Eco-responsabilidade: ações em casa, no trabalho e na sociedade. E-mail
Ecologia - Mundo 2.0
Por Paulo Ricardo Colacino e Lício   
04 de outubro de 2008

No artigo passado fiz uma colocação que seguirei repetindo, pois acredito ser ela uma verdade incontestável. Em outras palavras a Terra continuará a existir sem nós. Todas ações ecológicas que tomarmos tem como foco a nossa sobrevivência. Nós temos que salvar a nós mesmos, pois o planeta seguirá por bilhões de anos mesmo sem nós. A eco-responsabilidade é o termo que utilizarei para representar a postura humana, diante da consciência de seu papel frente aos desafios que estamos enfrentando.

Ser eco-responsável é preocupar-se com as mudanças climáticas. Ser eco-responsável é preocupar-se com a extinção de animais. Ser eco-responsável é preocupar-se com toda a cadeia de relações entre nós e o meio ambiente. Ser eco-responsável é saber que cabe a nós ações concretas para garantirmos a sobrevivência humana na Terra. Ser eco responsável é ter a consciência primeira que estamos salvando não o planeta e sim a nós mesmos.

E como podemos demonstrar nossa eco-responsabilidade? Basicamente temos três lugares onde passamos grande parte de nosso tempo: nossa casa ou família, nosso trabalho e os demais meios sociais os quais integramos. É nesses lugares em que podemos através de nossa postura e da articulação social e política, conduzir as ações necessárias para a eco-sustentabilidade da vida.

Locais de atuação

Antes de sabermos o que fazer, que é a preocupação da maioria, temos que ter a consciência desses dois pontos: QUEM IRÁ FAZER (nós !) e ONDE IRÁ FAZER.

Nossa casa, nosso lar, a princípio seria o primeiro lugar. Antes de pensar que devemos mudar tudo da noite para o dia e influenciar nossos familiares, devemos mudar nossos próprios atos. Pense nas questões ecológicas relacionadas ao seu comportamento. Alguns exemplos:

  • Como eu me desloco de minha casa para a escola, trabalho e lazer? Seria possível racionalizar esses deslocamentos diminuindo minha contribuição para a redução da emissão de gases e utilização de recursos energéticos não renováveis (petróleo, gás) ?
  • Como eu me alimento? Que tipos de alimento consumo? Eu compro mais alimentos do que eu necessito? Costumo jogar alimentos estragados por que esqueci de comê-los? Meus hábitos alimentares estão ligados à modos de produção nocivos ao meio ambiente? Eu procuro equilibrar minhas alimentações, evitando alimentos não produzidos próximo de onde resido, evitando assim incentivar a compra de alimentos de localidades distantes (transporte e emissões de CO2)?
  • Como é meu hábito de consumo? Pense sobre as coisas que o rodeiam. O quanto elas realmente são necessárias? Veja se não há algo que pode dar, doar, trocar ou mesmo vender para alguém que esteja interessado. Isso faria com que algo que não tem mais utilidade para você fosse útil para outra pessoa, eliminando a necessidade dessa consumir novos produtos, que seriam fabricados e consumiriam recursos energéticos e seriam responsáveis por novas emissões.

No trabalho também podemos influenciar pessoas com nossa própria postura bem como articular para que ações eco-responsáveis sejam difundidas entre equipes e empresas. Esteja você em qualquer escalão da hierarquia corporativa sempre é possível fazer algo. Uma idéia como “vamos criar lixeiras para separarmos o lixo reciclável do orgânico?” pode ser aproveitada e fazer com que outros participem.

Na sociedade, seja nos clubes, nos grupos de amigos, nas Igrejas, entre outros, podemos também atuar de forma a incentivar políticas e ações eco-responsáveis. Seja uma ação conjunta, seja um evento ou uma palestra de sensibilização, é possível utilizar a força de grupos, que agindo juntos, acabam por inspirar outros grupos e pessoas. Se a união faz a força, nas questões de responsabilidade ecológica, não é diferente.

Agir sozinho em sua casa ou no trabalho, ou em grupo nos meios sociais em que participa, sempre será uma atividade na qual o objetivo final é tornar nosso mundo habitável, garantindo nossa permanência (sobrevivência) e das gerações futuras. Creio ser importante passar esses conceitos em qualquer tarefa que vir a desenvolver. Estamos salvando a nós mesmos, tentando superar os desafios de sustentabilidade impostos por nosso planeta. Muitos desses desafios foram criados por nós mesmos, daí a necessidade de nos eco-responsabilizarmos.

