que o tio Guima tinha gatos subindo até pela cabeça.

Que fique aqui a seleção de curtas documentais ou adaptações de sua obra para deleite dos rosamaníacos, pois se há algum escritor brasileiro que nos dá vontade de largar a própria vida para estudá-lo, certamente atenderá pelo nome de João Guimarães Rosa.

A João Guimarães Rosa (1968) de Roberto Santos

Desenredo (2001) de Raquel de Almeida Prado

Rio de Janeiro, Minas (1991) de Marily da Cunha Bezerra

Famigerado (1991) de Aluizio Salles Júnior

Do Sertão ao Beco da Lapa (1973) de Mauricio Capovilla

Veredas de Minas (1975) de David Neves e Fernando Sabino

A Criação Literária de João Guimarães Rosa (1969) de Paulo Thiago

Cordisburgo Roseana: A Cidade Recriada (2001) de Vitor Borysow

A Rua Principal ( Calle Mayor, 1956 )

Publicado em 26/06/2008, às 22:52, por Georgina Spiggott


Juan Antonio Bardem faz parte dos três grandes Bs anti-franquismo do cinema Espanhol, muito bem acompanhado por Luis Buñuel e Luis García Berlanga, sendo Calle Mayor um dos seus maiores atentados contra a ditadura de Francisco Franco.
Em meados dos anos 50 o poder do Generalíssimo estava no auge, a ONU e os EUA beijavam seus pés e a mentalidade do povo espanhol estava mais estagnada que nunca, enquanto tudo isso refletia na obra cinematográfica de Bardem. CALLE MAYOR - POSTER - JUAN ANTONIO BARDEMRecém-aclamado por sua obra prima anterior, o não menos político A Morte de Um Ciclista, Bardem se viu nos meandros do simbolismo rebuscado para que suas obras passassem de forma não tão implacável pela censura e assim deu-se a saga da solteirona interiorana com ilusões adolescentes sobre o amor que é temerariamente alvo de um bando de desocupados machistas e provincianos que muito lembram Os Boas Vidas de Fellini. Aliás, muita da influência do cinema de Bardem vem diretamente da Itália, mais especificamente do Neo-Realismo e não por acaso Bardem é comumente credenciado como neo-realista espanhol.
Betsy Blair é o filme, apesar de dublada para interpretar nossa heroína Isabel, nada tira de sua expressividade facial a luminosa atriz que era, mas infelizmente a então esposa de Gene Kely fez pouquíssimos filmes durante sua vida que ainda perdura. Bardem encontrou em sua atriz principal não apenas a interpretação perfeita, mas também um colega de armas, da mesma forma que Bardem era perseguido por Franco, Blair entrou para a lista negra do macarthismo, dando uma dimensão política ainda maior a esta pequena obra prima.
O conteúdo político está no desenrolar das emoções das personagens, detalhes humanistas com que Bardem lidava tão bem, como a grande culpa de Juan, o homem que ilude a inocente Isabel com falsas juras de amor e não consegue se livrar da pressão social para ser canalha, num claro exemplo de covardia por fazer parte de um sistema a qual não concorda e também não consegue lutar contra. Com exemplos de infantilidade de quem nunca teve que enfrentar seus próprios problemas, suas próprias contradições e precisa buscar uma diversão imatura nos outros, na turma de homens bebezões dá-se o vislumbre do regime franquista e sua população evasiva. Juan é um covarde que se deixa levar pelo ambiente e mentalidade tacanha de seus colegas, mesmo discordando de suas atitudes. Mas Isabel tem a chave para fugir, fugir daquelas crianças supostamente adultas, embora ela resolva ficar e lutar, tornando-se agora uma mulher madura.

Nota 1: Dessas curiosidades nem sempre inúteis, Betsy Blair interpretou a personagem de Julianne Moore idosa em As Horas, mas posteriormente por falta de identificação física entre Moore e Blair, Moore refilmou as cenas com maquiagem. Uma pena, seria mais uma das mais expressivas atrizes a fazer coro com um elenco já sensacional e não duvido que a escolha de Blair para tal papel tenha ligação direta com sua Isabel de Calle Mayor, tanto Laura quanto Isabel são personagens inversamente proporcionais em seus desejos e idênticas em seus sofrimentos.

Nota 2: Esse pôster que acompanha a postagem é um dos mais perfeitos em que coloquei os olhos, o filme todo está nele, sem subterfúgios, sem ambigüidades, sem máscaras. A rua, a chuva, Isabel sozinha e, especialmente, a grande luminária que por muitas vezes iluminará inutilmente seu rosto. Poster simplesmente perfeito.

Nota 3: Bardem foi preso durante as filmagens de Calle Mayor, conseguiu sair e mudou muitas coisas no filme, inclusive a cidade de locação principal.

Nota 4: Sim, sim, tio Juan é irmão de Pilar, filho de Rafael e Matilde, tio de Mónica, Carlos e Javier. O meu Javier.

