Ideologia é perda de tempo

OPS - Editorial

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___Já imaginaram quantas pessoas um professor acaba por influenciar? Quanto respeito suas palavras acabam tendo perante muitos? Imaginem, então, um professor de uma universidade conceituada, como a PUC.
___Imaginem que esse professor também escreve para um jornal. Claro, o número de pessoas que irá respeitá-lo vai crescer. Acrescentando que o jornal é um dos mais importantes do país, a Folha de São Paulo, não preciso nem dizer que a quantidade de seres humanos que pode acabar sendo influenciado por ele chega a ser gigantesca.
___O nome desse professor é Luis Felipe Pondé e, lamento dizer, suas ideias são um pouco podres para alguém que pode ser tão influente e respeitado. Deem uma olhada em um artigo que ele publicou na Folha no mês passado. (Leiam. Pouco mais que uma dúzia de parágrafos. Vale cada momentinho de ânsia.).
 

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SEM ESPERANÇA, de Luis Felipe Pondé
Respondo assim, de bate-pronto, a um aluno: “Não, não tenho nenhum ideal”. Silêncio. Talvez um pouco de mal-estar. Todos ali esperavam uma resposta diferente porque todo mundo legal tem um ideal.
Eu não tenho. É assim? Confesso, não sou legal, nem quero ser. Duvido de quem é legal e que tem um ideal. Esperança? Tampouco. E suspeito de quem queira me dar uma.
De novo respondo assim, de bate-pronto, a outro aluno: “Não, não quero mudar o mundo, nem mudar o homem, muito menos a mulher, a mulher, então, está perfeita como é, se mudar, atrapalha, gosto dela assim, carente, instável, infernal, de batom vermelho e de saia justa”.
Mentira, esta última parte eu acrescentei agora, mas devia ter dito isso também. Outro silêncio. Talvez, de novo, um pouco de mal-estar. Espero que falhem todas as tentativas de mudar o homem.
Não saio para jantar com gente que quer mudar o mundo e que tem ideais. Prefiro as que perdem a hora no dia que decidiram salvar o mundo ou as que trocam seus ideais por um carro novo. Ou as que choram todo dia à noite na cama.
Tenho amigos que padecem desse vício de ter ideais e quererem salvar o mundo, mas você sabe como são essas coisas, amigo é amigo, e a gente deve aceitar como ele (ou ela) é, ou não é amizade.
Perguntam-me, estupefatos: “Mas você é professor, filósofo, escritor, intelectual, colunista da Folha, como pode não ter ideal algum ou não querer mudar o mundo?”. Penso um minuto e respondo: “Acordo de manhã e fico feliz porque sou isso tudo, gosto do que faço, espero poder fazer o que faço até o dia da minha morte”.
Perguntam-me, de novo, mais estupefatos: “Mas você está envolvido no debate público! Pra quê, se você não quer mudar o mundo?”. Sou obrigado a pensar de novo, outro minuto (afinal, são perguntas difíceis), e respondo: “Participo do debate público pra atrapalhar a vida de quem quer mudar o mundo ou de quem tem ideais”.
Os intelectuais e os professores pegaram uma mania de ser pregadores, e isso é uma lástima. Inclusive porque são pessoas que leem pouco e que são muito vaidosas, e da vaidade nunca sai coisa que preste (com exceção da mulher, para quem a vaidade é como uma segunda pele, que lhe cai bem).
O que você faria se algum professor pregasse o evangelho ao seu filho na faculdade? Provavelmente você lançaria mão de argumentos do tipo que os intelectuais lançam contra o ensino religioso: “O Estado é laico e blá-blá-blá… porque a liberdade de pensamento blá-blá-blá…”. Se for para proibir Jesus, por que não proibir qualquer pregação?
Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo em sala de aula e toda aquela bobagem de luta de classes e sociedade sem lógica do capital? Isso não passa de uma crendice, assim como velhas senhoras creem em olho gordo.
Nas faculdades (e me refiro a grandes faculdades, não a bibocas que existem aos montes por aí), torturam-se alunos todos os dias com pregações vazias como essas, que apenas atrapalham a formação deles, fazendo-os crer que, de fato, “haverá outro mundo quando o McDonald”s fechar e o mundo inteiro ficar igual a Cuba”. Esses “pastores da fé socialista” aproveitam a invenção dessa bobagem de que jovem tem que mudar o mundo para pregarem suas taras. Normalmente, a vontade de mudar o mundo no jovem é causada apenas pela raiva que ele tem de ter que arrumar o quarto.
E suspeito que, assim como fanáticos religiosos leem só um livro, esses pregadores também só leem um livro e o deles começa assim: “No princípio era Marx, e Marx se fez carne e habitou entre nós…“.
Reconhece-se uma pregação evangélica quando se ouve frases como: “Aleluia, irmão!”. Reconhece-se uma pregação marxista quando se ouve frases como: “É necessário destruir o mundo do capital e criar uma sociedade mais justa onde o verdadeiro homem surgirá”. ___Pergunto, confesso, com sono: “E quem vai criar essa sociedade mais justa?”. Provavelmente o pregador em questão pensa que ele próprio e os seus amigos devem criar essa nova sociedade.
Mentirosos, deveriam ser tratados como pastores que vendem Jesus e aceitam cartão Visa.
(
Folha de São Paulo, VI/2010)

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___Acredito que qualquer um que tenha conseguido entender a adaptação infantil de O Patinho Feio, rebateria, sem dificuldade, os argumentos de Pondé. Só de graça eu diria para o pobre professor tentar descobrir o que é “ideal” (e falo isso sem precisar sair do primeiro parágrafo do texto do infeliz).
___Entretanto, ao invés de ficar longamente me digladiando contra os rabiscos do professor Pondé, prefiro terminar o texto com uma tirinha genial que o Laerte publicou recentemente.

