Entre o difícil e o quase impossível

Quem me conhece sabe que impossível é uma palavra que não existe no meu vocabulário. Graduo as realizações entre o fácil e o muito difícil, mas jamais no impossível. O muito difícil está, para o fácil, na quantidade de tempo, estudo e prática que dedicamos para o problema a ser resolvido.

Não, não estou falando da morte, citação das mais costumeiras quando falamos do impossível. A morte é a tradicional desculpa de quem não tem mais argumentos para se defender diante da certeza da inexistência do impossível.

Pois para o Brasil de hoje é, segundo alguns, impossível para alguém ter patrimônio que não seja derivado de condutas ilícitas. Melhor dizendo, para alguns dentre esses alguns.

Fernando Henrique Cardoso faz palestras – e ganha por elas – desde que virou ex-Presidente; Clinton faz palestras até hoje – e ganha por elas – desde que virou ex-Presidente dos EUA. Obama segue o caminho, agora que é ex-presidente. O primeiro homem a pisar na Lua viveu de palestras. Nosso único astronauta vive de dar palestras.

Não se trata de defender A ou B, mas bloquear recursos obtidos de forma absolutamente lícitas, até mesmo depois de ter seu “estado civil” declarado como “ex-Presidente”? E recursos originados de grandes corporações midiáticas que vivem de o atacar?

Somos, os brasileiros, uma “espécie” muito peculiar. Entre o difícil e o quase impossível, optamos pelo impossível.

Mesmo que não exista!

 

 

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Luiz Afonso Alencastre Escosteguy

Bacharel em Administração de Empresas, Especialista em Gestão Pública e servidor do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

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