Hypocrisis By Luiz Afonso Alencastre Escosteguy / Share 0 Tweet Democracia pressupõe pluralidade, diversidade. E esses atributos significam a existência de oposições. Até mesmo as mais radicais. Entre opostos. Uma sociedade, no entanto, é algo que vai além da democracia. Além dos opostos. Seja lá de qual sociólogo ou estudioso adotarmos o conceito de sociedade – e há variações – há algo comum a todos eles: sem um fundamento, ou alguns, aceito por todos, não existe sociedade. A Constituição Cidadã trouxe, para si, o principal fundamento de uma sociedade: a dignidade da pessoa humana. Muito já se escreveu e se escreve sobre o que seja a dignidade da pessoa humana. Existir é digno. Dignidade não é algo que se dá. Se é! Pelo simples fato de existir. E quando deixamos de aceitar que todos somos dignos apenas pela existência, a sociedade deixa de existir. Quando pessoas defendem atos que, por sua natureza própria, são contrários a dignidade dos demais que cohabitam o espaço-tempo chamado país, atentam não contra a democracia, mas contra a dignidade, que é a própria vida. Admitido que a dignidade é o fundamento maior da sociedade, não é possível aceitar, sob pena de autodeclaração de falência, que uma “dita” sociedade aceite a defesa de tantos quantos, mesmo que sob o pretexto da livre manifestação da vontade, por seus atos tenham atentado contra a vida dos demais milhões de seres dignos. Defender torturadores, defender assassinatos (de quaisquer “lados”), defender anistia a quem quer que seja que tenha atentado contra a dignidade da pessoa humana é algo que, se queremos ser uma sociedade, jamais devemos aceitar. E se enganam tantos quantos dizem que o 8 de janeiro foi um atentado contra a democracia. Se enganam tantos quantos ainda hoje defendem o golpe de 64. São e sempre serão atentados contra a dignidade dos brasileiros. Pois não há democracia sem que existam cidadãos dignos, que não estejam sujeitos aos ditames das armas, da força e da covardia dos poucos que as podem usar para subjugar milhões aos seus desejos. E matando quando querem, se pensarem ser necessário. Não nos iludamos, o porvir seria de tortura e matanças como outrora já fora. Conta-se, por aí, uma história da carochinha, a de que o tal poder legislativo é a representação do povo. Há muito tempo, mas há muito tempo mesmo, nosso poder legislativo – em todas as esferas – deixou de representar o povo para presentar tão somente os espúrios interesses pessoais ou de pequenas parcelas abastadas que a tudo podem “financiar”. Imagino que seja difícil aceitar os fatos como eles são. Daí a existência de mitos e deuses. Daí os mais variados discuros e falas para justificar o injustificável, para explicar o inexplicável. Quem, nesse atual Congresso Nacional, e quem o defende, defende o que de pior já foi produzido nesse território que a comunidade internacional chama de “Brazil”, defende, na verdade, a falência do projeto de sociedade que, quem sabe, um dia poderemos ser.
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