As coisas são mais importantes que as pessoas?
As coisas parecem ter se tornado mais importantes – e são tratadas melhor – do que as pessoas. Como seria um mundo em que esta ênfase fosse revertida?
As coisas parecem ter se tornado mais importantes – e são tratadas melhor – do que as pessoas. Como seria um mundo em que esta ênfase fosse revertida?
Mais sobre o patético fim de MJ
Beuys e Xuxa, quem diria, tem algo em comum...
Como envolver 180 mil pessoas em uma iniciativa de cunho ambiental, social, altruísta e solidário em 6 semanas: um experimento social
Sugestão para os patronos das artes.
Cena 1: Brasília: O presidente do Senado, José Sarney (PMDB), é alvo de uma série de denúncias. O Ministério Público Federal abre um processo para investigar o uso de dinheiro…
Imagine um trombone de vara tocado por uma dupla de mulheres nórdico-sardentas, vestidas com aquela roupa branca de caratê, só que num tecido mais molinho e brilhante, de um cintilante…
Perdoe não fugir do óbvio. Lamento, mas a atmosfera circundante sufoca qualquer esforço de escrever sobre outros assuntos, quando se está na França e o dia é 14 de julho.…
Descubro uma que me interessa. Foi pelo blog nosololibros que tomei conhecimento de um certo “Programa de reinserción de acentos en la vía pública”, simpaticíssima iniciativa do publicitário e “corretor…
Arden: sobre a nudez e a poesia Estivera convencido de que seria o último dia. Um pouco dramático, porque como não sou um bom motorista, mas sinto certa propensão a…
Histórias de gravações de discos históricos geralmente são interessantes. Aliás, discos tornam-se históricos também porque são recheados de boas - fictícias ou não - narrações acerca de suas construções. Escrevi…
mas deus fez as laranjas. e. toda a roupa das laranjas. mas deus fez as tangerinas. e pudico fez as laranjas. e. libidinoso fez as tangerinas. que logo se delas…
Ontem, Idelber Avelar publicou um rumoroso post MANDANDO os ateus saírem do armário. Como já estou aqui fora tomando sol e chuva faz uns 40 anos (sim, tenho 51 e…
Campanha de Ery Roberto contra mais uma besteira urdida por nosso Congresso Nacional. Detalhes aqui.
| Emily |
|
| Por Rosane Cardoso: 200 anos de Poe | ||||||||
| 03 de dezembro de 2008 | ||||||||
|
O Romantismo se inventou, se patenteou e foi êxito absoluto. A obra romântica permite ao sujeito poeta extravasar até o limite do impossível. É o exercício do desejo escondido que pode ser canalizado para verso e prosa, que pede morte, escuridão e todo o sentimento que se possa carregar. Mas reparem no paradoxo: se o sentimento pode expor-se sem reserva – porque a época o permite – onde sobra espaço para a maldição? Então o sujeito romântico se auto-exila, blasé, blasé... e cria essa maravilhosa atitude de amar inconteste, de sofrer inevitavelmente e de descrer sempre da vida, pois há uma incompatibilidade entre o ser e o estar. E a morte, então, pode se tornar uma espécie de noiva, a mais esperada.
Mas, enquanto a amada não chega, as noites ébrias são um cálido paliativo.
***
Há vários tipos de maldição, mas principalmente duas que não se excluem necessariamente: a maldição que grita, composta por aqueles cuja vida, às vezes, é mais importante que a poesia, e a maldição que se constitui principalmente no isolamento, na transgressão, na impossibilidade de “fazer parte”.
A base do escritor maldito é observada pelo simbolista Paul Verlaine que escreve, em 1888, Os poetas malditos, numa auto-referência estendida também a Rimbaud, Mallarmé e dois ou três mais. Esta lista de nomes se ampliou bastante, mas o que importa é o sentido que o poeta dá ao termo: poeta precoce que renega os valores da sociedade e muitas vezes vem a morrer antes de ter seu talento reconhecido, etc.
Bom, já se sabe disso, mas neste caso preciso relembrar, pois só assim posso falar de Emily Dickinson, uma romântica que extrapola o Romantismo e que, assim como Poe, Whitman, Blake, para falar só de norte-americanos, está além de qualquer estética estabelecida.
Faz pouco estive num debate sobre ela. Nunca havia lido além de meia dúzia de poemas que me tocaram pouco. Então, o que essa moça insípida da Nova Inglaterra faz neste espaço sobre escritores malditos? Bom, qualquer pessoa que conheça e aprecie a obra de Dickinson deve estar me chamando de tonta agora. Eu mesma penso isso.
Depois de ler um longo e apurado estudo sobre a poeta, fiquei literalmente estática com a contundência do seu texto. Não, contundência não é uma palavra boa. Poderia ser se se falasse da obra como um todo, mas não da maneira como Emily escreve, como algo que mal se toca.
Pois é isso: Emily não é Verlaine, nem Rimbaud, nem Baudelaire. Mas poderia. Outra vez se pode falar sobre ser mulher em determinadas épocas – sem qualquer ranço de estudo de gênero. Sem a liberdade de varar noites entre copos e orgias, as mulheres malditas geralmente são malditas porque escrevem. Simples assim.
Imagine-se uma jovem de família rica e tradicional que se isola para escrever em pleno século XIX. Há, inclusive, teorias que consideram que o fato de haver se isolado foi a origem de sua escritura. Parece banal, mas isso significa dizer, no caso, que sem o isolamento, ou a bolha que ela criou para si, não conheceríamos jamais Emily como poeta. Sua crescente sensibilidade – que beira ao autismo – exigiu isolamento e o isolamento fez nascer a artista.
Higginson, umas das poucas pessoas que teve acesso ao mundo privado de Emily, dizia que ela o assustava. A mim assusta também. Tremendamente. Seu hermetismo, tão coerente com sua psique – se reveste de tantas capas que a poesia pode parecer superficial numa primeira olhada. Aí se lê mais uma vez. E outra. E outra. E então aparece o abismo.
Não sei se dá pra separar a vida de Emily de sua obra. Mas, por outro lado, ler o pouco que há sobre ela é ler o sujeito lírico (ou o autor implícito se consideramos suas cartas). Mas no fim, tudo é literatura e tudo é incrível na obra dickinsoniana.
E, sejamos coerentes, que escritor maldito prescinde a vida da escritura?
Powered by !JoomlaComment 3.20
3.20 Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved." |
||||||||
| < Anterior | Próximo > |
|---|