66 - Laerte


 



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Comentários (8)
  • Solange Ayres  - Medíocre
    avatar
    Me surpreende a capacidade desse que se diz "professor" de ser tao
    sincero a ponto de exteriorizar a sua mediocridade e pequenez.Me faltam
    palavras. Aquí na Alemanha, se um professor fizesse uma exposicao pública do
    tamanho que ele fez seria execrado e desacreditado por todos, inclusive por seus
    alunos e jamais conseguiria um posto de trabalho em intituicao pública ou
    privada, pois envergonharia a todos. Eu disse envergonharia. Nao estamos falando
    de censura do que se pensa, mas tamanho absurdo nao precisaríamos pagar para
    ler, já que ele escreve para um dos jornais mais importantes do país. Só nos
    resta abanar a cabeca, assim como muitos de nós fizemos quando outro tal
    jornalista, "formador de opiniao" e moralista Boris Casoy, ao ouvi-lo
    expressar sobre os nossos bravos e respeitáveis trabalhadores da coleta de
    lixo.

    Saudacoes



    D`Este País, Alemanha

    Solange Ayres
  • mayara  - Vergonha
    O Ponde é um pedante, arrogante, supõe ele, que suas opiniões são muito
    agregadoras e talvez, de fato o sejam para alguns.Eu tive o desprazer de ler
    este artigo na folha, e desde eñtão não o leio, isso porque já havia lido outros
    artigos dele bastante preconceituosos, o que é triste é que muita gente pensa
    dessa forma, ele é só mais um expoente.
  • Fernando Cunha
    avatar
    Isso é tão feio que dá para querer pensar que é ironia...




    Não é ironia???




    Como assim, ele escreveu realmente isso???




    :o



    !!!
  • Roy Frenkiel  - Entendo a necessidade de ideais
    Entendo perfeitamente a necessidade de ideais no mundo, mas se bem entendi o
    artigo, entendo o Ponde. O que me parece dizer e que ideais e religiao sao a
    mesma coisa, e uma pregacao e aceita academicamente enquanto a outra (ao menos
    em alguns paises) e rejeitada. A fe em Jesus e a fe no Marxismo sao, de fato,
    quase a mesma coisa e podem gerar mesmos estimulos reativos e reacionarios nas
    pessoas.



    Nao compartilho de sua maxima de nao querer o mudar o mundo, mas entendo o que
    ele diz. As pessoas nao precisam querer mudar o mundo. A propria evolucao e o
    proprio desenvolvimento sao parte de um trajeto unico, do qual a
    "mudanca" radical nao se enquadra.



    Entendo seus protestos, mas entendo o professor. E nao acho que suas ideias,
    nesse sentido, estejam mortas, e sim acabando de nascer.



    abraxao



    RF
  • Anônimo
    Muito sábio e corajoso esse professor, expor assim abertamente sua lucidez sobre
    a condição humana...mas talvez essa exposição seja no fundo um ideal, uma
    esperança para ele, de ver um mundo sem milhões de malucos tentanto impor aos
    outros seu ideal de homem justomperfeitamente feliz.
  • Anônimo  - Não entendi a revolta
    Deve ser apenas por esse texto incomodar a fé inabalável de pessoas que
    acreditam num paraíso após a morte, ou que é possível mudar a humanidade para
    melhor com apenas boa vontade...

    Eu me identifiquei com o pensamento do professor, e assim como ele demonstra
    ser, eu também me sinto feliz e confortavel em minha vida sem ideologias, apenas
    curtindo um dia após o outro em companhia do que escolhi para minha vida, poucos
    bons amigos, livros,animais, passeios, música... a vida é bela nesse sossego...
    e a humanidade??? essa já era... me esforço se houver um imenso cataclismo quase
    tudo se acabar e eu sobreviver... enquanto isso não acontece vou gozando das
    simples belezas da vida.
  • Ulisses Adirt
    avatar
    Queridos Anônimos, vcs não percebem nem que isso que vcs creem já é uma ideologia?
  • leandro cavalcanti  - Ideal
    Estou pesquisando justamente sobre o Ideal e Sua importância como alavanca ética
    para a sociedade moderna para um trabalho de faculdade. Pondé não erra ao
    declarar todo o blá, blá,blá ideológico, repetitivo e impositivo. Muitas pessoas
    simplesmente repetem como cd gravado os mesmos discursos ideológicos das últimas
    décadas como se fosse o que "salvaria o mundo". O assunto requer muita
    ponderação. Muitos Ideais podem atrazar o desenvolvimento da humanidade.
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  • Pad LuizPadi : Existe apenas experiência. Sempre vale a pena tentar :) O Segredo do sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo! O que parece apenas um erro consiste em uma oportunidade que a vida oferece para melhorar. Ressignifique: O que tenho a aprender com isto? Depende de você! Como na música: «link» «link» Aprender com erros alheios Economiza tempo e energia Mudar faci
  • Nelson Brasi : «email»
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