Semana Marlowe: Onde Tudo Começa
Mais ou menos um ano atrás dediquei um bocado de espaço e tempo nesse blog à Semana Shakespeare (que, na realidade, durou pouco menos que um mês). Falei sobre “Othelo”, Iago, gêneros do teatro elizabetano, o First Folio e até Machado de Assis. Assim que terminei minha última linha, no ensaio sobre John Fletcher, parceiro e influência de William no fim de sua carreira, comecei a planejar a Semana Shakespeare de 2008. Eu queria falar de Pórcia e Shylock do “Mercador de Veneza”, de Edmundo, o vilão de “Rei Lear” (e falar sobre as duas versões dessa peça) e talvez explicar em melhor detalhe como funcionava o lado comercial do teatro elizabetano. Mas, principalmente, assim como fechei a primeira Semana Shakespeare com John Fletcher, eu queria começar a segunda com outra pessoa que teve influência crucial sobre aquele que seria… bom… o melhor escritor de todos os tempos. Eu queria falar do homem que inspirou Shakespeare em seu início de carreira, e serviu como modelo a ser alcançado. Eu queria falar sobre Christopher Marlowe.
Como vocês já devem saber, ou ter notado, ou tendo a deixar as coisas fugirem ao meu controle. Estudando Marlowe eu cheguei a conclusão que o homem merecia muito mais que ser uma breve entrada antes do prato principal. Assim, esse ano, ao invés de Semana Shakespeare, teremos a Semana Marlowe… que, espero, vai preparar vocês para conhecerem melhor a obra desse grande gênio perdido, artista controverso e ser humano complicado bem como introduzir de leve uns temas e idéias a qual vou voltar na Semana Shakespeare de 2009.
Assim, ao invés de Shylock, Barrabás.
Edmundo, à Mortimer e Guise ceda espaço
e das versões, sobre reis da escócia calo,
para dar voz a dois eruditos pelo diabo danados.
E embora confundir autor e obra não seja meu perfil;
peço da doce Melpômene a clemência
e do leitor que adiante seu perdão;
Sem falar da Escola da Noite, de espionagem,
De ateísmo e de pecado, do nefando tipo
O pobre leitor não compreenderá de Marlowe
os temas por trás das suas poderosas linhas
Ou seu trágico fim mal-sinado.
A seguir: O Enigma Marlowe.