Quem tem medo de Simone de Beauvoir?

Ciência e Humanidades - Instantâneos Sociológicos

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Recentemente, tenho lido e ouvido muitos julgamentos, de teor e tom questionáveis, a Simone de Beauvoir. E essas acusações suscitam uma pergunta: por que sua figura e seu pensamento incomodam tanto? Sua bissexualidade, vários e várias amantes, a recusa do casamento e da maternidade, a liberdade e independência em um mundo cada vez mais conservador poderiam ser uma resposta. Mas a considero simplista e insatisfatória.

Simone de Beauvoir nasceu há 113 anos. Suas obras mais influentes foram escritas entre os anos 1940 e meados dos anos 1970. O Segundo Sexo, seu livro mais importante, foi publicado em 1949. Lá se vão mais de 60 anos. Mas tantas décadas parecem não ter sido suficientes para que sua obra fosse compreendida e criticada com propriedade. Ainda hoje, muitas pessoas se recusam a ler Simone de Beauvoir porque ela era “uma libertina”. E repetem-se afirmações forjadas para atribuir a ela tudo aquilo contra o que ela lutou no plano das ideias e no plano da ação. Acusam-na de submissão, de dependência, de pregar o feminismo para as outras mulheres e não praticá-lo.
 
Essa resistência a Simone de Beauvoir esbarra em questões mais profundas sobre nossa sociedade: a condição da mulher, especificamente a mulher intelectual; a relação entre a experiência vivida e a escrita da memória com a subjetividade; as expectativas que recaem sobre os intelectuais. Tentarei abordar brevemente, e de forma não sistemática, alguns desses temas tendo como referência a figura de Simone de Beauvoir.

Experiência vivida, matéria-prima do pensamento

A grande maioria dos julgamentos feitos a Simone de Beauvoir, acredito, baseia-se em erro primário para qualquer reflexão: desconsiderar o fato banal de que intelectuais vivem. Ou seja, toda vida, inclusive a de uma pensadora, é um emaranhado complexo de descobertas, conquistas, falhas, inseguranças, afirmações, sofrimentos, retrocessos, sucessos. E é em meio a essa complexidade que seu pensamento e sua ação no mundo se desenvolvem, obviamente transformando-se. É, portanto, pouco racional deixar de considerar que, aos 20 anos, aquela pessoa, como qualquer um de nós, ainda não tem o terreno de todo seu pensamento arado e cultivado. Como é pouco racional ignorar que esse trabalho exige esforço.

Assim, por exemplo, há quem queira invalidar o pensamento libertário e antissexista de Simone de Beauvoir baseado em sua relação com Sartre. Afirma-se que ela se submeteu a Sartre durante toda a vida e aceitou um modelo de relação que ele impôs. Isso é incorrer no erro mencionado. Então, vamos a alguns fatos sobre essa relação.

Simone de Beauvoir e Sartre tinham 20 e poucos anos quando firmaram um pacto que previa  um relacionamento aberto, cada um dos dois podendo envolver-se com outras pessoas. Quem propôs este pacto foi Sartre. E Simone de Beauvoir o aceitou. Logo depois, eles foram nomeados para lecionar em cidades diferentes da França. O que unia a ambos: o relacionamento sexual, amoroso, e uma afinidade intelectual que provavelmente nenhum de seus críticos ou seguidores jamais experimentou com alguém. A convivência entre ambos era, ao mesmo tempo, afetiva e  instigante. Desejavam estar próximos. Sartre propôs casamento a Simone. Ela recusou. (Muito antes de conhecê-lo, já estava decidida a não se casar e não se submeteu ao desejo dele ou à paixão.)
 
Simone de Beauvoir sempre desejou ser livre, algo que a vida em uma família burguesa empobrecida de Paris – origem que ela jamais negou – nunca lhe permitira. Liberdade de pensamento, que exercia em suas aulas a alunas do ensino médio (ela só deu aulas em universidades durante a guerra). Liberdade sexual, envolvendo-se em alguns relacionamentos pouco mais do que casuais com homens e mulheres. Liberdade intelectual, trabalhando em seus primeiros livros, que não foram finalizados.

