
Sabe quanto você acorda com vontade de fazer a diferença no mundo? Muitas vezes sabemos o que queremos fazer, ou onde pretendemos chegar, mas não sabemos como fazê-lo e tampouco temos as ferramentas ou o auxílio necessário para promover a mudança.
Vou dar um exemplo de uma forma simples e direta para promovermos a mudança e fazermos a diferença todos os dias da nossa vida (sem precisar esperar por chefes, prefeitos, governadores, deputados ou outros canalhas quaisquer).
Quantas escolhas um ser humano faz por dia? A resposta: incontáveis. Todos os dias, desde a hora que acordamos até a hora em que vamos dormir, somos inundados com uma enxurrada de escolhas que precisamos fazer, desde levantar e ir trabalhar e estudar ou ficar deitado, se vamos ou não escovar os dentes, se colocamos o sapato marrom ou o preto, se pegamos ou deixamos o casaco, se colocamos uma ou duas colheres de açúcar (ou se usamos adoçante) no café e assim por diante. Interessante pensar na vida assim, como uma sucessão de escolhas, não é?
Pois então, como eu posso fazer uma escolha e fazer a diferença já no café da manhã? Bem, digamos que eu compre sempre a mesma marca de leite UHT (de caixinha) e a faça pelo mesmo motivo (pode ser o hábito, o paladar ou então eu compre apenas a marca que estiver mais barata na ocasião da compra). Se eu mudar meu critério de escolha, e passar a comprar apenas de marcas que criam suas vacas de forma extensiva, soltas no pasto ao invés daquelas que criam as vacas confinadas, somente para produção de leite, estarei fazendo uma diferença significativa em vários aspectos - morais, econômicos e até espirituais.
Sabe-se que uma vaca confinada vive de 4 a 5 anos, e morre de exaustão, pois lhe são retirados até 60 litros de leite ao dia, com estímulos alimentares e hormonais. Neste caso a vaca é um objeto sendo explorado pelo homem. No caso da vaca criada solta, sem uso de estimulantes artificiais, sua sobrevida chega a 15 anos (próxima da estimativa de vida usual das vacas “livres” que é de 20 anos), e não lhe são retirados mais do que 15 litros de leite por dia. Um passo além seria escolher somente leite tirado manualmente, comprado diretamente do produtor rural e outro, ainda mais complexo e que exigiria adaptações mais intensas por parte de quem faz a escolha seria deixar de utilizar o leite de origem animal, escolhendo somente os de origem vegetal como o de soja, por exemplo.
A partir da escolha do que consumimos, podemos efetivamente estar fazendo a diferença também para humanos. Basta buscar as informações, não permanecer na inércia alienante do dia-a-dia. Até na escolha de um chocolate, você pode escolher entre produtos da Hershey´s ou da Nestlé que foram associados a trabalho infantil e até mesmo a trabalho escravo infantil nas fazendas de cacau da Costa do Marfim e da África Ocidental ou entre um chocolate de uma empresa local ou mesmo nacional comprometida com o Fair Trade, ou seja, que garanta aos agricultores e seus funcionários preços justos e condições dignas de trabalho.
Esta reflexão toda no dia de hoje, foi claramente inspirada em um texto que li há um par de dias, e se não foi escrito por mim, e sim por Paul Hawken foi por questão de detalhe, já que expressa com total perfeição meu próprio pensamento:
“Tecnologicamente, a cultura Ocidental dança proeminentemente com um iPod plugado em seus ouvidos. Quando se trata de inovação, literatura e criatividade, é fulgurante. A habilidade em ir fundo nos oceanos e tão longe quanto a Lua é espetacular, mas como Robert Oppenheimer nos lembra, ser abençoado com insight tecnológico não nos confere insight de nós mesmos. Se medirmos a cultura Ocidental pela forma com que tem tratado pessoas de raças ou etnias diferentes, é um anátema. Se a julgarmos pelo tratamento a seus próprios integrantes, incluindo crianças, idosos e os pobres, é embaraçoso. E se tentarmos calibrar a superioridade Norte-americana pelo seu tratamento ao meio-ambiente, os Estados Unidos são uma das civilizações menos inteligentes na história do planeta.”
E segue:
“Como você descreveria a administração de um país que gasta 1 trilhão de dólares para vencer uma guerra pelo petróleo do Iraque enquanto se recusa a alocar quaisquer fundos para reduzir a dependência do petróleo? Com 1 trilhão de dólares, os Estados Unidos teriam catalizado a troca de toda sua frota automotiva por carros elétricos híbridos - com capacidade de rodar 90% do tempo com baterias elétricas - alimentadas por energia renovável e biodiesel... ...Se uma cultura não se tornar como a nossa, ela não será uma falha mas um presente para o que é agora um futuro incerto.”
Se temos um mau exemplo, e o mesmo está nos levando a um caminho sem volta, porque então não utilizar este mau exemplo como instrumento de educação para a mudança?
Vamos aprender um pouco com o poeta Marcos Pedroso:
“porquê você está aí onde está agora?
porquê não está na China, ou Lima?
o que amarra, o que impede?
o que guia?
quem manda? qual a força motriz?
a mais forte, mais convincente
o que imprime mais pressão?
vem de fora? é de dentro?
é conhecida? conhecível?
qual o pensamento comanda essa força?
é vela ou âncora? acelerador, freio?
e a vontade? onde fica? onde vai?
qual o nó? é laço?
essa amarra tem ponta? quem puxa?”
