EUA e China: o G-2

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Os Estados Unidos e a China iniciaram um “Diálogo estratégico” que pode reconfigurar as relações internacionais no século XXI.

Séculos atrás, antes mesmo da existência dos Estados Unidos da América (EUA), a China era o país mais rico do mundo, em termos materiais e culturais. Mas com a Revolução Industrial, a Europa ganhou proeminência e a China entrou em decadência. Depois de duas guerras mundiais foi a vez da Europa perder posição relativa no cenário mundial, enquanto os EUA assumiam a liderança na economia e na cultura mundial. A novidade do século XXI é a volta da China como estrela de primeira grandeza no palco internacional.

Na última semana de julho de 2009 teve início o primeiro “Diálogo Estratégico e Econômico EUA-China”, inaugurando um novo mecanismo de diplomacia entre os dois países. Para muitos analistas, se trata do surgimento do chamado G-2, formado pelo EUA que é o país de maior economia e a China com a maior população e candidata à maior economia nas próximas décadas.

O vice-premiê chinês, Wang Qishan, afirmou: "Sabemos que, neste momento crucial de revitalização da economia mundial, o estímulo ao crescimento econômico passa a ser tarefa prioritária das colaborações sino-norte-americanas. As duas partes devem reforçar a coordenação macroeconômica, estabilizar o mercado financeiro e promover o emprego”

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, comentou:  "Acreditamos poder desempenhar um papel de liderança e dar nossas contribuições para o mercado financeiro global. Os dois países podem trabalhar para o estabelecimento de um sistema comercial mais aberto e para barrar o protecionismo a fim de beneficiar nossas empresas e nossa população"

Nos últimos anos a simbiose EUA-China se sustentou no alto consumo de um e na alta produção do outro. Os EUA e a China se tornaram, respectivamente, o shopping center e a fábrica do mundo. Um é grande consumidor e o outro grande poupador. O mecanismo simbiótico funciona da seguinte maneira: com o objetivo de estimular sua economia, a China empresta o seu dinheiro poupado aos EUA para que os americanos adquiram suas exportações, enquanto os déficits gêmeos se acumulam e os EUA vão se tornando um grande devedor mundial. Mas como o dólar é a moeda de troca universalmente aceita o endividamento americano pode ser financiado por emissão de moeda, aumentando os desequilíbrios internacionais.

A crise econômica internacional que começou nos EUA com a crise imobiliária do subprime em 2007 e se tornou aguda após a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, colocou um limite no processo de endivadamento e consumo exacerbado americano. Os EUA precisam reduzir o consumo, elevar a poupança interna e reduzir os déficits interno e externo do país. A depreciação do valor do dólar é um mecanismo que empobrece os EUA, mas que ajuda a sair do atoleiro em que o país se encontra.

Do outro lado, a China precisa reduzir as suas taxas de poupança, elevar o consumo interno e valorizar o Yuan, fazendo com que o crescimento econômico tenha como base a demanda agregada interna e não as exportações (export-led growth). Um crescimento econômico chines com redução dos superávits comerciais e aumento das importações poderá ter um forte impacto positivo na retomada da economia internacional. A China poderia contribuir para tirar o mundo da recessão ao mesmo tempo que os desequilíbrios da economia internacional são reduzidos. Os últimos dados do FMI, de julho de 2009, mostram que a economia internacional começou a sair da recessão no segundo semestre e deve apresentar taxas positivas em 2010, embora a recuperação mundial aconteça em ritmo mais lento. Mas a liderança estará, certamente, com o crescimento chinês. (Disponível no link: http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2009/update/02/index.htm )

No plano político, o G-2 têm uma real parceria estratégica porque, ao invés de resolver os problemas por disputas militares, podem criar uma rede de cooperação e de segurança, pois EUA e China possuem presença global e têm interesses na resolução de problemas como os projetos nucleares do Irã e da Coreia do Norte, a disputa palestina, etc. Ou seja, a guerra pode ser evitada por corretas negociações políticas.

Por fim, as duas grandes economias são também os dois maiores polos de poluição do planeta. Uma parceria estratégica entre EUA e China precisa enfrentar a questão do aquecimento global e da perda de biodiversidade. Sem um acordo nesta área, o mundo todo estará perdido.

 



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Rafael Reinehr  - Os demônios |07-08-2009 15:17:31
Sem dúvida, os EUA já não estão mais sozinhos como o único demônio da atualidade. A China lhe acompanha de perto como segundo demônio. Imagina o demoniozão que se afigura no horizonte? Biodiversidade? Hmmmm... Só se for de tamagochis...
Me tuíta!
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