A força eleitoral do presidente Lula

Ciência e Humanidades - Demografia

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O presidente Lula disputou todas as eleições presidenciais desde o fim do regime militar no Brasil e que se seguiram à eleição de Jânio Quadros, em 1960. Sem dúvida, após as mobilizações operárias em São Bernardo do Campo, em 1978, Lula entrou definitivamente para os livros de história do Brasil. Em 1989, ainda um político pouco experiente, ele conseguiu superar os votos do ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, e chegou à disputa do segundo turno com Fernando Collor. Perdeu as eleições, mas ganhou projeção nacional. Nas duas eleições seguintes (1994 e 1998) perdeu para Fernando Henrique Cardoso. Mas ganhou as eleições de 2002 e 2006. Portanto, as eleições presidenciais de 2010 serão as primeiras dos últimos “50 anos” sem a presença, na cédula eleitoral, de Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas, mesmo não sendo candidato, a força do presidente Lula, nas eleições de 2010, é inegável. A pesquisa CNI/IBOPE, divulgada no dia 17 de março de 2010, mostrou que:

·    O percentual de brasileiros que avaliam o governo do Presidente Lula positivamente atinge o nível recorde de 75%;
·    A maneira de governar do Presidente Lula é aprovada por 83% da população;
·    77% dos entrevistados confiam no Presidente Lula;
·    Cresce a percepção de que o segundo mandato está sendo melhor que o primeiro, opinião compartilhada por 49% dos entrevistados;
·    Mais da metade dos brasileiros (53%) prefere votar em um candidato apoiado pelo presidente Lula.

Ainda de acordo com a pesquisa, a maior aprovação do governo se dá no combate a fome e a pobreza. O percentual de aprovação na área de educação cresceu de 54% para 62%. Outras áreas bem avaliadas são de meio-ambiente, combate ao desemprego e combate à inflação. Os pontos mais fracos são a política de saúde, segurança pública e cobrança de impostos.

Os dados sobre intenção de voto mostram, no cenário com 4 candidatos: José Serra (PSDB) com 35%, Dilma Rousseff (PT) com 30%, Ciro Gomes (PSB) com 11% e Marina Silva (PV) com 6%. Brancos e nulos somam 10% e indecisos, 8%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Em dezembro, na última pesquisa Ibope, Serra tinha 38% e Dilma, 17%. Portanto, o que mais chama a atenção não é a ligeira queda do percentual do governador paulista, mas a rápida subida da candidata governista e indicada pelo presidente Lula. Um fato que merece maiores estudos é que a candidata Dilma tem uma intenção de voto maior entre os homens (36%) do que entre as mulheres (25%). Entre os eleitores do sexo masculino, Dilma está em primeiro lugar nas intenções de voto da pesquisa CNI/IBOPE.

José Serra permanece como o pré-candidato mais conhecido da população, 65% afirmam conhecê-lo bem ou “mais ou menos”. O seu índice de rejeição foi de 25%. Dilma Rousseff foi quem mais se tornou conhecida desde dezembro, apresentando percentual de 44% dos que afirmam conhecê-la bem ou conhecê-la “mais ou menos”, contra 32% da rodada passada. O índice de rejeição da ministra cai de 41% para 27% entre dezembro de 2009 e março de 2010.

Evidentemente, o crescimento da candidata Dilma tem tudo a ver com a popularidade do presidente Lula, o bom momento da economia brasileira que deve crescer mais de 5% em 2010 (após a pequena recessão de 2009) e com a ampla coalizão de forças políticas que estão se formando no campo de apoio ao governo.

Tudo indica que a disputa vai ficar mesmo entre os dois candidatos que aparecem na frente nas pesquisas. A candidatura de Ciro Gomes não está confirmada. Já a candidatura Marina também tende a crescer e ter uma participação importante, especialmente na área do meio ambiente. Mas dificilmente a candidata verde conseguirá protagonizar as eleições, pois o PV carece de força política nacional e a questão da sustentabilidade ambiental ainda não conseguiu o apoio popular que merece e que faria um contraponto ao desenvolvimentismo.

O fato é que o lulismo parece que vai sobreviver à época pós-Lula. Este fenômeno ainda deverá ser objeto de muitos estudos acadêmicos, especialmente compreender como Lula está conseguindo colocar junto forças do movimento social e da “esquerda” e velhos políticos tradicionais como Sarney, Collor, Renan, Barbalho, etc. A candidata Dilma tem se apresentado como a maior defensora do governo Lula e deste amplo arco de alianças. Com certeza teremos muitos temas para debate e para compreender as novas configurações políticas do país.

Mas a campanha eleitoral ainda nem começou e muita água vai rolar antes das eleições de outubro. O importante é que estas eleições gerais de 2010 sejam realizadas de forma limpa e transparente e que os desafios e as perspectivas do Brasil possam ser discutidas de forma madura e responsável, pois os governantes passam, mas a construção de uma sociedade justa e ambientalmente sustentável é uma tarefa de longo prazo.


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Comentários (2)
  • Luiz Fernando Santos  - Equilíbrio
    Até que enfim uma visão equilibrada e fora dos desapegos, apaixonados ou
    canalhas, que enviesam muito dos comentários políticos. Gostei do seu esforço de
    isenção ao desenhar um painel da política partidária contemporânea no Brasil. E,
    é claro, do governo do presidente Lula, que tem seus defeitos mas que conseguiu
    imprimir um novo retrato ao País.
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  • Nelson Brasi : A propósito, Bach não significa Ribeiro, desculpa. Bach é Brasil, de Nelson Brasil Bachsil Ferreira. Outro a propósito, Bach não nasceu no dia em que fundamos a Sociedade Bach de POA. Eles adotavam outro calendário. Só por volta de 1700, os luteranos daquela região passaram a adotar o Gregoriano. Bach, então - e infelizmente - deve ter nascido em 31/03. Snif, snif. A morte, sim, é 28/07/1750. Uma terça à noite. O dia mais triste da humanidade. O maior artista de todos os tempos se pi
  • Nelson Brasi : Milton, aqui um colorado. Aqui um adorador de Bach. Aqui um cara que esteve 17 dias na Alemanha, só uminha vez na Europa e que conheceu todas, absolutamente todas as cidades de Bach, com exceção de Mülhausen. Die Strasse ist kaput. As outra 9, fui.
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