O texto acima é um verdadeiro convite para pegarmos com força as rédeas de nossas próprias vidas, para nos tornarmos inteiros, singulares, para exercermos nosso poder de escolha, ao menos uma vez por dia, em cada uma das milhares de chances que temos todos os dias da nossa vida.
Este texto acima, bem como esse ensaio que agora se conclui, é um convite não só para a reflexão mas também para a ação. É uma lembrança da história do heróico passarinho que com o bico cheio d´água voa em direção à floresta em chamas, e mantém viva a memória de Mohandas Gandhi, que nos conclamava a ser a mudança que gostaríamos de ver no mundo.
Fica também o convite para que você participe, da forma que lhe aprouver, quer seja colhendo estímulos e conhecimento, quer seja semeando e compartilhando os frutos do seu aprendizado, no coletivo Coolmeia, Ideias em Cooperação, uma incubadora e uma cooperativa de ideias altruístas, empenhada em construir um mundo mais solidário e justo social e ecologicamente, através do desenvolvimento e aperfeiçoamento de ferramentas, modelos e atitudes capazes de promover esta tão propalada mudança.
Aproveite e conheça também Os Revolucionários Culturais e Declare a Interdependência.
Fraternalmente,
PS: como a vida é feita de escolhas, você sempre tem uma segunda opção, que é ficar como nosso amigo aí embaixo. Boa escolha!

-
Rafael Reinehr... sempre contemporâneo... sempre competente e sempre ético, tem
médico bom nesse mundo! Pois médico também é questão de escolha... tem quem
escolhe os açougueiros... tem quem queira os paramédicos ou os homeopatas, eu
escolhi um amigo médico que sabe escrever sobre a Ecologia do Corpo em tempos de
fim de esperanças e em tempos de antigas angústias que insistem em nos afrontar
com escolhas menos sábias para a nossa Vida tão escassa de bons e sábios
prazeres de existência, Gracias Rafael... muy bueno su texto!!!
| < Anterior | Próximo > |
|---|
Login
Sua Opinião
- Rafael Reine : O artigo que a Folha não publicou: Por uma "Lei Cleber", de José Pacheco: «link»
- Ulisses Adir : Para quem gosta de literatura policial, a Livraria do Crime voltou à ativa. Mais informações aqui: «link»
- Rafael Reine : Prezado Jose Duarte, por favor leia as instruções na página a seguir: «link»
- Jose Duarte : Como posso incluir o meu blog?
- Rafael Reine : Encontro "selvagem" com Milton Ribeiro «link» Paulo Capra «link» Hélio Paz «link» Pedro Volkmann «link» e Rafael Reinehr «link» no Café Bonobo «link» em Porto Alegre.
- Rafael Reine : Não deixe de ler "JORNALISMO MAURICINHO", uma severa crítica de Mario Bortolotto à Folha de São Paulo, em «link» (obrigado Ulisses! «link»
Guests are shown between [].
Only registered users are allowed to post
Enquanto isso, nos blogs...
- Ação improcedente: juiz diz que Yeda e filha expuseram menores a meios de comunicação 18 Mar 2010 | 10:15 am Marco Weissheimer
- Gustav Mahler (1860-1911): Blumine e Sinfonia Nº 1 (CD 1 de 14) 18 Mar 2010 | 8:30 am P. Q. P. Bach
- Uma sacanagem da Folha 18 Mar 2010 | 8:02 am Milton Ribeiro
- Provocações um(1) cidadão de origem polonesa 18 Mar 2010 | 7:41 am Milton Ribeiro
- Igor Stravínski (1882-1971) - A sagração da primavera 18 Mar 2010 | 4:55 am P. Q. P. Bach
- Julia & Johann (e outros caras) 17 Mar 2010 | 11:49 pm Ipsis Litteris
- A renúncia de Fogaça: um balanço de 63 meses 17 Mar 2010 | 5:50 pm Marco Weissheimer
- Yuyay 17 Mar 2010 | 1:12 am Recordar, Repetir e Elaborar
- A Bíblia e seus “autógrafos originais” 16 Mar 2010 | 5:30 pm Um drible nas certezas
- Retaliações Brasileiras aos Subsídios Americanos 16 Mar 2010 | 12:51 am Blogui do Serbão
Assine o OPS! por mail
Comentários
- Anônimo
Por uma "Lei Cleber"...
E na Alemanha... - Aquí na Alemanha os pais sao obrigados a enviar os seu... - Bruno Yukio
Para quê serve a música - Parte 1
Não é a educação que é uma ferramenta de bitolação. É o SISTEMA EDUCACION... - Eduardo Marques
Para quê serve a música - Parte 1
Eu concordo com você que a música que se vê por aí é pura manipulação de<... - Bruno Yukio
Para quê serve a música - Parte 1
Eduardo, estudar música vai muito além de estudar teoria musical. O gost... - Eduardo Marques
Para quê serve a música - Parte 1
Música ou diletantismo? - Será que dizer que para entender música é preci...















informação de como eles são produzidos, e também da disponibilidade, sei que
existem empresas que fabricam roupas usando só garrafas pets.Mas como
comprar?Principalmente para aqueles que moram no interior.É claro que com essa
revolução da internet tudo ficara mais fácil selecionar o que consumimos, mas ai
falta a informatização de tais empresas.Abraços