Sartre, no início, chocou-se com a bissexualidade de Simone. Depois, se apaixonou por uma de suas amantes, Olga, e propôs, com veemência e insistência, um novo modelo de relacionamento, que eles chamavam “o trio”. Os três aceitaram. Foram jogados em uma situação em que precisaram rever seus preconceitos e moralismos burgueses, em um turbilhão emocional repleto de sofrimento, conflito, meias-verdades, raiva, inveja. O “trio”, ela relatou tanto em A Força da Idade como em A Convidada, foi um fracasso. Todos sofreram mais do que se divertiram, todos os limites de suas liberdades foram testados, em geral ferindo um dos três. Para dizer o mínimo: Sartre era rejeitado por Olga, que provocava ciúmes em Simone, que era invejada por Sartre por ser a preferida da garota. O terceiro elemento na relação, percebia Simone, instaurava inexoravelmente uma barreira extra à liberdade e ao desejo de cada um dos integrantes do “trio”. E todos sofriam, ora por si mesmos, ora por ver pessoas queridas sofrendo. A partir dali, Simone não integraria novos trios, negando-se a manter o arranjo. Os triângulos, tal qual no início do pacto, voltaram a existir, mas as relações a três, não.
 
Há quem entenda o sofrimento de Simone como submissão. Considero uma percepção muito estreita do que é uma experiência de vida. O sofrimento faz parte das relações humanas. Simone nunca se esquivou dessa angústia. Afinal, primeiro como uma amante da liberdade e, depois, como existencialista, ela sabia que a angústia é inevitável. E também sabia que há uma responsabilidade a ser assumida em relação a si mesmo e aos outros.

A única vez que Sartre propôs casamento a outra mulher, sua amante norte-americana, Simone se retirou do relacionamento. Não queria submeter-se novamente aos conflitos e insucessos do “trio”. Ele desistiu do casamento. O amor necessário entre ambos sempre superou os amores contingentes. E isso não é resultado de uma magia romântica e cheia de coraçõezinhos que surgia no ar todas as vezes que um dos dois estava efetivamente envolvido em outras relações. Foram escolhas conscientes e livres de ambos.

Dizem também que Simone não conheceu o prazer sexual com Sartre e que logo ele se desinteressou sexualmente dela. Duas verdades. O que não é verdade é assumir que ela se submeteu a isso como uma vítima. Simone teve vários e várias amantes e encontrou o prazer sexual em várias relações. Quando o desejo sexual de Sartre deixou de existir, ela determinou que não precisariam mais relacionar-se por mera formalidade. Com o escritor Nelson Algren, envolveu-se no amor romantizado e “tradicional” para sua época. Ele a pediu em casamento. Ela recusou. Muitos a condenam. Além de não estar disposta ao casamento e à maternidade – ele queria filhos –, Simone sabia que sua ligação, ainda que fosse apenas intelectual com Sartre, machucava Algren. Novamente, ela era confrontada com a fórmula do “trio”, em outro contexto. Melhor que cada um abraçasse sua liberdade.

Simone de Beauvoir escreveu milhares de páginas em romances, ensaios, memórias abordando esses e outros fatos. Considerada uma das maiores memorialistas do século 20, produziu quatro volumes bem recheados, nenhum deles com menos de 300 páginas. Somente quem ignora totalmente essa produção, ou quem tenha lido sem nada compreender, pode lançar críticas como as que reproduzo aqui.

Há poucos temas que ela não aborde em detalhes em suas memórias, um deles é o processo movido contra ela pelos pais de uma aluna com a qual se envolveu sexual e afetivamente. Nesses e em poucos outros casos, ela opta por não entrar em detalhes pelo simples fato de que as pessoas envolvidas estavam vivas no momento da publicação dos livros, o que poderia criar mais escândalos.

Em cada página das memórias, a honestidade de Simone é invejável. Ela reconhece, por exemplo, as críticas mal-informadas que ela (e Sartre) fizeram a Freud, os enganos que cometeram em algumas avaliações a respeito de personagens e colegas durante a guerra, o fato de que, durante muito tempo, ela e Sartre, embora lutando contra os ideais burgueses, se submeteram totalmente e sem sequer perceber ao estilo de vida que abominavam.