As mudanças estão ao nosso alcance. Existem desafios dos mais diversos. Vamos nos concentrar naqueles que estão ao nosso alcance. Não adianta tentarmos mudar o mundo, sem mudarmos pequenas coisas, começando por nós mesmos, nossa casa, nosso trabalho e depois os grupos sociais dos quais participamos.

Como a Madre Tereza de Calcutá disse certa vez “faça poucas coisas, mas faça-as com amor.” Nos próximos artigos desenvolverei melhor sobre o que fazer em nossas casas.

Comentários
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Solange Ayres     |05-10-2008 04:19:42
avatar Caro Paulo. Suas observacoes estao corretíssimas e nao faria nenhuma objecao a elas, mas falando de Brasil, as coisas ficam muito no gogó e pouco na acao. Acho, mas acho seriamente que a grande iniciativa teria que ser organizada pelo poder público: pensar ecologicamente é fácil o difícil é implementar medidas como por exemplo a coleta seletiva do lixo. Mais difícil ainda é a conscientizacao que o lixo tem que ser separado corretamente. Isso demanda uma grande campanha educacional e aí entra o indivíduo e o que voce coloca acima deveria ser... programa OBRIGATÓRIO nas escolas de TODOS OS NíVEIS, isso durante décadas até chegarmos aos níveis razoáveis de conscientizacao e acao. No Brasil vejo um grande problema: a ontinuidade. Uma acao, iniciada por cidadaos ou Estado comeca e nao ha absolutamente nenhuma continuidade e o que um governo ou comunidade fez em alguns anos é abandonado e o próximo político nao quer saber mais, pois o mérito vai para o político antecessor e ele quer fazer diferente e destrói o que tinha comecado. Moro na Alemanha e aquí nem sempre sao flores, mas o Estado Alemao se encarrega das leis e do cumprimento das leis e os cidadaos, na grande maioria estao de acordo (no que diz respeito a preservacao do meio ambiente). Mas nem sempre foi assim.Hoje educacao ambiental faz parte do curriculo escolar e as novas geracoes estao pensando ecologicamente. Ai de voce se tira o sapato para matar uma aranha, como EU vivi na minha aula de ginástica. Ninguém quiz matar o aracnídeo, somente o colocaram cuidadosamente para o lado de fora. E eu la, ja de sapato em riste. A gente aprende mesmo depois de uma certa idade que as coisas podem ser de outra maneira. Um abraco d`Este País-Alemanha
Solan ge
Rafael Reinehr  - Inércia e Estado     |05-10-2008 10:09:40
avatar Solange, grande parte da inércia em relação às questões ambientais - e me atrevo a dizer, em relação à todas as questões sociais - se deve justamente ao fato de esperarmos pelo Estado se envolver e resolver as coisas. Na verdade, não precisamos do Estado para nada. Na verdade, ele é um grande atrapalhador de várias situações. Não quero fazer uma análise superficial por aqui, mas a carga que o Estado nos impõe é muito mais do que suficiente para resolver toda e qualquer questão social, quer seja aqui no Brasil quanto aí na Alemanha, mas o peso mastodôntico da própria máquina estatal não permite que isso aconteça. Em mais alguns dias você conhecerá uma ferramenta que tentará mudar as coisas sem a necessidade do estado envolvido para que as coisas "aconteçam". E espero que te envolvas tão ardentemente quanto o fazes aqui no OPS!