A Batalha dos Sexos ( The Battle of the Sexes, 1959 )

Publicado em 26/06/2008, às 06:42, por Georgina Spiggott


A Batalha dos Sexos ( The Battle of the Sexes, 1959 )Este título foi empregado de forma totalmente equivocada, não é uma batalha entre homens e mulheres que se refere esta pequena pérola do diretor Charles Crichton (conhecido sobretudo por Um Peixe Chamado Wanda), mas sim uma batalha cujo resultado sabemos há muito tempo: a industrialização fria e impessoal contra os velhos moldes artesanais envoltos de muita camaradagem.
Tudo se passa na boa e velha Edimburgo de guerra, numa Escócia considerada o último recanto de machos do planeta, onde os homens são tão homens que lá são os macho-cho-chos que usam as saias mais curtas e dançam o can-can, tamanha a ebulição machista presente. E nisso fica claro que o filme foi feito por ingleses.
Quando uma executiva americana e manipuladora interpretada por Constance Cummings aporta na Escócia acaba por conhecer o herdeiro de uma tradicional empresa de tecidos vivido por Robert Morley e com isso aparecem todos os problemas para a vida dos anciões empregados da empresa, que custam em se se adaptar aos métodos progressistas empregados pela americana intrometida. É aí que a trama anda, com um apelo semelhante ao empregado na comédia de humor negro The Ladykillers, feita anos antes com a participação do mesmo Peter Sellers (cujo remake rendeu o pior filme da carreira dos Coen), só que no caso de A Batalha dos Sexos a perspectiva é distinta: são os velhinhos que desejam matar a personagem ambiciosa.
Mas claro que em tempos de ascenção feminista, uma tentativa de assassinato não ficaria sem o devido troco, e aí que entra a verdade do título, quando a mulher vai à forra e combate o velhinho-chefe interpretado por Sellers na disputa de quem consegue abater o adversário primeiro, mesmo que a mulher use o fator fêmea para aquebrantar a disputa. Isso resulta na fórmula capitalista por excelência do cão come cão coroando as cenas finais num simbólico rendevouz da real aura executiva, quase como um Psicopata Americano do alvorecer feminista.

O Espião de Dois Mundos ( A Dandy in Aspic, 1968 )

Publicado em 25/06/2008, às 21:38, por Georgina Spiggott


A DANDY IN ASPIC Filmes britânicos de espionagem são o que há de melhor no gênero. Filmes britânicos de espionagem dos anos 60 durante a plenitude da Guerra Fria são melhores ainda. Mas há um porém neste A Dandy em Aspic, enquanto tudo cheirava a James Bonds e Harry Palmers da vida, o filme de Anthony Mann teve a ousadia de ser diferente e tal diferença não cabe apenas à trilha sonora de Quincy Jones em lugar do usual John Barry.
O último filme de Anthony Mann, que morreu durante as filmagens, talvez não soe qualitativamente como alguns dos seus melhores westerns ou épicos romanos, mas não é uma vergonha para ele e nem para o gênero de espionagem, pois além de belíssimos planos que te enclinam literalmente no suspense (direção de fotografia de Christopher Challis - o mesmo fodaço que fez a fotografia de A Fúria de um Bravo logo abaixo), a saga moral e sócio-política da personagem central interpretada por Laurence Harvey é muito mais humana e verossímel do que o habitual.
Eberlin, o agente duplo, tem uma existência vazia, tendo sido criado praticamente no berço da Rússia para crescer britânico e se infiltrar na espionagem inglesa, exatamente como marionete evidenciada nos créditos iniciais são os britânicos que acabam por assumir os fios que puxam o seu corpo de maneira que o enforcamento pareça inevitável.
Mais do que Laurence Harvey segurar as pontas como ator e posteriormente como diretor no restante de cenas que ainda estavam por serem filmadas pós morte de Mann, A Dandy in Aspic tem um elenco excepcional, como um dolorosamente irritante Tom Courteney na pele de brit-spy nada carismático ou um Lionel Stander na pele de um soviet para além da simpatia, além das dúbias presenças de Mia Farrow, Per Oscarsson e Peter Cook. O alívio cômico do filme obviamente fica por conta de Peter Cook, pois não é plausível ter um dos maiores comediantes de todos os tempos presente em um filme sem dar-lhe o devido rumo, no caso, o papel de um agente secreto metrossexual viciado em mulher que faria inveja até a James Bond.
Como bom thriller de espionagem que se preze, suas quase duas horas são recheadas de diálogos espertinhos para dilatar o molde de desespero e paranóia às voltas com todas personagens, como mostra esse bom exemplo de diálogo entre Lionel Stander e Tom Courteney:

Courtenay (brit): Quem você pensa que é? Al Capone?
Stander (rus): Quem é Al Capone?
Courtenay: Ele era um gângster megalomaníaco que matava qualquer um que atravessasse seu caminho.
Stander: Sério? O que aconteceu com ele?
Courtenay: Ele trocou seu nome para Stalin e se mudou para a Russia.
Stander: Isso me soa familiar.

Black Dynamite ( 2008 )

Publicado em 25/06/2008, às 12:39, por Georgina Spiggott


BLACK DYNAMITE

Trailer

Tudo que tenho a dizer: DEUS DEUS DEUS PUTA QUE PARIU.

Black Dynamite e Barack Obama