Texto para os marcianos que sonham entender o que vai acontecer com o Brasil no ano que vem

Em quem votar nestas eleições

Se você esteve em coma nos últimos meses, viajou pelo espaço ou é apenas um marciano que tenta (sem sucesso) descobrir quem será o próximo presidente do Brasil, talvez este texto possa te ajudar. Vou fazer um resumo dos possíveis candidatos em 2018 levando em consideração suas qualidades e seus maiores problemas para a jornada daqui até lá. É claro que este resumo não é definitivo e como dizia Tancredo Neves: política é igual as nuvens, uma hora tá de um jeito e logo muda completamente.

A seqüência que escolhi foi a da ordem alfabética. Isso evita uma discussão sem fim sobre quem deveria ser primeiro e aparentemente posso me fazer de isento.

Então vamos lá e avaliem vocês mesmos:

Aécio Neves PSDB

Ponto Forte: Ele fez 48% dos votos no segundo turno de 2014, seu nome está nacionalizado e seu partido é um dos maiores do país, com governos estaduais importantes como o Paraná e São Paulo e aceitação de diversos setores do país.

Ponto Fraco: Sua fraca atuação no senado com certeza não ajudou ele em sua empreitada rumo ao Palácio do Planalto. As diversas acusações de corrupção que pesam sobre ele e sua irmã estão sepultando suas chances. Ele perdeu sua principal base de apoio que era o governo de Minas Gerais e ainda por cima não controla seu partido, o PSDB. Claramente dominado por políticos do estado de São Paulo.

 

Álvaro Dias PODEMOS (antigo PTN)

Ponto Forte: O antigo PTN (agora PODEMOS) não mudou apenas de nome, parece que conseguiu fisgar duas figuras políticas conhecidas Álvaro Dias e o ex-jogador Romário. A filiação de Álvaro Dias tem um objetivo claro, o sonho dele de se candidatar a presidência. Ele não é novo na política,já foi eleito para quase todos os cargos elegíveis. Só falta ser prefeito e presidente. E seu sonho é justamente ser presidente. Atualmente vem do Paraná, onde é senador eleito em 2016, pelo seu antigo partido, PSDB, passeou uns tempos no PV e agora troca de novo de partido para conseguir ser candidato a presidente. Tem oratória forte e já presidiu CPI´s importantes, o que demonstra experiência parlamentar.

 

Ponto Fraco: Não tem muito a perder no ano que vem e com a consolidação da candidatura de seu irmão ao governo do estado não sobra muito para ele. Tem apenas 1% nas pesquisas e precisa muito chamar a atenção se quiser algo além disso.

 

Chico Alencar PSOL

Ponto Forte: Tem um partido crescendo aos poucos. Chico Alencar é um deputado federal sempre muito bem votado no Rio de Janeiro. É respeitado como um dos deputados mais articulados do Congresso e circula com facilidade entre várias correntes políticas do país.

Ponto fraco: É conhecido no meio intelectual e nos círculos de poder, mas quase desconhecido fora do seu estado de origem, terá que enfrentar o voto útil com Lula no final da campanha e ainda viabilizar seu partido no país.

 

Ciro Gomes PDT

Ponto Forte: Ex-governador do Ceará, ex candidato a presidência duas vezes, é um nome consolidado e de forte apelo em vários setores da sociedade. É uma das cartas de Lula se este não puder disputar a eleição em 2018. Atrelou seu nome a Lula nos últimos tempos e espera contar com o apoio dele. Não tem medo de arrumar desafetos políticos e coleciona controversas com vários políticos das mais variadas tendências. Segundo alguns, a melhor alternativa para enfrentar as candidaturas de direita no ano que vem.

Ponto Fraco: Suas polêmicas podem causar problemas para algumas alianças. Também pode acabar tendo que carregar a rejeição de Lula. Além de estar dependendo cada vez mais deste para ser candidato em 2018 e algumas limitações de seu partido em alguns estados.

Cristovam Buarque PPS

Ponto Forte: Velho conhecido e defensor da Educação em nosso país tem seu nome vinculado fortemente a este assunto que mexe com o eleitorado do país. Já foi reitor, governador, ministro da Educação e agora é novamente senador. Já disputou a presidência no passado e tem seu nome consolidado em parcela do eleitorado e pretende usar isso em seu favor ano que vem.

 

Ponto Fraco: Além de patinar em apenas 1% das intenções por enquanto, precisa explicar suas constantes mudanças de partidos (PCdoB, PT, PDT), agora esta no mediano PPS. Partido que saiu do governo Temer (tinham a pasta da Cultura) e quase ninguém percebeu.

