Caminhar, branco e criança, na lua
Agora Michael pode realmente caminhar na lua, pode ser branco, poder ser Peter.
Agora Michael pode realmente caminhar na lua, pode ser branco, poder ser Peter.
Sabe quanto você acorda com vontade de fazer a diferença no mundo? Muitas vezes sabemos o que queremos fazer, ou onde pretendemos chegar, mas não sabemos como fazê-lo e tampouco temos as ferramentas ou o auxílio necessário para promover a mudança.
A obra de alguns artistas propaga-se pelo mesmo motivo que o cogumelo do sol faz sucesso: ambos são inócuos.
Duas ideias simples, aparentemente naive, para um melhor porvir
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| No domingo fui ao cemitério |
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| Por Solange Ayres | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 18 de outubro de 2008 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Ninguém em sã consciência sai de casa e vai voluntariamente a um cemitério, assim num domingão de outono, sem ser dia de finados nem enterro de parente ou amigo. Ou...? Ao contrário do que vocês pensariam, o cemitério estava cheio...
Ninguém em sã consciência sai de casa e vai voluntariamente a um cemitério, assim num domingão de outono, sem ser dia de finados nem enterro de parente ou amigo. Ou...? Ao contrário do que vocês pensariam, o cemitério estava cheio... Was die Erde gab Begeht sie wieder Und was Staub gewesen Wird zu Staub Doch die Seele stieg Vom Himmel wieder Wohl der Gottheit Keines Totes Raub Unsere Tränen Fallen auf den Hügel Den geliebten Überrest bedeckt Doch des Glaubens Gold beschwingte Flügel Trägt uns aufwärts Wo kein Grab Mehr schreckt
O que a terra deu Quer de volta E o que era pó Volta ao pó Ainda a alma sobe Volta ao céu Salva por Deus Nenhum morto rouba Nossas lágrimas Caem sobre o túmulo Do ente querido Já coberto Ainda a crença Que, nas asas de ouro Transporta-nos para frente Onde nenhuma sepultura Não mais assusta*
F.F. Wallraf um 1810
Não, não havia enterro, e sim muitos turistas. Eles como eu, resolveram associar uma caminhada, pelo parque-cemitério, e fazer uma visita à história. No Melatem, a arte está viva, as obras estão em seu contexto original, e não empoeiram como nos museus. No verão sepulturas e monumentos são envolvidos pelas eras, o musgo cobre a pele frágil e seca das estátuas. No inverno elas são envolvidas por uma capa branca de neve. Podemos observar obras do período clássico, com motivos grego-romanos, também há elementos do gótico inspirados na catedral de Colônia, e ainda, monumentos modernos. A arte dos monumentos atende a todos os gostos. E quem pensa que o “programa de domingo” é só para adultos está enganado. Na cidade de Colônia há o “Melaten für Kinder”, isto é, Melaten para Crianças, de
De leprosário a pátio da inquisição Melaten: O calvário dos vivos
O nome Metaten vem do século XII, do francês “malat”, que significava doente. O local que hoje abriga o cemitério, no ano 1180, existia o “leprosário”, onde os que sofriam do mal da lepra tinham sua moradia. O terreno era cercado e administrado pela Igreja. Aos doentes não era permitido deixar o local pelo temor da disseminação da doença. Em 1529 o pátio de Metaten serviu de local para a realização das execuções dos condenados pelo tribunal da Santa Inquisição. A Inquisição era um tribunal da Igreja Católica instaurado no início do século XIII, para punir aqueles que duvidavam dos seus valores. Dois protestantes foram queimados por acreditar nas pregações de Lutero, um deles, Peter Fliesteden o primeiro mártir protestante, na Alemanha, preso durante a missa ao levantar a hóstia no ano de 1527. No século XVII 30 mulheres somaram-se à lista dos que foram queimados, no que na história denominou de “caça as bruxas”. Bruxas eram aquelas pessoas “suspeitas” de praticar magia eram acusadas de causar prejuízo ou morte de pessoas e animais. A caça às bruxas se deu principalmente na Europa ocidental e foi uma reação histérica da Igreja que dizia que o diabo conspirava contra o cristianismo. Dois terços das vítimas perseguidas eram mulheres. Uma delas, Jacob Henot, foi acusada de... “Causar doenças e morte a várias pessoas” e foi considerada “bruxa”. A inquisição não perdoou. Jacob