
Pode-se dizer que a maioria das empresas só se preocupa com a própria estrutura quando a situação fica insuportável ou o lucro cai muito. Mancada de quem? Funcionários que se submetem a trabalhar numa estrutura precária e muitas vezes mal remunerados ou empresas que só pensam em lucrar, custe o que custar?
Sabe estrutura? Aquela coisa que garante as condições necessárias para a realização de um trabalho ou tarefa estejam de acordo com a expectativa de quem precisa fazê-lo? Nem sempre estrutura é algo planejado, o resultado disso é desorganização, caos e pessoas frustradas, cobradas além do que são capazes de desempenhar apenas por não haver estrutura suficiente. Um chefe estúpido afirma que funcionário bom tira leite de pedra, um chefe político promete priorizar estrutura quando estiver em melhor posição hierárquica, um chefe comum não está nem aí, culpa o subordinado por qualquer problema que apareça mais e empurra com a barriga, com intenção de fazer o mínimo esforço possível para justificar sua posição. O chefe ideal briga para que sua equipe tenha a melhor estrutura para garantir um alto desempenho. Mas empresas onde o ‘alto desempenho’ é a política, você tem que matar um leão por dia, ou mais.
Como balancear a estrutura necessária com menor sofrimento dos envolvidos? É um objetivo complexo, a estrutura pode ser fabulosa e ineficiente se os envolvidos não tiverem comprometimento e/ou capacidade de lidar com a mesma, bem como uma estrutura precária afugenta os desempenhos brilhantes. Mas cada escritório é um escritório, ali trabalham pessoas que dependem do sucesso daquele negócio e, apenas por isso, devem ser as mais ouvidas quando estamos falando de estrutura. Helloooo!!! Quem usa o escritório é quem realmente trabalha ali 40 horas semanais, quem conhece o negócio é quem está diretamente envolvido com suas operações, ou seja: gerência, diretora e presidência não manjam absolutamente nada de estrutura, apesar de alguns até tentarem algum movimento nessa direção.
Talvez, para uma estrutura estar mais próxima do funcional, as posições mais acima hierarquicamente deveriam se colocar mais no lugar de observadores das operações. A alienação não é só de baixo pra cima, acreditem. Apesar de existirem poucos idiotas que não sabem transmitir tarefas e se ocupam de tudo o que surge, a maioria se dá muito bem com essa atividade delegatória e acaba por esquecer o trabalho que dá trabalhar. Empatia dificilmente é levada a sério nas relações, por que na vida profissional seria diferente? É difícil e muitas vezes desconcertante se colocar no lugar do outro. Talvez se colocar de verdade no lugar de um subordinado seja perturbador, principalmente para a liderança incompetente, que pode se dar conta que a estrutura que oferece nunca está à altura do desempenho que consegue extrair do sofrimento alheio.
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