EDIVANDRO e GABRIEL
Eu estava fotografando o São Vito quando conheci os entrevistados de hoje, Edivandro e Gabriel. Antes da transcrição de nossa prosa, gostaria de falar sobre o São Vito.
Eu estava fotografando o São Vito quando conheci os entrevistados de hoje, Edivandro e Gabriel. Antes da transcrição de nossa prosa, gostaria de falar sobre o São Vito.
Apesar de estar a menos de três quilômetros do centro de São Paulo, eu nunca havia visto aquela igreja e decidi fotografá-la. Na rua com pouco trânsito, muito me chamou a atenção o homem que alimentava pombos sob a sombra de uma árvore: estatura média, corpo magro, roupas gastas, saco plástico na cabeça fazendo as vezes de chapéu; por certo um morador de rua. Aproximei-me e puxei conversa.
A noite nem era das mais frias e eu estava fazendo fotos no Centro de São Paulo. Já passava das onze, um horário em que não se vê turistas no Pátio do Colégio, mas apenas moradores de rua. Foi então que conheci Marcos.
Após uma decadência que perdurou por décadas, a rua do Comércio ostenta iluminação por lampiões estilizados, piso de paralelepípedos e tráfego de bondes. Graças aos incentivos fiscais oferecidos pela prefeitura de Santos, muitos dos velhos casarões foram restaurados e hoje são ocupados por comércio e serviços. Persistem ainda alguns pardieiros habitados por gente muito pobre, além de várias construções em ruínas. Foi nesse cenário em que a vi: apesar do frio e da atadura em um dos joelhos, dava passos rápidos, e o tempo inteiro cantarolava uma canção que eu não conhecia.
As três mulheres desciam a avenida Brigadeiro Luís Antônio apressadas. A luz da tarde de domingo ressaltava o cuidado delas com as roupas, com a maquiagem, com os adereços. Abordei uma delas quando as outras duas já subiam as escadas do Cartola Club, um dos mais famosos salões de baile de São Paulo.
Conheci Suellem em fevereiro: fotografei-a enquanto desfilava seu corpo esguio por uma calçada do Centro de São Paulo. Há poucos dias reencontrei-a, desta vez para uma sessão de fotos no Pátio do Colégio e no Largo de São Bento. Apesar de nunca ter posado, mostrou uma aptidão inata para ficar em frente às lentes. Feitas as fotos, conversamos.
Calçada da prefeitura, na cabeceira do Viaduto do Chá. Foi ela que passou e ficou me olhando. Melhor dizendo, ficou olhando para a minha câmera e logo pediu que eu a fotografasse. Fiz mais que isso: bati um papo com ela sobre vários assuntos, até mesmo sobre a visita do Bush ao Brasil.
Eu estava em Penedo, maior cidade do Baixo São Francisco, recostado em um muro que se debruça sobre o Velho Chico, a bonita tonalidade de suas águas realçada pelo sol do fim da tarde e até por isso puxada para um marrom brilhante. Eu olhava para uns postes fincados lá no meio do rio, junto a algo que parecia ser um casebre engolido pela água, e me perguntava que raio poderia ser aquilo, já que o São Francisco aparentemente não estava muito cheio. Então chegaram as crianças - dois meninos e uma menina, varas de pesca nas mãos - e me explicaram que quando o nível da água descia, aparecia uma praia quase no meio do rio, sendo o casebre uma barraca de lanches. E ficamos a prosear, o plácido e manso rio como testemunha.
Eu estava em Aracaju e decidi passar o dia em Penedo, cidade alagoana considerada a capital do baixo São Francisco. Sabia que poderia conseguir belas fotos do casario colonial e do pôr-do-sol sobre as águas do velho Chico. Além das fotos previstas, acabei também clicando a Gil, com quem conversei.