Revolução Verde e a redução da Pegada Ecológica

Ciência e Humanidades - Demografia

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Segundo o relatório Planeta Vivo da organização WWF (2008) “Nossa pegada ecológica global excede, hoje, em cerca de 30% a capacidade de regeneração do mundo. Se nossa demanda continuar nesse mesmo ritmo, em meados de 2030 precisaremos de dois planetas para manter nosso estilo de vida”.

Diante deste quadro assustador, as perguntas  que se colocam são: 1) como diminuir a pegada ecológica do mundo ao mesmo tempo em que sabemos que a população do planeta deve atingir 7 bilhões de pessoas até 2012 e 9 bilhões de habitantes em 2050?; 2) como garantir o “direito ao desenvolvimento” dos países e a geração de emprego e renda? 3) como diminuir o consumo global se o mundo tem mais de um bilhão de pessoas passando fome e alguns outros milhões na pobreza e que demandam mais educação, mais saúde, mais e melhores moradias e maior número de bens de consumo como fogão, geladeira, televisão, bicicleta, motos, carros, etc?

Evidentemente as respostas para estas perguntas complexas não são simples. Mas um caminho inicial (outros caminhos serão discutidos em outros artigos) passa necessariamente pela mudança da matriz energética e a redução da emissão dos gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global e agravam a pegada ecológica. O uso do petróleo e do carvão (energia fóssil) é um dos componentes que mais contribui para o aumento da pegada ecológica e para a incapacidade de regeneração do Planeta. O mundo cresceu no último século explorando uma fonte de energia não-renovável e poluidora.

Porém, a Terra oferece fontes limpas, abundantes e renováveis de energia que não são utilizadas adequadamente e não afetam negativamente a pegada ecológica. A irradiação do sol fornece 10 mil vezes mais energia do que a utilizada atualmente pela humanidade. A força dos ventos sozinha é capaz de mover, com sobra, toda a economia mundial.

Diversos países já perceberam que precisam abandonar a dependência do petróleo e do carvão e precisam reduzir a emissão de CO2 e demais gases que provocam o efeito estufa e o aquecimento global. A despeito do fiasco das negociações da COP/15 em Copenhague, os investimentos em fontes alternativas de energia e no processo de descarbonização do sistema produtivo já começou.

Uma das grandes novidades na área de energia tem vindo da China. Segundo Thomas Friedman (NYT, 09/01/2010 – ver a referencia do artigo abaixo traduzido no Estadão) o país mais populoso do mundo pretende liderar a Revolução Verde na área de energia. Em parte, esta preocupação do governo chinês decorre de uma questão de segurança energética. Mas parece que os dirigentes chineses perceberam que a Revolução Verde na área de energia é o caminho para reduzir a emissão de CO2, gerar empregos verdes, combater a pobreza, manter o desenvolvimento econômico, elevar a qualidade de vida da população e colocar o país na liderança da economia mundial.

A China saiu do seu modelo maoista de comunas socialistas com baixíssimo consumo, para uma sociedade consumista, altamente dependente de energia fóssil e poluidora. O novo modelo chinês privilegia o desenvovimento e o consumo e, neste sentido, existe uma dúvida se o país está no limiar de uma nova era ou em uma encruzilhada, cabendo as seguintes perguntas que só poderão ser respondidas no médio e longo prazo: Será que a China conseguirá elevar o consumo da sua imensa população e reduzir a emissão de carbono e seus efeitos sobre o aquecimento global? Liderar a revolução verde no setor de energia vai contrabalançar a alta exploração dos recursos naturais? Qual será o efeito líquido do aumento simultâneo do consumo e da redução da emissão de gases de efeito estufa sobre a pegada ecológica da China? Em que medida a revolução verde na área de energia poderá contribuir para a redução da pegada ecológica em outros países e na média mundial?

Referencias:
Relatório Planeta Vivo 2008
http://assets.wwf.org.br/downloads/sumario_imprensa_relatorio_planeta_vivo_2008_28_10_08.pdf
http://assets.panda.org/downloads/lpr_2008_portuguese_final_lores_2_.pdf

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Definição de Pegada Ecológica segundo o WWF-Brasil

