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Uma questão de limite
04/06/2026

Uma questão de limite

O tema já foi objeto de estudiosos, mas não custa, como reles comum, lembrar que não somos, propriamente, uma sociedade. Sequer uma tribo, pois tribos possuem algum nível de organização e valores compartilhados. 

Somos, no Brasil, bandos. E nos bandos valem as regras dos mais fortes. No caso, dos mais corruptos, dos mais bandidos, daqueles sem o mínimo pudor em achacar o que chamamos de país para si.

Até então supúnhamos que havia um limite o limite dentro do qual os bandos ainda se entendiam: uma mesma língua, um mesmo território, as riquezas produzidas aqui, enfim, apesar de bandos dispersos, havia um certo senso de pertencimento.

Pois esse limite foi definitivamente rompido. E se foi, com ele, toda e qualquer possibilidade de um avanço no sentido de formarmos uma tribo.

Um único bando, encabeçado por uma corja do que há de pior na espécie, resolveu que não era suficiente roubar de outros bandos daqui. Já antevendo que o fim se aproxima, entenderam que precisavam entregar tudo para um bando de fora. Um bando mais forte. Como fazem os covardes. 

Tudo na esperança – vã, claro – de que lhes sobre um quinhão de poder. Melhor ser vassalo do que do que passar o resto da vida na cadeia, como já o faz o lobo alfa da matilha de ladrões.

Outros limites – e esses bem mais graves – foram ultrapassados por outros bandos: o limite da consciência, o limite da moral, o limite de decência, o limite da dignidade. Como que entorpecidos, esses bandos apoiam serem roubados, apoiam permanecer na miséria, apoiam o fato de que se tornarão os palhaços dessa nova corte.

E não bastasse o bando miliciano, há outro, encastelado no Congresso Nacional; e mais outros nas assembleias, câmaras e prefeituras. Quiçá até bem piores.Canalhas de todos os gêneros, para quem não há limites, sequer éticos. Fazem de seus representados um bando de trouxas. 

Não há mais revolta, irresignação, nojo. Somos bandos apascentados. Cordeiros guiados por religiões e ladrões. E agora por vendilhões da pátria, se é que ainda temos uma.

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