Pátria venal

Somos uma sociedade venal.

Historicamente, sempre estivemos à venda. Das quinquilharias oferecidas aos donos originários de Pindorama, passando pelos pequenos atos de corrupção moral, até aos grandes valores que solapam a imensa maioria do povo, todos somos, uns mais outros menos, venais.

Estabelecemos preço para as mais de 50 mil mortes anuais no trânsito, que, via de regra, nada mais que uns (ou muitos) goles de bebida. E estabelecemos preço para a miséria de milhões, que, também via de regra, é cobrado para manter a riqueza de uns poucos.

Estabelecemos preço para apoiar um presidente indigno da posição que ocupa, pois se dignidade tivesse, teria se exposto ao escrutínio da Justiça e não ao sabor do toma lá dá cá das emendas e cargos.

Estabelecemos preço para a fé e estabelecemos preço para calar. E o calar é o preço que cobramos para sermos, adiante, beneficiados, para vivermos na ilusão (fé) de que em nós a desgraça não chegará.

É a hipocrisia aplicada aos outros. Pouco importa se a categoria dos servidores públicos, por exemplo, está sendo maltratada. Afinal, todos os dias a mídia diz que é um bando de vagabundos e que os serviços prestados são péssimos. O meu calar é o preço que cobro para não ser atingido por reformas.

Estabelecemos preço para manter um Congresso de acordo com a nossa “imagem e semelhança”. E estabelecemos preço para manter um sistema judicial como esse que temos.

Somos venais por natureza! Uma sociedade que se formou pela venda de qualquer coisa que pudesse nos beneficiar. E o pouco de formação moral que ainda nos restava foi vendido.

Aceitamos calados que nos façam de palhaços, pois esse foi o preço que nos cobraram por vendermos o que de mais caro poderíamos ter: nossa dignidade!

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Luiz Afonso Alencastre Escosteguy

Bacharel em Administração de Empresas, Especialista em Gestão Pública e servidor do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

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