“A Pegada Ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida. Em outras palavras,a Pegada Ecológica é uma forma de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade ‘utiliza’ , em média, para se sustentar.
Para calcular as pegadas foi preciso estudar os vários tipos de territórios produtivos (agrícola, pastagens, oceanos, florestas, áreas construídas) e as diversas  formas de consumo (alimentação, habitação, energia, bens e serviços, transporte e outros). As tecnologias usadas, os tamanhos das populações e outros dados, também entraram na conta.
Cada tipo de consumo é convertido, por meio de tabelas específicas, em uma área medida em hectares. Além disso, é preciso incluir as áreas usadas para receber os detritos e resíduos gerados e reservar uma quantidade de terra e água para a própria natureza, ou seja, para os animais, as plantas e os ecossistemas onde vivem, garantindo a manutenção da biodiversidade.
Composição da Pegada Ecológica
* Terra Bioprodutiva: Terra para colheita, pastoreio, corte de madeira e outras atividades de grande impacto.
* Mar Bioprodutivo: Área necessária para pesca e extrativismo
* Terra de Energia: Área de florestas e mar necessária para a absorção de carbono.
* Terra Construída: Área para casas, construções, estradas e infra-estrutura.
* Terra de Biodiversidade: Áreas de terra e água destinadas à biodiversidade.
De modo geral, sociedades altamente industrializadas, ou seus cidadãos, “usam” mais espaços do que os membros de culturas ou sociedades menos industrializadas.
Suas pegadas são maiores pois, ao utilizarem recursos de todas as partes do mundo, afetam locais cada vez mais distantes, explorando essas áreas ou causando impactos por conta  da geração de resíduos.
Como a produção de bens e consumo tem aumentado significativamente,
o espaço físico terrestre disponível já não é suficiente para nos sustentar no elevado padrão atual.
Para assegurar a existência das condições favoráveis à vida precisamos viver de acordo com a ‘capacidade’ do planeta, ou seja, de acordo com o que a Terra pode fornecer e não com o que gostaríamos que ela fornecesse. Avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é essencial, pois só assim poderemos saber se vivemos de forma sustentável”.
http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/pegada_ecologica/o_que_e_pegada_ecologica/

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Quem é que dorme agora?
Thomas Friedman  
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,quem-e-que-dorme-agora,494956,0.htm




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Comentários (5)
  • Rafael Reinehr  - E o cobre, e o manganês...
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    Prezado José Eustáquio, quando tiveres um tempo, assista com sua esposa o Crash
    Course de Crhis Martenson. Encontrá-lo-á no You Tube facilmente. São 20 vídeos
    que, pelo menos, fazem pensar.

    Mesmo que não nos deixemos levar pela visão fatalista do autor, fiquei
    interessado em saber o que fazer em relação a metais como o cobre e o alumínio,
    por exemplo, cujo pico de extração parece já ter sido atingido, bem como do
    manganês, só para citar alguns.

    Sim, me preocupo muito com a matriz energética, mas nossa vida como a conhecemos
    hoje depende de variáveis bastante complexas. O petróleo hoje é utilizado para
    praticamente tudo (plásticos, indústria de cosméticos, farmacêutica,
    alimentícia). O caos que haverá na agricultura quando se tornar insustentável a
    utilização de agrotóxicos (todos derivados do petróleo) devido aos altos custos
    (este tempo já está chegando) levará à morte de milhões de pessoas pelo mundo.

    E as informações continuarão sendo distorcidas pelos meios de "desinformação
    em massa", que reproduzem apenas aquilo que é interessante aos olhos de quem
    comanda o jogo.

    Enquanto isso, por aqui, tento fazer parte de um grupo de pessoas que busca,
    cada vez mais, a auto-suficiência (alimentar, energética e, até mesmo nos
    produtos de limpeza domésticos) e, sempre que possível, e de todo modo possível,
    aumentar a resistência aos desserviços que nos são feitos pela mídia de massa.

    Um abraço e obrigado pelo ótimo texto.
  • José Eustáquio Diniz Alves  - Decrescimento versus desenvolvimento
    avatar
    Olá Rafael,

    Eu li e vi o material que voce mandou. Acho que tem muita coisa interessante,
    embora como voce falou existe uma certa escatologia.
    Eu ainda acredito que as mudanças tecnológicas podem resolver muitos problemas.
    Por exemplo, se dizia que o cobre ia acabar por necessidade de transmissão de
    energia e dados, mas as fibras óticas substituiram o cobre com muitas vantagens.
    Quanto ao decrescimento econômico como alternativa ao desenvolvimento acho
    interessante mas dificil de executar, pois os Tratados Internacionais consideram
    o desenvolvimento um direito dos povos.
    Certamente teremos de decrescer as atividades poluidoras, mas não vejo como não
    crescer e ampliar as atividades não poluidoras e não agressoras do meio
    ambiente.
    Por exemplo, a energia fóssil vai decrescer, mas a energia renovável (solar,
    eólica, etc.) vai crescer e ser uma alternativa de emprego decente e verde...
    Seguimos,
    Abs, JE
  • Rafael Reinehr  - Seguimos...
    avatar
    Seguimos, crenças um bocadinho diferentes, pragmatismo e idealismo sempre se
    chocando mas, ambos, com olhar atento e arguto ao desenrolar dos
    acontecimentos...

    Abraços,

    RR
  • Fabio  - Verdejando
    Verde que te quero ver-te...

    O mundo precisa de verde, energia verde, alimentos verdes...

    Fabio
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