Simone de Beauvoir acreditava que a matéria-prima do intelectual, além da capacidade de compreender e criticar as teorias, é a própria experiência. É a partir daí, pensava, podemos construir nossa relação com o mundo, talhar nossa subjetividade e, assim, produzir uma obra relevante intelectualmente, capaz de abordar assuntos e aspectos ainda inéditos. Simone não se negava a experimentar nada novo ou diferente. Pagava um preço caro por isso: nos anos 1930, em que uma mulher desacompanhada nem sempre era aceita nem mesmo em um café, ela optava por estar só. A solidão era a chave de sua abertura para o mundo. Nos anos 1940, foi duramente criticada por suas obras, nos anos 1950, enxovalhada por O Segundo Sexo e cobrada por não ter "agarrado" o amor de Algren.

Uma intelectual no tempo

Outra crítica comum a Simone de Beauvoir é de que ela era feminista em seus livros, mas não era feminista em seu relacionamento com Sartre. Dizem que ela pregava o feminismo para outras mulheres e não o praticava.

Em suas memórias, Simone de Beauvoir afirma que jamais foi feminista e que O Segundo Sexo, publicado em 1949, nunca foi concebido como um livro feminista. Por isso, quem cobra dela uma postura feminista em todos os episódios de sua vida age de má-fé, tentando invalidar seu pensamento e suas ações de forma falaciosa. Simone de Beauvoir só se alinha ao feminismo nos anos 1970.

Portanto, dizer que ela pregava o feminismo para as outras mulheres e não o praticava é, no mínimo, sucumbir a um banal anacronismo. Não, ela não podia viver a juventude de acordo com algo que ela só reconheceu e valorizou na velhice. Sim, os intelectuais mudam e se transformam ao longo do tempo, e isso não invalida seu pensamento. Quando passou a participar de ações do movimento feminista, ela mesma disse que isso demonstrava que suas ideias haviam se enriquecido e aprimorado.

A mulher e as divindades intelectuais

As críticas inadequadas a Simone de Beauvoir, na minha opinião, mostram como ainda é difícil – para pessoas que cultivam o pensamento pouco aberto a ideias inovadoras, diferentes e sempre em transformação – aceitar o papel de uma mulher intelectual nos dias de hoje. A mulher é sempre o Outro, lembra Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo, o diferente. E o lugar do intelectual, nós sabemos, é o lugar do um, do poder, da dominação. Aceitar que uma mulher ocupe esse lugar implica superar um preconceito. A resistência ao reconhecimento do papel intelectual de uma pensadora é a expressão desse preconceito: só posso atribui-la ao sexismo que é, para dizer o mínimo, uma fraqueza intelectual em qualquer pessoa.

Entretanto, o julgamento que ataca Simone de Beauvoir não é apenas aquele forjado no sexismo. Há um outro substrato nas acusações levianas que enumerei aqui e em outras que não há espaço para detalhar. Esse substrato é a necessidade de fazer de intelectuais verdadeiros deuses, modelos de comportamento, pessoas infalíveis que têm soluções infalíveis e que não podem ser questionadas. Pessoas que sentem essa necessidade não estão em busca de ideias e propostas, muito menos de reflexão. Sua expectativa é de que os intelectuais lhes ofereçam fórmulas prontas. Se esses deuses falham – e os verdadeiros intelectuais sempre falham porque não são os donos da verdade nem das respostas certas, apenas pessoas honestamente dispostas a fazer perguntas – são invalidados, considerados ruins, incompetentes.

Há uma manobra ideológica e outra, inconsciente, por trás disso.

Todas as vezes que acusamos veementemente alguém de ser aquilo que é indesejável, ruim, incompetente, negativo, criamos uma imagem positiva de nós mesmos. Somos exatamente o oposto daquilo que acusamos o Outro. Mas Freud já nos ensinou que, em geral, aquilo de que acusamos o Outro é aquilo que não suportamos constatar em nós mesmos.