 

Fernando Haddad PT

Ponto Forte: Aposta principal de Lula em 2012, elegeu-se prefeito de São Paulo, mesmo tendo começado a campanha com apenas 3% das intenções de voto. Tem a simpatia da militância de seu partido e é uma alternativa real caso Lula não possa ser candidato ano que vem. Seu discurso sobre mobilidade urbana combate a corrupção pode encontrar respaldo além de ter deixado o ministério da Educação com elogios a sua atuação.

Ponto Fraco: Sofreu uma resistência feroz na sua gestão de prefeito. As falhas e boicotes na gestão de seu plano de mobilidade urbana foram fatais na sua tentativa de se reeleger. Ele também terá que ter seu padrinho político Lula, ao seu lado o tempo todo para conseguir chegar ao segundo turno e sonhar com o Palácio do Planalto.

Flávio Rocha NOVO

Ponto Forte: Um nome novo e desconhecido do público sendo lançado por um partido desconhecido pode dar certo em um ano em que o desencanto por políticos tradicionais será forte. Essa é a aposta do partido e de seu pré-candidato.

Ponto fraco: A fragilidade do partido é gigantesca e algumas acusações contra o pré-candidato de corrupção no passado pode fragilizar mais ainda o partido.

 

Geraldo Alckmin PSDB

Ponto Forte: É governador do estado de São Paulo pela quarta vez. Também tem uma carreira consolidada (ex-governador, ex-prefeito de São Paulo) e já disputou em 2006 a presidência perdendo no segundo turno para Lula. Ele tem a simpatia de setores empresariais e praticamente comanda o partido. Nos últimos dias parece ter voltado com força ao jogo e querendo disputar a presidência. Mostrou muita força ano passado elegendo em primeiro turno seu candidato a prefeitura de São Paulo, um grande trunfo para a hora da decisão.

Ponto Fraco: Em condições normais teria uma caminhada tranqüila para o Palácio do Planalto, no entanto pode ser atropelado por um discurso de mudança que decididamente ele não representa. As várias críticas que sofre no seu governo, a violência, corrupção podem se tornar temas espinhosos para ele.

Germano Rigotto PMDB

Ponto Forte: Partido com quase 40 anos de história, com uma verdadeira multidão de políticos conhecidos, é um dos maiores partidos políticos do país e um dos mais conhecidos. Participa do governo quase ininterruptamente desde a década de 80. Se acaso o PMDB quiser lançar um candidato à presidente que não seja Temer, o nome do ex-deputado e ex-governador Germano Rigotto pode ser o nome a ser lembrado.

Ponto Fraco: Rigotto é conhecido no Rio Grande do Sul e só. Para piorar vai ter que explicar muitas coisas do governo Temer, tarefa pra lá de complicada. E tem um partido conhecido por abandonar seus candidatos durante a campanha para apoiar os candidatos melhor colocados.

 

Jair Bolsonaro PSC

Ponto Forte: Político de palavras fortes tornou-se a opção eleitoral de setores de extrema direita. Seu discurso de forte teor moralista e de mudança encontrou eco em vários setores do país. Defende com veemência a ditadura militar e tem um forte discurso anticorrupção. Seu discurso anti-político pode fazer sucesso no embalo do desencanto da população com os políticos tradicionais.

Ponto Fraco: Trocou o PP pelo PSC, um partido de alcance limitado. A falta de apoios locais, como candidatos a governador podem complicar a vida dele. Sua campanha se baseia no voluntarismo de seus apoiadores e uma escorregada pode comprometer suas chances. As várias polêmicas que ele criou também podem se tornar um complicador, a possibilidade (pequena) de perder o mandato pela confusão que arrumou com a deputada Maria do Rosário pode ser uma dor de cabeça. Além da atual polêmica sobre doação da Friboi a sua campanha. A falta de um partido para chamar de seu pode levar ele a mais uma nova troca de partido (cogita-se o PR) e isso pode não ser vista com bons olhos por seus eleitores. Sem contar com a parte da sociedade que deseja uma solução menos radical e torce o nariz para ele.

João Dória PSDB

Ponto Forte: Novidade na política, ele conseguiu um feito e tanto ano passado se elegendo em primeiro turno prefeito da maior cidade do Brasil, São Paulo. Empresário e publicitário, esta pouco tempo na prefeitura e isso dificulta as criticas da oposição aos possíveis erros de sua gestão.

Ponto Fraco: Sua inexperiência pode ser usada contra ele. Seu discurso muitas vezes frívolo pode acabar fracassando caso a oposição saiba usar isso contra ele. Outro ponto a se avaliar ainda é até onde seu discurso, às vezes violento, vai entusiasmar setores médios da sociedade que querem uma solução técnica para atual crise.

