Ciência e Humanidades - Antitextos
O que isso quer dizer? O que representam esses movimentos?
Tempos e tempos de modelos políticos institucionalizados tornaram extremamente difícil para muita gente aceitar novas… propostas – que, se não estão sendo elaboradas em cartórios, estão sendo vivenciadas nas acampadas por todo o mundo.
Reconheçamos a tendência (vício?) para ver um significado em tudo, a certeza – nada evidente nem coerente – de que tudo na vida e no mundo deve ter um significado pronto e visar a um resultado claro e bem definido – isso também contribui para que muitos se sintam flanando em terreno… incômodo. É inaceitável para muita gente boa que os movimentos Ocupa, por exemplo, não representem alguma tal coisa de algum certo modo.
Não conforta a maioria de seus críticos a ideia de que tais movimentos se constituem mais enquanto processos do que enquanto projetos, fazem-se mais de construção mútua do que de adesão, pensam mais no que se há de fazer do que no que já se fez, são imaginação e não doutrina…
A maioria dos historiadores, pesquisadores, filósofos e cientistas políticos, se não todos, dirá inevitavelmente – ao tratar dos contextos políticos mais próximos de seu tempo – que a política se fragmentou em tendências (pós-modernas, pós… enfim). Disseram até mesmo que a História teve fim! E o que é pior: alguns incautos acreditaram! Isso porque é difícil divisar e categorizar o que ainda não se cristalizou.
Há uma explicação lógica, aceitável e conhecida para esse quadro de novidades: uma quantidade enorme de informação está sendo produzida e compartilhada por um número cada vez maior de pessoas – difusão e circulação da informação em uma velocidade e em escala sem precedentes, o que permite que todos se inteirem de tudo o que quase todos estão fazendo. Isso, claro, possibilita articulações coletivas em escala global, fragmenta tendências hegemônicas de ideias e pensamentos, e dificulta a criação de consensos publicitariamente fabricados por estruturas midiáticas unilaterais.
Logo, a Política (pensar modos de viver em sociedade?) está acontecendo, se renovando autonomamente a partir de processos que começam a se agitar, que apenas se anunciam. O mundo vive mais uma crise, independente de momentos econômicos diferenciados entre os países – não há ilhas econômicas no sistema financeiro global totalitário. Crise aqui, obviamente, deve ser entendida em seu sentido original de momento em que escolhas devem ser feitas.
Se há, nestes movimentos que emergem, institucionalidades efetivas ou empoderamento real – sobretudo no Brasil – de vastas parcelas da população? Não creio, e não sei medir isso… Há, certamente, ao menos uma coisa acontecendo: uma experiência. – E “em Política, experiências significam revolução.”
por fabricio kc
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comentário pensativo motivado pelos 30 dias de experiência no #OcupaSalvador l http://www.ocupasalvador.org/ l
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