Simone e Sartre construíram um sistema de pensamento que enfatiza: todos somos livres e a liberdade nos confronta a cada segundo com a angústia de fazer escolhas e com o sofrimento de nos responsabilizarmos por elas. Esse é um pensamento radical que implica, a quem adotá-lo honestamente, viver na insegurança, na incerteza e em constante contato com sua própria falibilidade e a ambiguidade.

Acredito que essa é a principal causa a todas as críticas levianas feitas a Simone de Beauvoir (e a Sartre). Quando as pessoas se referem a ela (ou a ele) em termos como “rever o passado”, “desconstruir mitos”, “derrubar messias”, na verdade estão fazendo uso de termos ideológicos. Buscam desqualificar o pensamento libertário, radical, transformador que, por definição, se constrói com base na exploração de visões de mundo, atitudes e comportamentos fora dos padrões e na diversidade de ideias e de ação. Nesse sentido, criticar Simone de Beauvoir (e Sartre) é muito mais construir empecilhos para que os intelectuais de hoje se inspirem ou busquem referências em suas ideias e possam pensar algo novo e tão transformador como eles pensaram em suas épocas.

Quem resiste a pensadores como Simone de Beauvoir e Sartre teme que alguém possa continuar a trilhar os caminhos que eles abriram. Teme palavras como liberdade, ambiguidade, imperfeição, descoberta, independência e, principalmente, responsabilidade e consciência. Teme o debate de ideias. Busca fórmulas que sustentem o status quo, o mainstream ou, para dizer de forma simples, "as coisas como elas estão". Talvez possam encontrar algo assim em alguma religião. Jamais encontrarão isso em pensadores livres e, felizmente, imperfeitos.



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Priscila Bellini |22-09-2011 19:16:43
Simplesmente amo seus textos. E com este não foi diferente: fiquei encantada, até porque graças a você comecei a me interessar por Simone de Beauvoir.

Admiro e muito sua maneira de escrever e se expressar. Sem mais.
Beauvoiriana |26-09-2011 09:34:29
Muito obrigada, Priscila, pela leitura e pela avaliação. E vc nem imagina quanto me faz feliz saber que a Simone de Beauvoir vai ganhar mais uma leitora ;-)
Camylla |26-09-2011 13:46:46
Sempre procuro ler os seus textos, eles despertam minha curiosidade e abrem minha mente a novas ideias e concepções do mundo, e como disse algum autor que infelizmente não recordo o nome, uma mente expandida não volta ás suas dimensões originais. Obg por esses ótimos momentos de reflexão!
Beauvoiriana |27-09-2011 17:29:14
Camylla, muito obrigada! É bom quando um texto realmente interessa às leitoras e aos leitores ;-)
Gilberto  - Por que estão enganados tu e Simone? |01-05-2013 22:19:03
Enumero a seguir algumas razões que provam estarem equivocados tu e ela. E, o mais interessante, quem o diz é a própria ciência moderna. Estou aberto à discussão de eventuais argumentos em contrário.

1) Afirmativa central: o sexo não é mais uma questão de natureza, mas de função social, escolhida de forma autônoma.

2) "Não se nasce mulher, se faz mulher", de Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir (1908-1986), é a síntese de pensamento dessa teoria.

3) Simone de Beauvoir supunha que a matéria-prima do intelectual é a própria experiência e a capacidade de compreender e criticar teorias. Por isso, era uma simpatizante do evolucionismo (suposição de que a matéria evolui). Nesse sentido, a autora segue a linha intelectual equivocada de Jakob Böheme (1575-1624), Eckart de Hockheim (1260-1328), Georg Willhelm Friedrich Hegel (1770-1831), todos eles base do pensamento marxiano.

4) A demonstração científica de que a matéria não evolui se encontra cabalmente sustentada em variadas fontes, dentre elas: a) O documentário que prova o erro contido em "A origem das espécies", de Darwin (disponível em: ). b) O estudo que prova que o evolucionismo é uma religião, mais especificamente a Teosofia, e que várias fraudes foram praticadas e desmascaradas a respeito das supostas provas biológicas e fósseis (conforme demonstrado em: (< http://www.montfort.org.br/old/cadernos/evolucionismo.html> e em < http://www.revistacriacionista.com.br/fc/FC66_05.pdf>). c) O percurso feito por Darwin foi refeito e ali se coletaram centenas de evidências de seus equívocos graves (conforme disponível em: ).

