A intenção básica desta coluna é estimular uma cruzada contra a míope e deplorável Pretending Psychology, a Psicologia do Faz-de-Conta - made sobretudo in USA - um psico-Prozac que vende o estúpido propósito de se ESTAR SEMPRE OKAY - castrando a consciência de um pedaço de nós, ofendendo nossa inteligência com trastes literários como "O Segredo" e ameaçando povoar este planeta com uma multidão de bobos-alegres sem crítica. Ouçamos Nietzsche - "Nada do que é pode ser subtraído, nada é dispensável" - e Fernando Pessoa - "Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui" - e, para implementá-los, empreguemos Freud. Espero que, nesta saneadora cruzada, muitos outros se juntem a mim.
Depois de eu haver severamente criticado, por sua evidente má-fé e falta de seriedade científica, o vídeo intitulado "PSIQUIATRIA - INDÚSTRIA DE MORTE" (cf. YOUTUBE) recebi um e-mail com as perguntas que transcrevo e respondo abaixo.
Já que fatos recentes despertaram a atenção do público para a pedofilia e que um auto-declarado pedófilo, colocou em minha comunidade Orkut, sob o codinome de COIOTE, algumas questões sobre esse tema, decidi, mesmo antes de completar minha série de artigos sobre alta em Psicanálise, repassar a vocês o teor de minhas respostas às perguntas que me foram feitas, que são as seguintes:
Como uma exposição sobre o que seja a “mente” e o “mental” pode tornar-se extremamente complexa e sofisticada, arriscando afugentar o leitor leigo, optei por introduzir o assunto falando sobre o que é a Psicanálise, deixando que o aprofundamento do tópico ocorra a partir dos comentários que sejam eventualmente feitos a ele. Comecemos, pois:
Vou atrasar minha contribuição sobre o conceito de “mente”, algo que interessará certamente mais a profissionais do que a leigos, para fazer uma contribuição de maior utilidade pública. Ela diz respeito à tal “Síndrome do Pânico”.
A hipótese da existência de fatores inconscientes determinando o comportamento humano é, naturalmente, tão velha como a história. Na época de Freud, entretanto, dominava a postura de que esses fatores eram de natureza neurológica. O grande mérito de Freud foi sustentar a natureza psicológica desses fatores, fazendo uso, para isso, (1) de dados empíricos à disposição de qualquer um a de (2) um conceito específico de psicológico, emprestado de Franz Brentano. Se não, vejamos:
Skinner – se bem entendi Robson Faggiani, que afirma segui-lo nisso – entende que não vale a pena nos cansarmos para tentar distinguir conceptualmente o neurológico do psicológico.
Um singular episódio ocorrido dezenas de anos atrás em uma clínica neurológica do Canadá pode auxiliar-nos a refletir sobre essa postura. Vejamos:
“Para o contexto em que trabalha um psicoterapeuta e para o bom cumprimento da tarefa a que ele se propõe, vale a pena dispensar o conceito de doença – e, naturalmente, de seu correlato saúde – mental?”
Em resposta à primeira postagem da minha série de contribuições sobre a natureza e função dos conceitos de saúde e doença mentais, Robson Faggiani escreveu: “Talvez fosse melhor defender as classificações antes de utilizá-las para falar de um texto [o dele] ‘anti-classificações’.
Ele tem razão. No que segue, passo a contemplá-la.
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