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Por Ricardo Montero   
26 de novembro de 2008

Um dos fatores mais importantes de qualquer sistema fotográfico são as lentes ou objetivas utilizadas. A escolha de uma objetiva de características indesejadas ou de má qualidade pode comprometer o resultado final obtido pelo fotógrafo. Por isso, importante conhecer um pouco de objetivas. Para melhor entendimento dos conceitos aqui expressos, tenha em mente que o exemplo utilizado é o de uma câmera 35mm (de película, ou SLR digital full frame). Certamente a teoria também é útil para usuários de outras câmeras, mesmo compactas.

Um dos fatores mais importantes de qualquer sistema fotográfico são as lentes ou objetivas utilizadas. A escolha de uma objetiva de características indesejadas ou de má qualidade pode comprometer o resultado final obtido pelo fotógrafo. Por isso, importante conhecer um pouco de objetivas. Para melhor entendimento dos conceitos aqui expressos, tenha em mente que o exemplo utilizado é o de uma câmera 35mm (de película, ou SLR digital full frame). Certamente a teoria também é útil para usuários de outras câmeras, mesmo compactas.

Os parâmetros básicos de uma objetiva são a distância focal e a abertura máxima.

i) Distância focal, isto é, distância entre o centro ótico da lente e o plano focal onde a imagem é projetada (plano este que consistirá no filme ou no sensor digital). Observe que em lentes zoom, essa distância focal é variável, sendo menor em posição grande angular e maior em tele. Desta distância focal dependerá diretamente o ângulo de visão proporcionado pelo conjunto câmera-lente.

ii) Abertura máxima, que indica a luminosidade da lente. Trata-se de um número puro “n”, indicado na notação “f/n”, consistindo este valor na relação entre distância focal e abertura do diafragma. Números baixos indicam grande luminosidade. Por exemplo, em condições (ISO e tempo de exposição) similares, uma lente com abertura máxima f/2 pode ser utilizada com menos luz que uma f/3.5.

Voltando à distância focal, ela irá determinar não apenas o ângulo de visão obtido, mas também o tamanho da projeção do objeto fotografado sobre o meio sensível. Exemplificando: se uma garrafa gera uma projeção com 0,8 cm de altura com uma zoom posicionada à distância focal de 50mm, com a nova distância focal de 100mm a projeção terá 1,6 cm de altura. É o que fazemos quando acionamos a tele de nossa lente e “aproximamos” o objeto no enquadramento: restringimos o ângulo de visão (que se torna mais fechado) e consequentemente “aumentamos” o tamanho da projeção do objeto sobre o meio sensível.

Falemos um pouco sobre aberturas. Grandes aberturas permitem maior incidência de luz sobre o meio sensível (filme ou sensor), permitindo assim o uso de ISO mais baixo (quase sempre desejável, pois resulta em menor granulosidade ou ruído) e tempos de exposição menores (que evitam indesejáveis tremores de mão e permitem “congelar” objetos em movimento). Sendo assim, pode parecer lógico que o melhor a fazer é usar sempre a maior abertura possível (indicada, lembrem-se, pelos menores valores de f/n). Ocorre, porém, que grandes aberturas tendem a reduzir a profundidade de campo (ou seja, a zona em volta do objeto focado que ainda mantém o foco, a despeito de uma maior ou menor distância em relação à câmera). Parece complicado, mas não é; exemplificando, imagine que em f/2 e foco a 1 metro, consiga-se nitidez dos objetos situados entre 0,9 e 1,1 m de distância. Em f/8, foco a 1 metro, poderíamos obter nitidez para objetos situados entre 0,7 m e 3 m de distância. Assim, a regra: grandes aberturas favorecem o desfoque do fundo – útil para retratos, indesejável para paisagens.

A distância focal permite uma interessante classificação de objetivas: normais, grande-angulares e teleobjetivas.
i) Normal: é a lente cujo ângulo de visão se aproxima do observado no olho humano (cerca de 43 graus). Em um sistema de 35 mm (full frame), este valor corresponderia a uma lente de 50 mm.

ii) Grande angular: ângulo de visão maior que de uma lente normal, ou seja, a distância focal fica abaixo dos 50 mm. Algumas lentes especiais conhecidas como olho-de-peixe chegam aos 180 graus de ângulo de visão, apresentando-se a imagem muito distorcida e arredondada. Grande angulares menos radicais são úteis em especial para fotografia arquitetônica, permitindo o registro de grandes objetos mesmo a curta distância.

iii)Teleobjetivas: o ângulo de visão é menor que o da visão humana, ou seja, lentes de distância focal superior a 50 mm. Para se ter uma idéia da aproximação em relação ao olho humano, verificamos, por exemplo, a razão entre os 50 mm de uma “lente normal” e, exemplificando, os 200 mm de uma tele, obtendo neste caso uma aproximação de 4 vezes. Teles “longas” (por exemplo, 400 mm) são adequadas para a fotografia à distância (safáris, competições esportivas).

Como já ressaltei, importante a escolha da objetiva certa. Grandes angulares não se prestam a retratos, em decorrência da elevada distorção, o que acaba enfeiando as pessoas.

Também importante a questão da qualidade. Geralmente as lentes amadoras são frágeis, oferecer pouca abertura e não dispões de mecanismos de estabilização de imagem. Costumam, porém, ser menores, mais leves e mais baratas – afinal, em termos de indústria ótica, qualidade sempre vem acompanhada de alto preço.

Comentários
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Rodrigo Dall Alba   |10-12-2008 14:09:33
avatar O que vc sugere para tirar fotos em movimento à noite?
Ricardo Montero   |10-12-2008 15:13:24
avatar Rodrigo, se não fosse o movimento, o tripé bastaria. Havendo movimento, não há como fugir de lentes bastante claras. Dependendo da distância focal que você vá utilizar, existem lentes com abertura de até f/1.2. Na pior das hipóteses, você deve achar lentes de f/2.8. Se possível, use tripé ou monopé. Se a foto for feita "na mão", estabilização de imagem é bem-vinda.
Aliado a grande abertura, muito provavelmente você precisará usar ISO elevado, da ordem de 1600 ou mais. Existem câmeras SLR que chegam com boa qualidade até ISO 6400, ou emergencialmente até ISO 25600. Claro que ISO baixo sempre favorece uma melhor qualidade de imagem.
Luis Carlos  - Lente para retratos   |Seu IP:201.86.150.xxx |27-02-2009 19:08:43
Olá Ricardo,

Tenho uma Canon Rebel Xti. A lente que acompanhou a máquina foi uma 18-55mm. Gostaria de comprar outra melhor. Gosto muito de retratos e queria comprar uma que me favorecesse nesse quesito, especialmente no que se refere a desfocar o fundo. Qual você me aconselha?

Obrigado,

Luis Carlos
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