Joaquim Barbosa Sem partido

Ponto Forte: Nascido em Paracatu, construiu uma forte carreira jurídica, acabou nomeado em 2003 ao Supremo Tribunal Federal, onde ficou até 2014, quando se aposentou voluntariamente. Não é filiado a nenhum partido, mesmo assim é constantemente bem lembrado em pesquisas eleitorais para presidente devido sua marcante atuação no STF. Seria um nome a considerar em tempos de cansaço com políticos tradicionais.

Ponto Fraco: Não tem nenhum partido e até agora não manifestou interesse em disputar a eleição. Mas também não negou. Se por acaso resolver se candidatar terá que encontrar um partido viável para suas pretensões. E o tempo corre contra ele.

 

José Maria Eymael PSDC

Ponto Forte: EyEyEymael. Um democrata cristão… Sim, é ele mesmo. Outro veterano e conhecido do público pode surgir como candidato novamente em 2018. Já foi deputado federal e com grande influência nos anos 80. Sua experiência (além do jingle) é sua arma principal.

Ponto Fraco: Um partido minúsculo e carente de base nacional dificulta ainda muito a vida de seu candidato. Para piorar, esta tendo que explicar a suspeita de doações não registradas na última campanha.

 

José Serra PSDB

Ponto Forte: É conhecido nacionalmente depois das duas tentativas fracassadas de (2002 e 2010) chegar à presidência. Ex-ministro da Saúde e também das Relações Exteriores, ex-prefeito de São Paulo e também ex-governador de São Paulo constitui uma carreira sólida e respeitável. Tem um partido forte e com base nacional.

Ponto Fraco: Talvez o “excesso de experiência” pode inviabilizar o discurso de mudança que deve fazer sucesso  ano que vem. Sua idade também pode ser um empecilho além da saúde que aparentemente esta frágil. Não tem o comando do partido apesar de ter forte influência. Ele ficou alguns meses no atual governo Temer e se este governo continuar fraco ou naufragar de vez pode acabar respingando nas suas pretensões, isso se as várias citações em delações da Lava Jato não acabarem com suas chances primeiro…

Levi Fidelix PRTB

Ponto Forte: Veterano candidato a presidência, chamou a atenção do eleitorado em 2014 com algumas declarações polêmicas nos debates, recebeu apoio de políticos conservadores e pode usar isso em 2018.

Ponto Fraco: O seu partido é inexpressivo a nível nacional e suas pospostas, como aerotrem, entraram para a lista de anedotas eleitorais.

 

Luciana Genro PSOL

Ponto Forte: Seu partido, o PSOL, surgiu de divergências dentro do PT e do governo no primeiro mandado do Lula. Vem crescendo lentamente ano a ano principalmente com ex-militantes petistas decepcionados com decisões de Lula ou do PT. Tem uma pequena, mas atuante bancada com nomes conhecidos a nível nacional como Chico Alencar, Luiza Erundina e o polêmico Jean Wyllys. Luciana Genro já foi deputada federal e disputou a presidência por seu partido em 2014. É filha do ex-ministro e governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. Pode se tornar uma alternativa ao eleitorado mais a esquerda.

 

Ponto Fraco: Apesar do crescimento contínuo do partido, ele ainda é frágil em alguns estados. Não tem senadores, governadores e praticamente nem prefeitos. A tímida mudança na sua política de partidos ajudou um pouco no entanto é bastante restrita ainda. Fora do Rio de Janeiro o PSOL tem muito que remar ainda se quiser ser uma alternativa real ao PT nas esquerdas do país.

 

Lula PT

Ponto Forte: Ele lidera e com folga as pesquisas que foram publicadas até agora. Inclusive crescendo e vencendo também em segundo turno alguns dos cenários. Isso não é pouco pois esta sendo investigado pela Operação Lava Jato e diariamente sofre ataques na grande mídia. De onde vem esta força? São vários fatores que conjugam para isso. O primeiro deles é a boa aprovação que tinha na saída da presidência em 2010. A economia estava caminhando bem, ele criou uma boa base política isolando os dois principais partidos de oposição PSDB e DEM, quase que deixando entrincheirados em São Paulo e Minas Gerais. As dificuldades que o governo Temer enfrenta facilitam esta saudade por ele e isso impulsiona sua possível candidatura. Outro fator que ajuda é a dinâmica que o PT ainda mantém. Gostando ou não deste partido é impossível negar que ele é um dos poucos no país que tem vida partidária o ano todo e suas eleições internas são extremamente disputadas e com grande participação o que facilita a constante oxigenação do partido.

Ponto Fraco: A possível condenação em primeira instância na Operação Lava Jato não o torna inelegível mas causa respingos no seu currículo. A pressão para que isso ocorra. A forte rejeição que ele vem sofrendo principalmente em setores empresariais e também na classe média. Existe um sentimento nestes grupos para votarem em qualquer um que possa derrotá-lo. O grande problema de Lula, caso possa ser candidato, é o segundo turno, onde estes setores vão se unir contra ele e isso pode ser fatal para seus sonhos de ser presidente três vezes.

