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Há um erro grotesco, que as pessoas cometem, que consiste em cobrar dos outros coerência onde ela não se aplica. 

Não conseguem compreender que há espaços, na vida, que são, por natureza, incoerentes! Tais espaços poderiam ser definidos como idiossincráticos. 

Poupo a minha querida meia dúzia de leitores do árduo trabalho de digitar “idiossincrasia” no Google. O Houaiss define:

“predisposição particular do organismo que faz que um indivíduo reaja de maneira pessoal à influência de agentes exteriores” ou “característica comportamental peculiar a um grupo ou a uma pessoa”.

A coerência tem sido um dos efeitos colaterais da razão que mais tem prejudicado as pessoas, que fazem dela, a razão, sua única maneira de viver e ver o mundo.

Vi, recentemente, em um congresso, a seguinte frase: “um texto, sem contexto, vira pretexto!”.

Uma pessoa, sem contexto, vira coerente!

E é da aplicação da coerência para todo e qualquer campo da manifestação humana, que nasce o fundamentalismo. Nas suas mais variadas expressões: religiosa, política e, a pior delas, o fundamentalismo pessoal, aquele que tenta impor aos outros que devam ser coerentes.

O que mais me deixa perplexo, ainda, é que, se somos o que somos, o somos justamente pela nossa incoerência natural e pela nossa idiossincrasia. Todo “avanço” ou “retrocesso” na história do homem se deu graças aos incoerentes e aos idiossincráticos. 

Humanos que ousaram não serem medíocres, ou seja, coerentes!

Em pleno século da informação livre e da liberdade de expressão que a internet proporciona, ainda existe uma grande massa de humanos que insiste – e exige – a coerência.