As coisas são mais importantes que as pessoas?
As coisas parecem ter se tornado mais importantes – e são tratadas melhor – do que as pessoas. Como seria um mundo em que esta ênfase fosse revertida?
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| É rock é punk é protesto e poesia. Bravo Toten Hosen! |
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| Por Solange Ayres | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 28 de novembro de 2008 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Alemão dá rock? A língua usada por filósofos, também pode traduzir outros sentimentos...
Quando cheguei à Alemanha, a primeira coisa que tentei fazer foi entrar em contato com a música, e como em outras culturas, espelha parte dessa sociedade. Sem falar um “a” em alemão, ligada na MTV, via os clips e pela primeira vez ouvi “Zehn Kleine Jagermeister” de autoria do grupo “Die Toten Hosen”. Curiosa para saber o que aquele grupo berrava, fui correndo comprar o disco para traduzir as letras, afinal, no mundo das pedras rolando, alguém cantando em alemão, poderia ser interessante.
Die Toten Hosen é um banda de rock ativíssima de Düsseldorf e está a quase 25 aos na estrada. Eles têm suas origens no movimento Punk dos anos 80, quando a banda foi fundada e ao pé da letra: “Calças mortas”, termo usado nos anos 60 e 70 para designar alguém que fosse fracote, ou aborrecido. O grupo composto de autodidatas na música canta basicamente textos em alemão, em estilo punk, usando instrumentos básicos: guitarra, bateria, tocada alta velocidade, cantados por um vocal rouco. Os textos podem ser de estilo poético, ou niilísticos como na cancao “Unsterblich”, Imortal, ou em “Mein Großter Feind” ou em“Meu maior inimigo. Até hoje, o grupo, já vendeu mais de 22 milhões de disco e são conhecidos nos Eua e Austrália. Já deram até um concerto perto da terra Brasilis, na Argentina.
Os fundadores do grupo: Campino, vocalista e lider do grupo, Andreas von Holst Andreas Meures, Michael Breitkopf, Trini Trimpop e Walter November. Seu primeiro concerto com o nome oficial realizou-se numa noite de outono de 1982 Die Toten Hosen sempre tiveram algo a ver com religião e não era de hoje, quer no título “Opium fürs Volk” Ópio para o Povo – 1996, que começa com canto gregoriano e depois desce a crítica:“Ich dulde kein Götter neben mir”, Eu não tolero nenhum Deus perto de mim. No ano de 1983, sob a direção de Wolfgang Büld, numa igreja da Bavária, eles rodaram o clipe “Eisgeküllter Bommerlunder”, Gelada Bommerlunder - Bommerlunder é uma bebida de teor alcoólico, feita de uma frutinha amarga. O clipe é feito a partir de cenas de um casamento no qual há várias situações desagradáveis, os noivos e convivas chegam bêbados provocando um caos na cerimônia. Ele foi por muito tempo boicotado pela mídia. Depois de rodado o vídeo, a população achou por bem... “benzer a igreja”.
Die Toten Hosen ganhou o meu sincero respeito quando traduzir a primeira letra: “Fünf vor Zwölf”, Cinco para a meia noite, do disco “125 Jahre Die Toten Hosen”, nela Campino se desculpa e se envergonha de um ataque racista contra um turco, em um quiosque onde eles sempre compravam suas verduras e, às vezes tomavam uma cerveja juntos. Ele descobre um dia que a loja de Erdal foi fechada e ele estava hospitalizado por causa de agressões racistas. Erdal – kanns Du mich hören? Ich halt zu Dir! Ich möchte Dir nur sagen, ich schäme mich dafür! Was auch immer hier passiert Erdal, Du kommst aus der Turkei und wer hier gegen ihn, ist auch mein Feind.
Erdal, você pode me ouvir? Eu estou do seu lado Eu gostaria somente de dizer, eu me envergonho porisso! O que aconteceu aqui Erdal, você veio da turquia e quem aqui estiver contra ele, é também meu inimigo.
Esses alegres e bem humorados punks gravaram em 1991, no Rio de Janeiro, o seu primeiro álbum em inglês, “Learning English Lesson One”, Aprendendo inglês, Lição Número Um e da canção “Carnival in Rio“ fizeram um clipe rodado com o maior ladrão de banco da terra exilado no Brasil e ainda saudável Ronald Bigs, em cenas no bondinho de Santa Tereza. Campino e seus companheiros não levaram do Rio boas impressões. Depois de 5 horas de discussão, os fiscais da alfândega não quiseram liberar as câmeras de filmagem, exigindo altos impostos para que os aparelhos entrassem no Brasil. As cameras foram do aeroporto mandadas de volta à Alemanha e eles rodaram o clipe no “jeitinho brasileiro”, com cameras emprestadas. Claro que eles chamaram a atenção com o álbum na... Inglaterra, onde o senhor Biggs era procurado. O álbum foi cartão de visitas para que eles entrassem definitivamente no cenário internacional. Letra de “Punk was (Carnaval in Rio) “Punk was criminal, punk was a icon and so was our favourite fugitive Ron.” Punk foi criminoso, punk foi ícone como nosso fugitivo favorito Ron (Ronald Biggs) Acredito que o clipe não foi visto no Brasil o grupo é mais conhecido dentre os amantes da música punk e heavy metal.
Em 1997 em um concerto realizado em Düsseldorf, quando a banda tocava para mais de 60 mil pessoas, uma adolescente de 16 morreu em conseqüência de um empurra empurra próximo ao palco. Eles interromperam o show e cancelaram todos os outros e só voltaram a cantar seis meses depois, não mais em grandes estádios. No ano seguinte no seu álbum simples D-Seite foi dedicada a canção “Alles eis eins”, uma homenagem póstuma, à adolescente. Em junho de 2007 junto com outros músicos e cantores como Herbert Grönemeyer, Fantastischen Vier, Bono, Bob Geldof participaram do concerto em Rostock “Deine Stimme gegen Armut”, Sua voz contra a pobreza. O show foi uma ação de protesto contra o encontro do G8, os oito países mais ricos, realizado em Heiligendamm. 80 mil pessoas marcaram sua presença.
Ah, mas esses garotos estão em cena para outras causas como o projeto de refugiados, o “Pro Asyl”, uma organização de defesa dos direitos humanos, em favor dos perseguidos em outros países, que residem na Alemanha e Europa. Em entrevista a edição de novembro da edicao do Pro Asyl, Campino relata o trabalho do grupo contra os radicais de direita e contra aqueles que acham que o Holocausto não existiu. Campino disse que a luta custa nervos e força, mas eles não vão esmorecer. Bravo Jungs!* Não só para as suas atuações no palco como na vida real.
Unsterblich Discografia de “Die Toten Hosen”, todos na minha coleção:
1983: Opel-Gang 1984: Unter Falscher Flagge 1986: Damenwahl 1988: Ein kleines bisschen Horroschau 1990: Auf dem Kreuzzug ins Glück 1991: Lerning Englisch Lesson One 1993: Kauf MICH! 1996: Opium fürs Volk 1999: Unsterblich 2002: Auswärtsspiel 2004: Zurück zum Glück 2008: In aller Stiller http:www.dietotenhosen.de/inallerstille/ * Bravo jovens Fonte: DTH/Pro Asyl
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