Poucos devem ser os que ainda realmente se sentem representados pelo Poder Legislativo. Congresso, Assembleias e Câmaras, Brasil afora, há já algum tempo dão repetidas mostras de que estão completamente dissociados do povo que elege seus membros.

E não importa o lado. De uma forma ou de outra, conseguem desagradar a gregos e a troianos. Inúmeras são as situações e estão tão presentes na memória de todos, que sequer é necessário fazer um rol.

Não temos mais partidos. PT, PSDB, PPS, DEM, PP, PDT, PSD, PTB, PSB e sigam até as 32 siglas que temos, transformaram-se em estruturas de suporte para pessoas. O que se vê, nesses tempos de pré-eleição, são nomes. Mais nada. E não importa o lado, seguem desagradando a gregos e a troianos. Digladiam-se como se o Brasil fosse um grande Coliseu. E, pior de tudo, pensam que estão agradando.

Há anos mantêm a reforma política ardilosamente em banho-maria. Sabem que, em assim agindo, estão se protegendo e mantendo o domínio da vontade popular. Sabiam! Até junho.

O que não foram capazes de saber, por estarem totalmente fechados em si e afastados do povo, é que, também há anos, desenvolve-se a percepção de que eles não mais representam o que o povo quer. A percepção de que estão lá apenas por si ou por seus partidos, mas não mais para representar. 

A história nos dá vários exemplos do que acontece quando o sentimento de representação acaba nas pessoas. É só uma questão de tempo.

Não foi o passe livre (apenas um estopim), ou situações pontuais, como a PEC37 ou, ainda, o uso das redes sociais que fizeram o povo ir para as ruas. 

A única mensagem capaz de unir de forma espontânea as pessoas e levá-las às ruas, com muito pouca “convocação”, foi a percepção de que tinham um sentimento em comum: para esses pessoas – e mesmo para os que ficaram em casa – o que as uniu foi o sentimento de que não são mais representados. E, de forma muito natural e como era de se esperar, a percepção amplia-se para o Poder Executivo.

Os sinais estão claros, só os políticos seguem cegos a eles. O ocaso se aproxima. E de forma inexorável, não apenas porque o povo queira, mas, e mais importante, porque eles, os políticos, seguem cavando a sepultura desse modelo de política que temos.

O povo não precisa ir a Delfos para saber o que está acontecendo no Brasil. Ao povo caberá apenas empurrá-los para dentro da sepultura já cavada!

A história só se repete porque os homens nada aprendem com a história.