RG.

No pequeno planeta azul, um número em um RG…
 
 
 
 
 
 
 
 
RG.
 
 
 X foi cidadão honesto,
 
 respeitador dos bons costumes,
 
 X foi empreendedor,
 
 dedicado produtor de estrume .
 
 
 
 X era pai de família,
 
 X sonhava em ser cowboy,
 
 X foi aposentado
 
 e sentiu como a coluna dói.
 
 
 
 X adorava futebol,
 
 bebericava cerveja sob o sol
 
 
 
 X, X,
 
 morreu, se foi
 
 para sempre…
 
 
 
 X era fiel,
 
 rezava o terço, louvava ao céu.
 
 X curtia o “x tube”.
 
 
 
 X tinha um diploma,
 
 X profissional.
 
 X nunca conseguiu realmente trabalhar no que desejava.
 
 
 
 X assistia televisão,
 
 esquentava o sofá no domingão
 
 
 
 X, X,
 
 morreu, se foi
 
 para sempre…
 
 
 
 X só esperava o carnaval
 
 para liberar seu lado animal,
 
 um primata e seu caneco,
 
 X indivíduo social,
 
 
 
 X era contra as drogas.
 
 
 
 X, X,
 
 morreu, se foi
 
 para sempre…
 
 
 
 X tinha uma paixão,
 
 X sofria do coração,
 
 X era corajoso,
 
 X fugia do espelho.
 
 
 
 X, X,
 
 morreu, se foi
 
 para sempre…
 
 
 
 X era homem de bem,
 
 mas, diante de uma tela sua raiva sempre ia além.
 
 
 
 X votava e sempre errava,
 
 depois xingava e esquecia
 
 X era classe média baixa,
 
 mas, na conversa dos ricos sempre caia.
 
 
 
 X era católico,
 
 mas, acreditava em reencarnação,
 
 X um dia pensou ser “livre”
 
 e agora está preso em um caixão.
 
 
 
 X, X,
 
 morreu, se foi
 
 para sempre…
 
 
 
 
 
 
 
 
 Paulo Vinícius
About the author

paulohidra

Paulo Vinícius : professor de Filosofia e Sociologia; Licenciado em Filosofia e Bacharel em Ciências Sociais pela UFSM; Especialista em Pensamento Político pela UFSM. Poeta e compositor, vocalista da banda Lunárkia; integrante do Movimento Autonomia e Revolução.