Ciência e Humanidades - Demografia

Esse teocentrismo traz em seu bojo uma visão antropocentrica (teo-antropocentrismo), pois, segundo esse mito do surgimento do mundo, o ser humano foi criado à imagem de Deus, possuindo uma missão de se multiplicar e dominar a Terra e todas as espécies vivas do mundo. Mas, na tradição bíblica, embora o “Homem” tenha sido criado à imagem e semelhança de Deus ele não possui os poderes divinos, já que foi condenado a ter uma vida de sofrimentos na Terra, devido ao Pecado Original que provocou a expulsão de Adão e Eva do Paraíso. Somente pelo esforço, as penitências, as orações, os sacrifícios e muito trabalho o ser humano poderia conseguir a reabilitação divina e atingir, depois da morte, a vida eterna no paraíso perdido. A principal lição do teocentrismo-antropocentrico é que a natureza - criada por uma Força Superior – é imutável e que o ser humano é incapaz de alterar a ordem natural do mundo e tampouco a sua própria condição na Terra. Além do mais, a ordem hierarquica da natureza se reproduzia na sociedade humana, sendo que os reis (e a nobreza) tinham seus privilégios e riqueza atribuídos à origem divina e o clero tinha os privilégios de quem, supostamente, possuia contato direto com as leis divinas.
O renascimento, o empiricismo e o iluminismo foram movimentos que surgiram, no início da idade moderna, para se contrapor ao teocentrismo e ao poder das religiões sobre os costumes, a organização social e a ciência. Ajudados pela Reforma Protestante e por uma nova classe social que não estava ligada à renda da terra, mas sim ao comércio internacional e à industria, estes movimentos provocaram uma onda de revoluções, cujos eventos mais marcantes foram a Revolução Gloriosa (1688), na Inglaterra, a Independência dos Estados Unidos (1776) e a Revolução Francesa (1789).
Com base no empirismo e no iluminismo os pensadores progressistas dos séculos XVII e XVIII buscaram combater os preconceitos, as superstições e a ordem social do antigo regime. Trocaram o teocentrismo pelo antropocentrismo. Ao invés de uma natureza incontrolável e caótica, passaram a estudar suas leis e entender o seu funcionamento. Associavam o ideal do conhecimento científico com as mudanças sociais e políticas que poderiam propiciar o progresso da humanidade e construir o “paraíso na terra”.
Entre os pensadores iluministas podemos encontrar aqueles que eram contra os privilégios da nobreza (classismo), contra a escravidão (escravismo), contra o racismo, contra os privilégios masculinos sobre os femininos (sexismo) e contra o preconceito contra estrangeiros e migrantes (xenofobismo).
Os pensadores iluministas buscaram substituir o Deus onipresente e onipotente da religião e das superstições populares pela Deusa Razão. Eles acreditavam que semeando razão se colheria progresso. De fato, as idéias iluministas foram fundamentais para o avanço da educação, da ciência e tecnologia e para o desenvolvimento econômico dos povos do mundo. Porém, a forma concreta como isto se deu foi por meio da Revolução Industrial e todas as suas consequências.
Na prática novas relações sociais foram implementadas com o desenvolvimento da sociedade industrial e o classismo, o sexismo, o racismo e o xenofobismo foram reconfigurados. O escravismo foi abolido oficialmente no final do século XIX e o Brasil foi o último país a acabar com a escravidão legal (embora ainda haja escravidão em escala local).
Na verdade, a razão e o progresso não foram implementados para o conjunto da humanidade e muito menos para o conjunto dos seres vivos do Planeta. O novo antropocentrismo passou a utilizar a razão, não como uma fonte substantiva de pensamento finalistico e valorativo, mas sim como uma razão instrumental a serviço da dominação da natureza e das espécies e dos diversos segmentos da população humana. Assim como muitos crimes e guerras foram cometidos em nome de Deus, também muitos crimes e guerras foram cometidos em nome da Deusa Razão.
O mundo continua um lugar perigoso, desigual e sem um rumo razoavelmente definido. Mas entre os avanços conquistados, diveros estão consolidados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Os quatro primeiros artigos da Declaração dizem o seguinte:
1° - Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
2° - Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.
3° - Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
4° - Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.
Um item que ainda está longe de conseguir legitimidade e uma legislação adequada é o combate ao homofobismo e a todas as manifestações de homofobia. Mas em outras áreas houve grandes avanços, embora a civilização humana ainda esteje longe de tratar todos os seus membros de forma justa e igualitária. Porém, existem instrumentos para se combater as discriminações adivindas do classismo, escravismo, sexismo, xenofobismo e homofobismo.
Contudo, permanece a velha concepção antropocêntrica que se manifesta na separação entre natureza e cultura e na falta de instrumentos para combater o especísmo. Ou seja, o ser humano continua a discriminar os animais sencientes, utilizando-os para a alimentação, para diversos usos e a prática da “escravidão animal”. Muitas pessoas ainda acreditam que pelo simples fato de serem humanos e racionais possuem mais direitos e maior poder sobre a vida de outros seres vivos de outras espécies. É a racionalidade instrumental a serviço do egoísmo humano e em nome da dominação e exploração de outras espécies.
Ou seja, é preciso colocar um fim ao especísmo. Os Direitos Humanos não podem estar em contradição e em conflito com os direitos da Terra e os direitos da biodiversidade. A humanidade precisa saber utilizar a sua racionalidade, não para a dominação e a exploração predatória da Terra e das demais espécies vivas, mas é preciso saber utilizar a razão para a convivência pacífica e harmoniosa entre todos os seres vivos do Planeta.
| Comentários |
|
|
|||||||||
|
|||||||||
|
|||||||||
|
|||||||||
Powered by !JoomlaComment 4.0 beta2
| < Anterior | Próximo > |
|---|
Login
Comentários
Enquanto isso, nos blogs...
- Justiça julga improcedente ação de Yeda Crusius contra Sergio Buchmann 22 May 2013 | 7:21 pm Marco Weissheimer
- Debate com Francisco Louçã nesta terça: A crise do capitalismo na Europa 20 May 2013 | 11:17 am Marco Weissheimer
- Altos falantes 19 May 2013 | 1:56 pm Recordar, Repetir e Elaborar
- Read with Friends 14 May 2013 | 5:07 pm Recordar, Repetir e Elaborar
- Eu tenho razão, Einstein concorda comigo! 11 May 2013 | 10:21 pm Incautos do Ontem
- Não produza uma capa pela sinopse 9 May 2013 | 8:21 am Incautos do Ontem
- Porto Alegre e o trânsito! (um post que se repete…) 3 May 2013 | 5:59 pm O Chato
- Preciosistas (Douglas Adams) 3 May 2013 | 4:21 pm Sala de Justiça
- Há algo de podre no Reino da Di… 30 Apr 2013 | 7:37 pm O Chato
- Conversê 22 Apr 2013 | 12:47 pm Ágora com dazibao no meio










Me tuíta!




Sexo precoce e gravidez indesejada entre...
io mano sou cigano gosto de comer macacas e sou cigano do campo fodo os o...
Sexo precoce e gravidez indesejada entre...
56ta fixe mjano sou cigano cralho gosto de foda
Mulher Celta ou Mulher Ficção?
falou muito e não disse nada
O homem que fazia chover*
re: Abençoada chuva - Amigoooooo, você por aqui? Que surpresa! Sabe que u...
Pessoas são como livros
re: - Ô, Leda! Que bom que vem por aqui. :D