Marina Silva REDE

Ponto Forte: Ela tem seu nome fortalecido depois de duas eleições em que acabou em terceiro lugar chegando muito perto do segundo turno. Isso explica com facilidade sua presença forte e consistente nas pesquisas e com rejeição não muito alta. Ela vem até agora se saindo bem de todos os escândalos de corrupção e seu partido esta com moral para se credenciar em terceira via.

 

Ponto Fraco: Justamente o seu partido talvez seja maior problema, ela contou com uma estrutura forte do PSB da última vez e mesmo assim não obteve sucesso. Seu partido agora é ainda muito pequeno e provavelmente não deve crescer muito. A dificuldade em ter fortes apoios nos estados pode ser fatal para seus sonhos. Outro problema que ela precisa enfrentar é sua dificuldade em se posicionar sobre temas delicados.

Mauro Iasi PCB

Ponto Forte: Construiu uma respeitada carreira acadêmica como pesquisador, professor e escritor. Seu partido, apesar de minúsculo vem de uma história construída desde 1922 (Apesar do PCdoB disputar este título também). O que o transformaria em o mais antigo no país.

Ponto Fraco: Sem espaço na mídia e horário eleitoral e tendo que disputar espaço com outros partidos de esquerda a tarefa se mostra quase impossível para ele.

 

Michel Temer PMDB

Ponto Forte: Tem a máquina administrativa na mão e um ano pela frente para se viabilizar como candidato. Se conseguir fazer com que seu governo deslanche pode sim ser candidato com viabilidade eleitoral pois seu partido é um dos mais importantes do país.

Ponto Fraco: Se não bastasse a desconfiança do eleitorado com sua idade, seu altíssimo índice de rejeição, seu partido que tem um histórico de abandonar suas candidaturas no meio da campanha. E olha que a palavras Joesley e JBS nem foram citadas ainda! A suspeita é  que sua maior preocupação em escapar do impeachment seja bem maior que a de disputar as eleições do ano que vem.

Ronaldo Caiado DEM

Ponto Forte: Em 1989 protagonizou alguns momentos bem agitados durante os debates principalmente tentando rivalizar com Lula. Conquistou experiência nos corredores do Congresso como deputado federal e tem um discurso de apelo ao agribusiness nos últimos anos.

Ponto Fraco: Apesar de se eleger e se reeleger deputado federal, fez isso sempre pelo estado de Tocantins, o que o distanciou dos grandes estados e hoje é quase desconhecido de grande parte do eleitorado. Seu discurso forte seria útil mas hoje disputa espaço com desvantagem o espaço com Dória e Bolsonaro. E nem estamos falando da falta de entusiasmo do seu partido com a candidatura dele.

 

Rui Costa Pimenta PCO

Ponto Forte: A militância aguerrida é seu ponto principal. Seu partido investe fortemente na formação de seus quadros. O que faz deles renhidos debatedores

Ponto Fraco: Partido que veio das rusgas internas do PT, surgiu na mesma época do PSTU apesar de ser muito menor. Provavelmente é o partido com o menor número de filiados registrados no país. Tem grandes dificuldades em aparecer no cenário nacional.

 

Sergio Moro Sem partido:

Ponto Forte: Sonhos de muitos e pesadelos de outros. O juiz acabou virando ídolo no país por causa da Operação Lava Jato e seus esforços em prender conhecidos políticos do país. Pouco se sabe de suas ideias sobre o país, no entanto percebesse um forte componente conservador em suas palestras.

Ponto Fraco: O cargo de juiz o impede de ser filiado a algum partido e se quiser mesmo disputar as eleições terá que achar um partido e ainda se filiar dentro do prazo. O que faria se afastar do seu atual emprego. Apesar de fazer sucesso entre muitos, a cada dia surgem novas críticas pelas decisões e método de ação.

 

Zé Maria PSTU

Ponto Forte: Partido surgido dentro do PT em 1992 ainda não conquistou apoio do eleitorado, tem uma pequena e aguerrida militância que não mede esforços para ampliar seus espaços entre a multidão de partidos e tem forte atuação em várias entidades sindicais e movimentos por todo o país.

Ponto Fraco: Sua radicalidade é conhecida no meio sindical e movimentos populares. Isso afasta até mesmo outros pequenos movimentos e partidos de esquerda. Algumas rusgas internas levaram alguns de seus fundadores a sair partido nos últimos tempos. Isso sem contar que o eleitorado ainda não se lembra dele normalmente.

About the author

vanderlei

Sou professor de História em escolas públicas desde o início dos anos 90. Moro em Taió, uma cidade bem pequena em Santa Catarina. Adoro dar palpite em muitos assuntos mas prefiro falar em história, política e redes sociais.

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