As mulheres que me fizeram,
construída de saliva, barro e sangue,
carregavam nos punhos ferro.
Aroeira nas costas.
Traziam o olhar rente ao horizonte:
baixos pela dor,
altos pela lição.
Os lábios cerrados, os dentes ocultos.
Peito duro, mas poroso.
Traziam o mundo nos ombros.
E sob as sandálias, as paixões.
O matriarcado que me gerou
Me deu de presente todos os mundos que engoliram
e algumas cicatrizes nos pés.
PS: esse texto é de autoria da Lorena, que está estreando por aqui. Tão logo ela esteja cadastrada aqui no WP, tirarei meu nome intruso aqui de baixo e colocarei o dela.
julho 24th, 2008 às 13:05
duro, mas poroso. è o verso que mais gosto!
Seja muito bem-vinda!
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julho 24th, 2008 às 17:39
Ótimo estréia!
Você está muito bem acompanhada aqui no sindicato, sabia? Sem querer me gabar, mas são colegas estes com quem eu gostaria de ter o prazer de conviver.
Abraços
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julho 28th, 2008 às 13:16
nos seus olhos me prendestes, me perturbastes.
na sua nuca me entranhei em seus cabelos, quando do teu cheiro a me inebriar e enlouquecer de desejo.
insaciaveis, de tua boca bebi este querer… e deste mel me alimentei.
e foi somente em seu peito (duro mas poroso) que encontrei-me tranquilo… protegido e em paz.
e me toca suas maos, me envolvendo de teus abrazadores braços… pelos quais me fez nao sao de barros e sangue… mas de carinhos, afagos e afetos, assim como de golpes e dores… cutucoes… me derrubava para entáo me levantar, como se sova o pao (beijos leito e pao)… para logo entao coloca-lo a crescer em seu ventre quente: lugar da criaçao.
fiz-me em tuas pernas, enrolado nelas, nos arrepios, ritmos e toques de tua pele e sexo… de seu fogo… fez me tu, debaixo de tua saia - saia que e hoje menor menos pelo crescimento de teu corpo e mais pelo tamanho mesmo do tecido que cobre tuas formas, lindas formas que aprendestes a gostar - um menino-num-porvir-homem… um menino-homem para e por voce!
—
e agora, cicatriz, marcado em teu corpo e espirito, que me fez, sigo em teus passos… pela sola de teus pes sei e busco proteger de teus caminhos… pelos rastros de seu cheiro, sigo os teus passos, teu caminar…
(podes pisar em meus corpo sempre que precisar… ou querer… pois sempre, e somente, seu)
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agosto 8th, 2008 às 11:09
Oi Lorena,
muito bonito o poema, então respondo:
tudo aquilo que me planta nos pés.
me cresce em raízes, até, no osso.
se meus pés não tem raízes.
sinto as raízes dos seus. como se fossem.
em brasa. alguma coisa que marca.
a doçura dos pés descalços.
e se eu fosse mulher. o que não seria. andaria.
Um abraço,
Cesar Kiraly
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