Henot foi queimada no Melaten. Em 1797, Peter Eich, foi o último a ser morto em seu pátio, acusado de ter furtado a Igreja. Ele foi enforcado diante de uma numerosa platéia. Assim era naqueles tempos. Em 1767 o leprosário foi fechado, pois na Europa a lepra havia sido disseminada, em 1801 serviu como orfanato às crianças sem casa e destino. Com a ocupação francesa em 1794 modificou-se a concepção de sepultamento. Os franceses foram “exemplo” “em matéria de higiene” para os cidadãos da cidade de Colônia, ensinaram a construir canais subterrâneos para o escoamento de esgoto. Neste contexto, em junho de 1804 Napoleão Bonaparte decretou a “lei de sepultamento”, determinando a construção de um cemitério único onde seriam enterrados os mortos de cada cidade. Houve indignação dos cidadãos, que não mais poderiam enterrar os seus entes queridos nos cemitérios das pequenas cidades, vilas e nem nas igrejas por razões de higiene. A tradição alemã de sepultamento rezava que quanto mais perto do altar, as pessoas fossem enterradas, mais perto de Deus estariam na eternidade. Foi então que a administração da cidade de Colônia comprou o terreno do antigo leprosário e o transformou A hierarquia social, dos séculos 19 e 20, pode ser percebida claramente no Melaten. Os ricos eram enterrados no caminho principal denominado “Milionenallen” ou avenida dos milionários. São 55 mil sepulturas numa área de O Melaten se transformou no lugar onde os proeminentes personagens da vida artística, política e cultural de Colônia eram e são sepultados. Descansam o sono eterno entre esculturas e obras de arte músicos, pintores, químicos, políticos, banqueiros, historiadores, escritores e vários carnavalescos famosos como Willy Milovitch e o cabaretista e Wille Ostemann que imortalizou frases em suas canções em dialeto da cidade de Colônia: “...och wat wor dat fröher schön doch en Colonia” (Oh, como antes era lindo em Colônia), suas lápides são testemunhas de 200 anos do “Kölner Karnaval” - Carnaval de Colônia, famoso em toda a Europa. E como é a tradição por aqui, nos carnavais de salão, são contadas anedotas sobre os mortos sepultados no Melaten. É a maneira da cidade reverenciar com alegria e bom humor os seus honorários cidadãos que jazem na eternidade.
Quarta de cinzas: Quando começa o carnaval no cemitério
Bem, depois da visita ao cemitério, vocês irão dizer, ah, lá vem a Solange contar piada de carnaval no cemitério. Pois assim é: depois da quarta-feira de cinzas, quando Bacchus, o Deus da folia é enterrado, como é na tradição por aqui, encontramos novamente os visitantes vindos a pé, de bicicleta, de carro, esperando na porta do cemitério Melaten para entrar. Mas aqui, pontualmente, é o historiador que inicia a sua visita guiada. Parece macabro, mas não é e os presentes vão logo mudar de opinião. Melaten goza de um grande status histórico e o guia debulhara 600 anos de história para os interessados. Na visita todos saberão da biografia dos carnavalescos sepultados, bem como, serão contadas anedotas, comentadas as picardias políticas da época e cantadas canções carnavalescas. A visita é encerrada na lápide do carnavalesco e comediante Willy Milowitch para um “Tschüss Willy”. Tchau Willy! Isto é Colônia. O cemitério de Melaten está indicado em todos os guias turísticos da cidade. Sensenmann, ou o ceifador de vidas, uma alegoria da morte na Idade Média num período em que a peste assolou a Europa. Sua figura assustadora não impediu que pessoas a depredassem – aqui também tem disso – mas ainda assim continua firme com sua ampulheta na mão avisando aos mortais da brevidade da vida.
Seres viventes do cemitério
Melaten hoje é um grande parque rico em centenários plátanos, carvalhos e plantas nativas da flora européia. O seu jardim abriga 40 variedades de pássaros, inclusive uma colônia de papagaios, além de morcegos, aqui protegidos severamente pelas leis, esquilos, raposas, gatos selvagens. Mas não importa as razões de uma visita ao Melaten. Vale a caminhada por entre a arte e cultura e memória dos que já se foram.
* tradução (modesta) Solange Ayres
Fotos: Solange Ayres feitas exclusivas para este artigo do OPS Fonte: Melaten Friedhof
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