O texto do Paulo está maravilhoso e em completa consonância com o que está sendo arquitetado. Mais alguns dias e coloco aqui o link para conheceres.
Solange Ayres   |05-10-2008 10:49:49
avatar Olha,o meu texto tinha continuidade, mas nao coube e eu o encurtei. Deus me livre de pensar que só o Estado resolvera as coisas sozinho! Os cidadaos tem também que agirem como os motores da mudanca. Fico aquí pensando o governo atual, que poderia ter acoes de fato nesse sentido, integrando os cidadaos, coordenando acoes, sendo o sujeito das mudancas,(nao foi prometido?),claro apoiado pelo povo. Mas que "povo" é esse que faz as mudancas? Onde acha-lo? Quais suas propostas? Eu acho que somente com a educacao podemos mudar esse país-Brasil e teremos que ter paciencia, pois os frutos dela nao vao aparecer da noite para o dia. As próximas geracoes colherao o que for plantado hoje.
Solange
Rafael Reinehr  - Vamos plantar então!     |05-10-2008 11:02:39
avatar Pois então, pegue suas ferramentas de jardinagem pois vamos começar a plantar! Ainda quero, eu mesmo, experimentar os frutos desta plantação!
Solange Ayres   |05-10-2008 12:37:04
avatar Guloso e apressado.Rara!! Na próxima semana estarei trabalhando no meu jardim da casa nova. Vou plantar um jardim diferente que terá frutas da floresta e que dao maravilhosas geléias. Terei que esperar pacientemente 2 anos até que elas crescam e possam dar frutas. Mas a gente tem paciencia e alguns anos de vida pela frente. Estou curiosa com "as suas novas propostas". Vai, desembucha, so!
Paulo Ricardo Colacino e Lício   |06-10-2008 10:32:42
avatar Solange

Suas colocações estão corretas = o ESTADO tem seu papel de agente organizador, mobilizador e propulsor de ações educacionais para promover a evolução dos conceitos e valores de uma sociedade através da educação.

Assim como acredito que nós, individualmente, diante da consciência que tomamos através do convívio com pessoas, da mídia (quem diria!), das leituras e auto-estudo, somos membros ativos e podemos articular mudanças.

O primeiro passo é mudarmos nós mesmos, nosso conceitos, nossos paradigmas e irradiarmos isso. O governo é reflexo das unidades. Raros foram os líderes que realmente propuseram quebras de paradigmas.

Lula trouxe a experiência dele e a visão do mundo da época em que ele conviveu com o militarismo, com as restrições de liberdade, com a fome, etc etc. Hoje ele tenta aplicar parte do que ele acredita ser bom para o país.

O certo e o bom mudam com o tempo e depende da retaguarda educacional como você mencionou. De toda forma não acredito ser apenas ela, e o ESTADO (seu responsável) os propulsores das grandes mudanças.

A evolução de uma sociedade acontece através da evolução de seus indivíduos que coletivamente criam e co-criam novas realidades.

Está na hora de cada um assumir a responsabilidade. Sermos responsáveis por nós mesmos, por nossas mudanças, por nossa evolução.

O poder de organização vem de cima. O poder de mudança, está dentro de cada um.

Grande abraço

Paulo Ricardo
Verve   |189.44.11.xxx |06-10-2008 16:28:42
Nós criamos o Estado ou o Estado nos criou?



Sendo assim quem deve criar as mudanças? O Estado ou nós?
Rafael Reinehr  - Deus criou o homem ou o Homem criou a deus?     |06-10-2008 22:02:40
avatar Às vezes me pergunto se Deus criou o homem ou o Homem criou a deus. Estou mais propenso à segunda opção, mas tenho por "deus" este Uno e Indivisível que prefiro chamar tão somente de Natureza...
Paulo Celso  - Nós no planeta   |189.94.167.xxx |27-10-2008 21:28:27
Concordo com você Paulo Ricardo. Acho que seria absurdo o homem acreditar que seria capaz de destruir o planeta. Acredito que tudo tem seu fim, seu tempo, com o nosso planeta, não será diferente. O que estamos fazendo vai é tornar cada vez mais difícil nossa sobrevivência. Nossa ganância será responsável pela nossa destruição. A grande concentração de riqueza nas mãos de poucos e a grande pobreza que assola a maioria da população é que está destruindo a possibilidade de vida humana na terra. Para mim todos os problemas e soluções citados muito bem por você, poderiam ser convertidos com uma melhor distribuição de condições de vida. É impossível viver bem sem um bom sistema público de saúde, sem uma boa educação e principalmente sem valores familiares, tão esquecidos. Acredito estar passando a hora de pararmos de olhar para nossos próprios problemas e pensarmos que somos seres da mesma espécie, com direitos e deveres e os únicos responsáveis pela nossa existência nesse planeta. Superficialmente muitos podem até não sentir os problema que já causamos, mas com o tempo todos nós pagaremos o preço por ter pedido o real sentido da humanidade.
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