5) Levada por tais equívocos, Simone publicou, em 1949, "O segundo sexo", muito utilizado pelo movimento feminista. Nele a autora reflete sobre mitos e fatos condicionantes da situação feminina na sociedade. O lugar de crítica do qual fala é o do modelo dado pelo catolicismo. Ela tivera educação católica e uma das partes de seu nome era devido a uma homenagem de seus pais à Virgem Maria. Simone analisa a condição feminina, nos seguintes aspectos: sexual, psicológico, social e político.

6) A base desse livro parece verdadeira, mas esconde um sofisma e, como tal, é contrária à razão, porque sofisma é um "erro a caminho", um raciocínio capcioso, com aparência de validade, porque possui premissas verdadeiras ou verossímeis, mas concluído de modo absurdo; é uma ilusão de verdade, que ilude as pessoas desatentas com esquemas que parecem seguir as regras da lógica, mas que na verdade não o seguem. O sofisma de Simone de Beauvoir é o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. É sofisma porque a premissa é verdadeira (homens e mulheres têm a mesma natureza humana e, como tal, direitos iguais), mas a autora desconsidera que todo ser humano tem também direitos acidentais, pelo fato de que as pessoas são diferentes umas das outras, nos acidentes da natureza, que as tornam específicas. O que o sofisma de Simone ignora é que a mulher tem certos direitos acidentais que o homem não possui. Simone confunde semelhança com igualdade. Mulher é capaz de gerar um filho, a partir de uma fecundação masculina; o homem não é capaz disso. Mulher tem um aparelho reprodutor muito diferente do que o homem possui.

7) Quem lê essa autora sem cuidado acaba sendo induzido pelo sofisma da igualdade total entre homens e mulheres, que já foi cabalmente contestado pela Ciência. Alguns estudos provam essa desigualdade inegável, do ponto de vista dos acidentes: a) Simon Baron-Cohen. "The Essential Difference: The Truth about the Male and Female Brain". Penguin/Allen Lane: Basic Books, 2003. b) Cahill Larry. "His Brain, Her Brain". In: Scientifi c American, v. 292, n. 5, pp. 40-47, 2003. c) Susan T. Fiske, Daniel T. Gilbert e Gardner Lindzey. "Handbook of social psychology". John Wiley & Sons Inc, [s.d.]. d) Sonya M. Karhlenberg e Richard W. Wrangham. "Young female chimpanzees appear to treat sticks as dolls". Cambridge: Harvard, 2010. e) WILLIAMS, Christina L.; PLEIL, Kristen E. "Toy story: Why do monkey and human males prefer trucks?Comment on “Sex differences in rhesus monkey toy preferences parallel those of children”. In: Hormones and Behavior, v. 54, n. 3, ago. 2008, pp. 355-358. f) ALEXANDER, Gerianne M.; HINES, Melissa. "Sex differences in response to children’s toys in nonhuman primates (Cercopithecus aethiops sabaeus)". In: Evolution and Human Behavior, n. 23, pp. 467–479, 2002.

8) O efeito acadêmico, social, político, econômico etc, do pensamento de Simone e seus seguidores é colocar mulheres contra homens; instigar a revolta de filhas em relação aos seus pais; esposas em relação aos seus maridos; empregadas em relação aos seus patrões. Isso não quer dizer que os abusos praticados por homens contra mulheres possam ser tolerados. Em síntese, Simone é marxista e se coloca na mesma linha dos que instigam a revolta entre ricos e pobres, criminosos e não-criminosos, negros contra brancos, empregados contra patrões, alunos contra professores, enfim, produzir a revolução, que é uma tese eminentemente religiosa, desenvolvida desde os gregos, mas enfatizada no século XIX por Hegel e Marx, a partir das idéias do frade fransciscano Echart e do místico Böheme. Simone, como todo revolucionário, visa por em cheque a autoridade, em todos os níveis, em proveito próprio.
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